Em evento com investidores, Zema critica Flávio e admite possível aliança com Caiado

Romeu Zema voltou a criticar Flávio Bolsonaro e afirmou estar “indignado” com os elos do senador com “banqueiro bandido”, em referência à proximidade com Daniel Vorcaro, ponto que aumentou a resistência de investidores ao nome do PL.
Zema volta a mirar Flávio Bolsonaro e tenta se firmar como alternativa na Faria Lima
Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência, participa de evento promovido pela Genial Investimentos — Foto: Genial Investimentos/Divulgação

Resumo da Notícia

  • O pré-candidato Romeu Zema criticou novamente Flávio Bolsonaro durante evento com investidores em São Paulo.
  • Zema manifestou indignação com os elos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
  • O governador de Minas Gerais não descartou uma possível aliança com Ronaldo Caiado para as eleições.
  • Zema defendeu a união da direita no segundo turno, apesar das divergências atuais com o PL.
  • O pré-candidato apresentou propostas como corte de gastos, revisão do Bolsa Família e privatização da Petrobras.
  • Investidores cobraram planos de governo mais detalhados de todos os presidenciáveis presentes.

O pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, voltou a se distanciar de Flávio Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (26), durante encontro com investidores na avenida Faria Lima, em São Paulo. Ao falar a clientes da Genial Investimentos, o ex-governador de Minas Gerais repetiu que ficou “indignado” com os elos do senador com “banqueiro bandido”, em referência à proximidade de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A fala ocorreu em meio ao ceticismo de agentes do mercado financeiro sobre a viabilidade da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, abalada pela revelação de sua relação com Vorcaro. No evento, Zema tentou se apresentar como uma alternativa para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, ao mesmo tempo, não descartou uma composição com Ronaldo Caiado, presidenciável do PSD.

Questionado sobre uma possível chapa com o ex-governador de Goiás, Zema respondeu: “Gosto dele”. Em seguida, ponderou que as conversas sobre alianças partidárias só devem se afunilar perto do prazo final das convenções, em agosto.

Zema diz que seguirá até o fim, mas prega união da direita no segundo turno

Mesmo em meio à crise enfrentada pela campanha do PL, Zema evitou tratar Flávio Bolsonaro como um nome fora da disputa. O pré-candidato do Novo afirmou que pretende levar sua candidatura “até o fim”, mas voltou a defender unidade da oposição em um eventual segundo turno contra Lula.

Estou indignado, mas, no segundo turno, qualquer que seja o candidato da direita, nós vamos estar juntos contra a esquerda, disse Zema. Para ele, as divergências dentro do campo oposicionista são normais nesta fase da disputa.

A declaração foi dada após o nome de Zema ter sido especulado como possível vice em uma chapa com Flávio Bolsonaro. A relação, porém, ficou mais tensa depois que o mineiro classificou como “imperdoável” a ligação do senador com o fundador do Banco Master.

Durante o encontro, Zema também foi questionado sobre a possibilidade de uma composição com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O pré-candidato respondeu que “tudo é possível na política”, mas ressaltou que o postulante do PL é Flávio, não Michelle.

Na sequência, fez uma provocação indireta ao senador: Eu não a invejo com seus enteados.

A frase veio um dia depois de Zema ser atacado nas redes sociais por Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. Carlos escreveu que não conhece “sujeito mais baixo que esse” e comparou a “uma facada” a declaração de Zema de que quem vota em Flávio ajuda a reeleger Lula.

Ao responder a uma pergunta da plateia, que levantou a hipótese de o bolsonarismo já não ser a melhor alternativa para derrotar o PT em outubro, Zema reafirmou que vê risco na candidatura de Flávio. Segundo ele, a opção pelo senador pode ser arriscada já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente.

Após o caso ligado ao financiamento do filme “Dark Horse”, Flávio Bolsonaro passou a registrar 46% de rejeição, enquanto Lula aparece com 45%, conforme pesquisa Datafolha citada no material.

Mercado ainda cobra propostas mais claras dos presidenciáveis

Zema usou o evento para marcar diferenças em relação a Flávio Bolsonaro sobretudo no campo moral e administrativo. O pré-candidato do Novo destacou sua experiência por dois mandatos como governador, enquanto o senador enfrenta o desgaste de nunca ter ocupado cargo no Executivo.

Fora dos microfones, um dos participantes do encontro observou que um dos problemas de Flávio é que ele ainda não conseguiu demonstrar “o que ele é, para além do sobrenome”.

Participantes ouvidos sob reserva pelo Valor relataram que a desconfiança sobre Flávio permanece forte por causa de sua relação com Daniel Vorcaro. A resistência também estaria ligada à falta de consistência da pré-candidatura, sem propostas claras para a economia, segundo os agentes presentes.

A cobrança, no entanto, não se restringiu ao senador do PL. Zema e outros presidenciáveis também foram pressionados por mais detalhamento. “Estamos esperando os planos de governo”, disse um dos participantes.

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Zema promete choque fiscal, ético e na segurança pública

No encontro, Zema apresentou linhas gerais de seu programa e sinalizou que pretende levar ao plano federal iniciativas que diz ter adotado em Minas Gerais. Segundo ele, o tripé de sua proposta envolve um choque ético e moral que o Brasil precisa, um choque fiscal na gastança do Lula e um choque na segurança pública.

O pré-candidato voltou a defender cortes de gastos e apontou a “ineficiência no setor público” como um dos principais ralos do orçamento.

Quero cortar em todas as frentes, afirmou. Em seguida, citou sua gestão em Minas: Cortamos quase 50 mil cargos em Minas. Não tenho conhecimento de outro enxugamento dessa magnitude no Brasil. Dá pra tirar muito gasto, sim.

Zema também recorreu a uma metáfora para defender a existência de espaço para cortes: É mato com cinco metros de altura. Qualquer foice cega dá conta do trabalho. Às vezes nem precisa de foice, com a mão você vai arrancando. É um manancial para você poder atuar.”

Na área fiscal, ele afirmou que “gostaria de ir além” do teto de gastos. Também declarou que, se eleito, não haverá ganho real no salário mínimo nem nas aposentadorias, apenas recomposição pela inflação. Para Zema, uma das saídas para enfrentar o déficit fiscal seria “avançar em arrecadação sem aumentar tributação”, por meio da atração de investimentos e da dinamização da economia.

Questionado sobre a promessa de reduzir a taxa de juros pela metade em um ano caso o governo adote uma política de ajuste fiscal, Zema disse que isso seria possível ao sinalizar seriedade ao mercado.

Quem é que não vai querer emprestar para alguém que está fazendo a lição de casa? O mercado precifica, afirmou.

Sobre a Previdência, o pré-candidato defendeu aumento no tempo de contribuição. A expectativa de vida continua crescendo. A população está vivendo mais, vai ter que contribuir mais, disse. Ele também mencionou a necessidade de uma reforma administrativa, mas não detalhou a proposta.

Bolsa Família seria mantido, mas passaria por revisão

Zema afirmou que programas sociais como o Bolsa Família seriam mantidos em um eventual governo seu, mas passariam por revisão. Segundo o pré-candidato, há fraudes e pessoas recebendo o benefício sem necessidade.

Tem muita fraude e muita gente recebendo sem precisar, disse.

Ele voltou a criticar a figura do “marmanjão” que recebe auxílio mesmo tendo condições de trabalhar. Estamos criando uma geração de imprestáveis no Brasil. Precisamos dar [o Bolsa Família] para quem precisa, e tem muita gente que precisa, principalmente mulheres com filhos pequenos. Agora, homem, novo, saudável?, questionou.

O pré-candidato defendeu mais ações de qualificação profissional e afirmou que, se chegar à Presidência, pretende instituir um prêmio para quem deixar o programa e migrar para um emprego formal.

Petrobras, estatais e relação com o Centrão

Zema também se posicionou a favor da privatização da Petrobras. Ele argumentou que “o setor privado toca empresa muito melhor do que o público” e afirmou que empresas estatais podem abrigar “aberrações”, com indicações que as transformam em “cabide de empregos” e “ferramenta da politicagem”.

Para o presidenciável, o governo federal até pode participar da gestão da petrolífera, mas não deve controlar a companhia.

Porque senão vai ficar refém dos políticos. E políticos, nós sabemos, não são confiáveis. Exceto eu, disse, arrancando risos e aplausos da plateia.

O pré-candidato também foi questionado sobre sua estagnação nas pesquisas, com variações dentro da margem de erro desde a revelação das conversas de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Zema atribuiu o desempenho ao baixo conhecimento de seu nome pelo eleitorado e disse que pretende “rodar todo o Brasil” para ampliar sua projeção.

O brasileiro neste momento não está sintonizado em eleição, nem na Copa do Mundo ele está, afirmou.

Na avaliação dele, a decisão do eleitor ocorrerá na reta final da campanha, o que ainda lhe daria tempo para crescer nos levantamentos. Sem citar nomes, Zema disse que político “envolvido com a podridão que está aí” já sai em desvantagem. Em seguida, acrescentou: Um bom capital para mim é ser ficha limpa. Nunca tive encontros com banqueiro bandido.

Sobre a relação com o Centrão em um eventual governo, Zema desconversou, mas afirmou que a negociação política seria um desafio administrável.

Lidar com esse fisiologismo é um desafio, mas está longe de ser impossível. É algo que um governo com credibilidade vai conseguir tratar com muito mais bons resultados do que esse atual governo, que não tem credibilidade nenhuma, declarou.

O que marcou o evento de Zema na Faria Lima

  • Romeu Zema voltou a criticar Flávio Bolsonaro e afirmou estar “indignado” com os elos do senador com “banqueiro bandido”, em referência à proximidade com Daniel Vorcaro, ponto que aumentou a resistência de investidores ao nome do PL.
  • O pré-candidato do Novo não descartou uma composição com Ronaldo Caiado e disse “Gosto dele”, mas afirmou que as alianças só devem se definir perto do prazo final das convenções, em agosto.
  • Zema tentou se posicionar como alternativa para derrotar Lula, mas afirmou que apoiará qualquer candidato da direita no segundo turno contra a esquerda, mesmo mantendo críticas ao nome de Flávio Bolsonaro.
  • O encontro também foi marcado por cobranças do mercado por planos de governo mais consistentes, tanto em relação a Flávio quanto a Zema e outros presidenciáveis.
  • O ex-governador apresentou propostas gerais de corte de gastos, revisão do Bolsa Família, privatização da Petrobras, reforma administrativa e aumento do tempo de contribuição para a Previdência, mas nem todos os pontos foram detalhados.
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