Resumo da Notícia
A nova pesquisa nacional Real Time Big Data sobre a disputa presidencial de outubro traz um dado que ajuda a explicar o momento de Renan Santos (Missão) no tabuleiro político: ele aparece como o nome mais associado à terceira via, mas ainda está distante de transformar essa percepção em voto consolidado.
Segundo o levantamento, 26% dos entrevistados apontam Renan Santos como o candidato que melhor representa uma terceira via no Brasil. O número o coloca à frente de Romeu Zema (Novo), citado por 21%, e de Ronaldo Caiado (PSD), lembrado por 8%. Flávio Bolsonaro (PL), Aécio Neves (PSDB) e Joaquim Barbosa (DC) aparecem com 3% cada nessa pergunta.
O dado é relevante porque mostra que Renan conseguiu ocupar um espaço simbólico na disputa: o de nome associado a uma alternativa fora do confronto tradicional entre lulismo e bolsonarismo. No entanto, o mesmo levantamento indica que essa imagem ainda não se converteu em força eleitoral suficiente para colocá-lo no mesmo patamar dos dois principais polos da eleição.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 38% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro vem em segundo, com 31%. Renan Santos aparece com 6%, empatado com Ronaldo Caiado. Romeu Zema registra 4%, enquanto Aécio Neves e Joaquim Barbosa somam 3% cada. Augusto Cury aparece com 1%. Brancos e nulos são 3%, e 4% não souberam ou não responderam.
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Em outro cenário estimulado, Lula mantém 38%, Flávio repete 31%, Renan e Caiado seguem com 6%, Zema sobe para 5%, Aécio aparece com 3%, Aldo Rebelo e Augusto Cury registram 1% cada, brancos e nulos ficam em 3%, e os indecisos chegam a 5%.
A fotografia, portanto, é clara: Renan lidera a percepção de terceira via, mas ainda aparece no segundo pelotão da intenção de voto.
Terceira via é percepção, não voto automático
A diferença entre ser lembrado como terceira via e ser escolhido como candidato é central para entender a pesquisa. Um eleitor pode enxergar Renan Santos como nome alternativo ao lulismo e ao bolsonarismo, mas isso não significa que já esteja disposto a votar nele.
Esse tipo de pergunta mede percepção política. Ela mostra qual nome o eleitor associa à ideia de alternativa. Já a intenção de voto mede escolha eleitoral diante de uma lista de candidatos. São indicadores relacionados, mas não equivalentes.
No caso de Renan, a distância entre os dois números é expressiva. Ele tem 26% como representante da terceira via, mas registra 6% no primeiro turno. Ou seja, aparece com uma lembrança simbólica mais ampla do que sua base eleitoral atual.
Essa diferença pode ser lida de duas formas. De um lado, indica potencial de crescimento, porque o nome já ocupa um espaço na cabeça do eleitor. De outro, revela limite concreto: a associação com a terceira via ainda não foi suficiente para produzir voto em escala nacional.
Para uma candidatura que busca romper a polarização, esse é o ponto decisivo. Não basta ser percebido como alternativa. É preciso convencer o eleitor de que essa alternativa é viável, conhecida, segura e capaz de disputar poder.
Renan dobrou intenção de voto, mas segue distante dos polos
O crescimento de Renan Santos também aparece quando se compara a pesquisa atual com a rodada anterior da Real Time Big Data. No levantamento divulgado em maio, ele tinha 3% das intenções de voto. Agora, registra 6%.
Dobrar o desempenho em menos de um mês é um movimento politicamente relevante, especialmente para um nome que ainda tenta construir projeção nacional. O avanço permite que Renan divida a terceira colocação com Ronaldo Caiado no cenário principal e apareça numericamente à frente de Romeu Zema.
Mesmo assim, a distância para os dois líderes continua grande. Lula tem 38%, e Flávio Bolsonaro soma 31%. Juntos, os dois concentram quase sete em cada dez intenções de voto no cenário estimulado mais forte.
Esse contraste é importante para evitar uma leitura exagerada do crescimento de Renan. O avanço existe, mas ainda ocorre dentro de um campo eleitoral dominado por Lula e Flávio. A candidatura cresce como alternativa, mas não quebra, por enquanto, a estrutura central da disputa.
Segundo turno mostra limite atual da candidatura
O cenário de segundo turno reforça essa diferença entre potencial e consolidação. Quando testado contra Lula, Renan Santos aparece com 30%, enquanto o presidente registra 46%. Brancos e nulos somam 12%, e 12% não souberam ou não responderam.
Esse resultado mostra que Renan ainda enfrenta uma barreira de competitividade em confronto direto com o presidente. Diferentemente de Ronaldo Caiado, que empata numericamente com Lula em 43% a 43%, e de Romeu Zema, que aparece com 40% contra 43% do petista, Renan fica mais distante no cenário de segundo turno.
A comparação com Caiado e Zema é inevitável. Os três tentam disputar o espaço de alternativa ao embate entre Lula e Flávio, mas aparecem em posições diferentes. Renan lidera a percepção de terceira via. Caiado tem o melhor desempenho contra Lula no segundo turno. Zema combina lembrança como alternativa com rejeição menor.
Isso revela que a disputa por esse eleitorado ainda está aberta. Renan tem a marca da terceira via mais forte no levantamento, mas Caiado e Zema demonstram maior competitividade no confronto direto contra Lula.
Rejeição menor ajuda, mas não resolve
Outro dado importante é a rejeição. Renan Santos aparece com 28% de rejeição, abaixo de Lula e Flávio Bolsonaro, que registram 48% cada, e também abaixo de Aécio Neves, com 45%, Ronaldo Caiado, com 39%, e Romeu Zema, com 35%.
Em tese, uma rejeição menor pode funcionar como vantagem para candidaturas alternativas. Ela indica menos resistência inicial e maior espaço para apresentação ao eleitor. No entanto, rejeição baixa também pode refletir menor exposição nacional.
Esse é um cuidado essencial na análise. Um candidato menos conhecido tende a ser menos rejeitado, justamente porque ainda não foi submetido ao mesmo grau de escrutínio, ataque, polarização e desgaste público dos nomes mais consolidados.
Para Renan, o desafio é crescer sem perder esse ativo. Quanto mais conhecido se tornar, maior será a chance de ampliar votos, mas também maior será a possibilidade de aumento de rejeição. Essa é uma etapa natural de candidaturas que deixam o nicho político e passam a disputar o centro da eleição.
O eleitor quer alternativa, mas ainda vota nos polos
A pesquisa também identificou um sentimento amplo de cansaço com a polarização. 48% dos entrevistados afirmam estar cansados da divisão entre lulismo e bolsonarismo e dizem querer uma terceira via. Outros 27% afirmam acreditar na polarização como caminho para vencer o lulismo, enquanto 25% veem a polarização como forma de derrotar o bolsonarismo.
Esse dado ajuda a explicar por que Renan aparece bem na pergunta sobre terceira via. Há uma parcela expressiva do eleitorado disposta a considerar alternativas. O problema é que esse desejo ainda não se traduz automaticamente em voto.
A própria soma dos que ainda defendem a lógica polarizada chega a 52%, considerando os que veem a polarização como instrumento para vencer um dos dois campos. Ou seja, mesmo com desgaste, a polarização continua funcionando como atalho eleitoral para uma parte do eleitorado.
É nesse ambiente contraditório que Renan tenta crescer. Ele se beneficia do cansaço com os polos, mas precisa convencer eleitores de que sair da polarização não significa desperdiçar voto ou favorecer o adversário que rejeitam.
Zema aparece como concorrente direto no campo da alternativa
Embora Renan lidere a percepção de terceira via, Romeu Zema aparece logo atrás, com 21%. Esse número mostra que a disputa pelo rótulo de alternativa não está resolvida.
Zema tem uma vantagem diferente: no segundo turno contra Lula, aparece com 40%, contra 43% do presidente. Além disso, sua rejeição é de 35%, maior que a de Renan, mas menor que a de Lula, Flávio e Caiado.
Caiado, por sua vez, aparece com apenas 8% como representante da terceira via, mas tem o melhor desempenho contra Lula no segundo turno, empatando numericamente em 43% a 43%. Isso mostra que percepção de terceira via, intenção de voto e competitividade contra Lula não estão alinhadas no mesmo candidato.
Renan lidera uma dimensão da pesquisa. Caiado lidera outra. Zema ocupa uma posição intermediária, com boa lembrança como alternativa e desempenho competitivo. A disputa entre eles será, portanto, também uma disputa de narrativa: quem consegue convencer o eleitor de que é não apenas uma alternativa, mas uma alternativa viável?
O peso da segunda opção de voto
A segunda opção de voto também ajuda a medir o espaço de Renan. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, Renan aparece como alternativa de 17%, atrás de Caiado, com 23%, e Zema, com 20%. Isso indica que ele circula dentro do eleitorado oposicionista, mas ainda não é a principal rota de migração desse grupo.
Entre eleitores de Zema, Renan aparece com 21% como segunda opção, praticamente empatado com Caiado, que tem 22%, e atrás de Flávio, com 28%. Entre eleitores de Caiado, Renan é citado por 10%, atrás de Flávio e Zema.
Esses dados mostram que Renan tem presença no corredor da direita e da centro-direita, mas ainda disputa espaço com nomes que têm maior experiência administrativa ou maior vínculo com o eleitorado bolsonarista.
O desafio dele é transformar a imagem de terceira via em uma coalizão eleitoral mais ampla. Para isso, precisa atrair eleitores cansados da polarização, mas também dialogar com quem busca uma candidatura competitiva contra Lula ou contra o bolsonarismo.
Uma candidatura em fase de teste nacional
O resultado da pesquisa coloca Renan Santos em uma posição de visibilidade, mas também de cobrança. Ser o nome mais associado à terceira via aumenta seu espaço no debate público, mas também expõe a distância entre imagem e voto.
A candidatura aparece, neste momento, em fase de teste nacional. Tem crescimento em relação ao levantamento anterior, lidera a percepção de alternativa e possui rejeição mais baixa que a dos nomes mais conhecidos. Por outro lado, ainda registra apenas 6% no primeiro turno e fica 16 pontos atrás de Lula no segundo turno testado.
Essa combinação sugere que Renan ainda não é um candidato consolidado, mas já deixou de ser irrelevante no levantamento. Ele entrou na disputa pelo espaço político da terceira via. O próximo passo, do ponto de vista eleitoral, será demonstrar se consegue transformar esse espaço em intenção de voto real.
Pesquisa mostra oportunidade e limite
A principal mensagem da pesquisa para Renan Santos é dupla. Existe oportunidade, porque ele aparece como o nome mais lembrado quando o assunto é terceira via. Mas também existe limite, porque sua intenção de voto ainda não acompanha essa percepção.
Esse descompasso é comum em candidaturas alternativas. Primeiro, o eleitor reconhece o nome como possibilidade. Depois, avalia se aquela possibilidade merece voto. No caso de Renan, a primeira etapa parece avançar; a segunda ainda está em construção.
Para Lula e Flávio Bolsonaro, o dado também importa. A presença de Renan como terceira via indica desgaste dos polos tradicionais e abertura para novas candidaturas. No entanto, enquanto essa abertura não se converte em voto, os dois continuam dominando o primeiro turno.
Para Caiado e Zema, a pesquisa mostra que a disputa pelo eleitor insatisfeito com a polarização não está fechada. Renan lidera a percepção, mas não monopoliza o campo. Há espaço para diferentes candidaturas tentarem ocupar o lugar de alternativa.
Como toda pesquisa eleitoral, o levantamento representa uma fotografia do momento. Os números não definem o resultado da eleição, mas ajudam a entender uma contradição central da corrida presidencial de 2026: o eleitor diz querer uma terceira via, reconhece Renan Santos como esse nome mais do que qualquer outro, mas ainda não transformou essa lembrança em voto suficiente para romper a polarização.
