Resumo da Notícia
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indica que a ausência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026 não transfere automaticamente sua força eleitoral para outro nome da direita. No cenário testado sem o senador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46,7%, enquanto Romeu Zema (Novo) marca 17,0%, Ronaldo Caiado registra 13,8% e Renan Santos soma 8,0%. O levantamento mostra um campo oposicionista mais espalhado, sem um substituto natural capaz de concentrar sozinho o eleitorado que hoje vê em Flávio o nome mais competitivo contra Lula.
O recorte amplia a leitura da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro após o caso Vorcaro. Na simulação principal, com Flávio na disputa, Lula tem 47,0%, e o senador aparece com 34,3%. Quando Flávio sai do cenário e nenhum outro nome da família Bolsonaro entra em seu lugar, Zema e Caiado crescem, mas permanecem distantes do presidente.
Sem Flávio, Zema lidera a direita, mas não herda o bolsonarismo sozinho
No cenário sem Flávio Bolsonaro, Romeu Zema aparece como o nome mais bem posicionado fora do campo governista. O ex-governador de Minas Gerais chega a 17,0%, ficando à frente de Ronaldo Caiado, que marca 13,8%. A diferença entre os dois é de 3,2 pontos percentuais, acima da margem de erro de um ponto percentual informada pelo instituto.
O dado é politicamente relevante porque mostra que Zema assume a dianteira entre os nomes de direita e centro-direita quando Flávio não aparece na lista, mas não se aproxima de Lula em patamar competitivo de primeiro turno. A distância entre Lula e Zema, nesse cenário, é de 29,7 pontos percentuais.
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Caiado também cresce de forma expressiva quando Flávio sai da disputa. No cenário com o senador, o nome do PSD aparece com 2,7%. Sem Flávio, salta para 13,8%, seu melhor desempenho entre as simulações de primeiro turno divulgadas. Ainda assim, o crescimento não é suficiente para colocá-lo como principal adversário direto de Lula no levantamento.
Resultado mostra dispersão do voto oposicionista
A fragmentação aparece com mais clareza quando se compara o cenário com Flávio ao cenário sem ele. Com o senador na disputa, a oposição aparece concentrada em torno de um nome competitivo: Flávio marca 34,3%, enquanto Renan Santos tem 6,9%, Zema 5,2% e Caiado 2,7%.
Sem Flávio, esse bloco se espalha: Zema vai a 17,0%, Caiado a 13,8% e Renan Santos a 8,0%. A soma desses três nomes chega a 38,8%, mas pesquisa eleitoral não permite tratar essa soma como transferência automática de votos, porque cada candidatura tem rejeição, perfil regional, posicionamento ideológico e capacidade de mobilização próprios.
Esse é o ponto central do levantamento: a saída de Flávio abre espaço para vários nomes, mas não organiza imediatamente a direita em torno de uma liderança única. Para o campo oposicionista, isso significa que a disputa interna por hegemonia continuaria aberta caso o senador deixasse de ser o principal nome do PL ou da família Bolsonaro na corrida presidencial.
Cenário sem Flávio aumenta brancos, nulos e indecisos
Outro sinal importante está no crescimento dos eleitores sem candidato definido. No cenário com Flávio, brancos e nulos somam 1,4%, enquanto 1,9% não souberam responder. Sem Flávio, brancos e nulos sobem para 6,8%, e os indecisos chegam a 4,6%.
Na prática, isso indica que parte do eleitorado que aparece hoje reunido em torno de Flávio não migra de forma imediata para Zema, Caiado ou Renan. Uma parcela passa a declarar voto branco ou nulo, ou simplesmente não escolhe nenhum dos nomes apresentados.
Esse movimento é um dos indicadores mais úteis da pesquisa, porque ajuda a diferenciar crescimento nominal de capacidade real de substituição política. Zema e Caiado melhoram seus percentuais, mas não absorvem todo o espaço deixado por Flávio. A ausência do senador produz, ao mesmo tempo, avanço de outros candidatos e aumento da incerteza eleitoral.
Michelle Bolsonaro muda o desenho, mas também não empata com Lula
A AtlasIntel/Bloomberg também testou um cenário com Michelle Bolsonaro no lugar de Flávio. Nesse recorte, Lula aparece com 47,0%, enquanto Michelle registra 23,4%. Zema cai para 10,0%, Renan Santos marca 7,8%, e Caiado fica com 6,0%.
A entrada de Michelle reorganiza parcialmente o campo bolsonarista, reduzindo o espaço de Zema e Caiado, mas ainda sem reproduzir o desempenho de Flávio. Enquanto o senador aparece com 34,3% no cenário principal, Michelle fica 10,9 pontos percentuais abaixo dele na simulação em que assume o lugar do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Esse dado reforça que a marca Bolsonaro continua sendo um ativo eleitoral importante, mas também mostra diferenças dentro da própria família. Flávio, no momento medido pela pesquisa, permanece como o nome do campo bolsonarista com melhor desempenho contra Lula no primeiro turno, apesar do desgaste registrado após o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Comparativo dos cenários de primeiro turno
| Candidato ou opção | Com Flávio Bolsonaro | Sem Flávio Bolsonaro | Com Michelle Bolsonaro |
|---|---|---|---|
| Lula | 47,0% | 46,7% | 47,0% |
| Flávio Bolsonaro | 34,3% | — | — |
| Michelle Bolsonaro | — | — | 23,4% |
| Romeu Zema | 5,2% | 17,0% | 10,0% |
| Ronaldo Caiado | 2,7% | 13,8% | 6,0% |
| Renan Santos | 6,9% | 8,0% | 7,8% |
| Aldo Rebelo | 0,2% | 1,8% | 0,7% |
| Augusto Cury | 0,4% | 1,2% | 0,5% |
| Brancos e nulos | 1,4% | 6,8% | 2,3% |
| Não sabem | 1,9% | 4,6% | 2,3% |
Zema e Caiado disputam a liderança da direita não bolsonarista
A pesquisa também expõe uma disputa particular dentro da oposição: quem consegue liderar a direita fora do núcleo direto da família Bolsonaro. Zema aparece à frente nesse recorte, mas Caiado é quem registra o salto mais expressivo quando Flávio sai da lista.
Zema tem perfil associado à gestão estadual, ao discurso liberal e ao Novo. Caiado, por sua vez, tenta se posicionar como nome mais experiente do campo conservador tradicional, com trajetória no Congresso e no Executivo estadual. Renan Santos aparece em terceiro nesse bloco, com 8,0%, mantendo presença relevante, mas ainda distante dos dois nomes mais competitivos no cenário sem Flávio.
A disputa entre esses nomes não é apenas numérica. Ela envolve capacidade de atrair o eleitor bolsonarista, dialogar com setores de centro-direita, reduzir rejeição e construir palanque nacional. Até aqui, o levantamento sugere que nenhum deles conseguiu assumir sozinho esse espaço.
Lula mantém patamar estável nos três cenários
Enquanto os nomes da oposição variam, Lula permanece praticamente no mesmo patamar. O presidente marca 47,0% com Flávio, 46,7% sem Flávio e 47,0% com Michelle. A estabilidade mostra que a principal mudança ocorre dentro do campo oposicionista, não no voto lulista.
Esse dado ajuda a explicar por que a fragmentação da direita favorece momentaneamente Lula. Se o presidente mantém uma base próxima de 47% e seus adversários se dividem em diferentes candidaturas, a oposição passa a depender de uma reorganização mais clara para reduzir a vantagem no primeiro turno.
Ainda assim, o levantamento não autoriza leitura definitiva sobre a eleição. Pesquisas eleitorais registram o cenário do momento, e a eleição presidencial de 2026 ainda será influenciada por alianças partidárias, tempo de televisão, desempenho econômico, campanha digital, decisões judiciais, debates, candidaturas oficiais e eventuais novos fatos políticos.
Segundo turno mostra limite dos nomes alternativos
A fragmentação também aparece nas simulações de segundo turno. Lula vence Zema por 47,8% a 37,6% e supera Caiado por 47,5% a 38,5%. Contra Renan Santos, a vantagem é mais ampla: 47,8% a 28,4%.
Esses números mostram que Zema e Caiado são mais competitivos que Renan em um confronto direto, mas ainda ficam atrás do presidente no levantamento. A diferença contra Caiado é de 9 pontos percentuais; contra Zema, de 10,2 pontos.
Flávio, apesar da queda registrada na pesquisa, ainda aparece como o adversário mais próximo de Lula no segundo turno: 48,9% a 41,8%. Isso ajuda a explicar por que sua eventual ausência abre uma disputa interna difícil para a direita. O senador sofre desgaste, mas ainda concentra mais voto do que os demais nomes testados individualmente.
O que a pesquisa indica sobre a direita em 2026?
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg aponta que a direita tem voto potencial relevante, mas enfrenta um problema de coordenação política. Sem Flávio Bolsonaro, o campo não desaparece; ao contrário, Zema, Caiado e Renan crescem. O problema é que esse crescimento ocorre de forma dividida.
Para a oposição, o desafio será transformar dispersão em unidade. Para Lula, o dado positivo é a manutenção de um patamar estável diante de diferentes adversários. Para o eleitor, a principal informação é que a disputa de 2026 ainda depende menos de nomes isolados e mais da capacidade de cada campo político organizar uma candidatura nacionalmente viável.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06939/2026.
