Resumo da Notícia
A disputa presidencial ficou mais apertada na nova rodada da Vox Brasil, divulgada neste sábado (29). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados tanto no primeiro quanto no segundo turno, após uma movimentação expressiva em relação ao levantamento realizado pelo mesmo instituto no fim de julho.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula registra 37,1% das intenções de voto, enquanto Flávio chega a 34,8%. A vantagem numérica do presidente é de 2,3 pontos percentuais, praticamente um quarto dos 9,3 pontos que separavam os dois na pesquisa anterior.
A mudança também aparece no confronto direto. Flávio alcança 45,1%, diante de 44,5% de Lula, e fica numericamente 0,6 ponto à frente. Como a pesquisa possui margem de erro de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado não permite apontar vantagem estatisticamente segura de nenhum dos dois.
Mais relevante do que a ordem numérica isolada é o movimento registrado entre as duas rodadas da mesma pesquisa. Em julho, Lula liderava o segundo turno por 47,5% a 41,1%, diferença de 6,4 pontos. Agora, essa distância desapareceu e se transformou em uma vantagem numérica de 0,6 ponto para Flávio.
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Diferença no primeiro turno cai sete pontos em um mês
A redução da distância entre os dois candidatos é igualmente clara no primeiro turno.
No levantamento realizado entre 26 e 28 de julho, Lula tinha 40,5%, enquanto Flávio registrava 31,2%. Na pesquisa divulgada agora, o presidente caiu para 37,1% e o senador avançou para 34,8%.
| Candidato | Julho | Agosto | Variação |
|---|---|---|---|
| Lula | 40,5% | 37,1% | -3,4 p.p. |
| Flávio Bolsonaro | 31,2% | 34,8% | +3,6 p.p. |
| Diferença | 9,3 p.p. | 2,3 p.p. | -7,0 p.p. |
A comparação mostra uma movimentação simultânea: Lula perdeu 3,4 pontos percentuais, enquanto Flávio ganhou 3,6. Como cada levantamento possui margem de erro própria, variações individuais precisam ser lidas com cautela, mas a redução de sete pontos na distância entre os candidatos altera o cenário registrado pela série da Vox.
O movimento ocorre poucos dias depois de Flávio intensificar a tentativa de concentrar o eleitorado de oposição. Na segunda-feira (24), o candidato do PL pediu votos aos eleitores de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury, defendendo a ideia de voto útil já no primeiro turno.
A pesquisa não permite estabelecer que essa estratégia seja a causa do crescimento registrado. Os números apenas mostram que, durante o intervalo entre as duas rodadas da Vox, a distância entre Lula e Flávio diminuiu de forma acentuada.
Caiado tem 5%; Renan, Zema e Cury aparecem próximos
Embora Lula e Flávio concentrem mais de sete em cada dez intenções de voto, a pesquisa também mede o desempenho dos demais candidatos.
Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro lugar, com 5%. Renan Santos (Missão) tem 3,3%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 2,8%. Augusto Cury (Avante) registra 2,6% e Pablo Marçal (PRTB), 2%.
O cenário completo fica assim:
| Candidato | Intenção de voto |
| Lula (PT) | 37,1% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 34,8% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 5,0% |
| Renan Santos (Missão) | 3,3% |
| Romeu Zema (Novo) | 2,8% |
| Augusto Cury (Avante) | 2,6% |
| Pablo Marçal (PRTB) | 2,0% |
| Clariana Barão (DC) | 0,8% |
| Edmilson Costa (PCB) | 0,5% |
| Wilson Grassi (Democrata) | 0,4% |
| Rui Costa Pimenta (PCO) | 0,2% |
| Hertz Dias (PSTU) | 0,1% |
| Samara Martins (UP) | 0,1% |
Brancos, nulos ou entrevistados que afirmam não escolher nenhum dos candidatos somam 3,5%. Outros 6,8% não souberam ou preferiram não responder.
A soma de Lula e Flávio chega a 71,9%, mantendo a eleição fortemente concentrada nos dois nomes que lideram as pesquisas nacionais. O bloco formado pelos cinco candidatos imediatamente seguintes — Caiado, Renan, Zema, Cury e Marçal — soma 15,7%.
Flávio passa de 41,1% para 45,1% no segundo turno
A maior mudança da rodada aparece no confronto direto entre os dois primeiros colocados.
Em julho, Lula tinha 47,5% contra 41,1% de Flávio, resultado que colocava o presidente numericamente 6,4 pontos à frente. Na nova pesquisa, Lula recua três pontos, para 44,5%, enquanto Flávio avança quatro, chegando a 45,1%.
| Segundo turno | Julho | Agosto | Variação |
| Lula | 47,5% | 44,5% | -3,0 p.p. |
| Flávio Bolsonaro | 41,1% | 45,1% | +4,0 p.p. |
| Diferença | Lula +6,4 | Flávio +0,6 | 7,0 p.p. |
Brancos, nulos ou nenhum dos dois chegam a 7,9%, enquanto 2,5% não souberam ou não responderam.
A diferença de 0,6 ponto é insuficiente para afirmar que Flávio esteja estatisticamente à frente. O dado correto é que o candidato do PL aparece numericamente à frente, enquanto a pesquisa aponta empate técnico.
O resultado também se aproxima do cenário observado em outros levantamentos recentes. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 24 de agosto, por exemplo, Lula aparecia com 46% e Flávio com 45% em eventual segundo turno, também sem distância estatisticamente segura entre os dois.
Lula mantém vantagem contra Caiado e Zema
A Vox também simulou confrontos de Lula com outros dois candidatos. Diferentemente do cenário contra Flávio, o presidente permanece numericamente à frente nas disputas contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Contra Zema, Lula registra 45,5%, enquanto o candidato do Novo tem 39,3%. Brancos, nulos ou nenhum dos dois somam 8,1%, e 7,1% não souberam responder.
No confronto com Caiado, Lula também marca 45,5%, contra 41,1% do candidato do PSD. Nesse cenário, 5,3% optam por branco, nulo ou nenhum, e 8,1% não sabem ou não respondem.
A comparação com julho mostra redução da vantagem de Lula também diante de Caiado. Na pesquisa anterior, o placar era de 46,8% para o presidente e 42,5% para o então governador de Goiás.
Rejeição de Lula chega a 52,7%; Flávio tem 49,3%
A aproximação entre os dois principais candidatos ocorre em uma disputa na qual ambos enfrentam índices elevados de rejeição.
Segundo a Vox Brasil, 52,7% dos entrevistados dizem rejeitar Lula, enquanto 49,3% apontam Flávio Bolsonaro. Como a pergunta permitia que cada entrevistado mencionasse mais de um candidato, os percentuais não devem ser somados.
A diferença entre as rejeições também está dentro da margem de erro. Na prática, os dois ocupam o patamar mais elevado entre os nomes testados.
Romeu Zema aparece com 30,5% de rejeição, seguido por Ronaldo Caiado, com 28,7%, e Renan Santos, com 25,3%. Pablo Marçal registra 22,4% e Augusto Cury, 9%.
Na comparação com julho, a rejeição de Flávio caiu de 52,3% para 49,3%, enquanto a de Lula passou de 51,5% para 52,7%.
Disputa entra em nova fase com propaganda eleitoral
A nova pesquisa foi realizada entre terça-feira (25) e quinta-feira (27), portanto antes do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Esse detalhe é relevante para localizar os resultados no calendário da campanha.
As entrevistas também ocorreram depois do primeiro debate presidencial, realizado no domingo (23) pela Band. Lula e Flávio não participaram daquele encontro, enquanto Caiado, Renan Santos e Augusto Cury estiveram no palco.
A partir deste fim de semana, a campanha entra em uma fase de exposição mais intensa. Lula e Flávio concentram a maior parte do tempo reservado aos candidatos à Presidência no horário eleitoral, ao mesmo tempo em que os adversários abaixo dos 5% tentam ganhar reconhecimento e reduzir a concentração de votos nos dois líderes.
Uma das disputas dentro do campo oposicionista já ficou explícita antes do início da propaganda: Flávio passou a pedir diretamente o voto de eleitores que hoje preferem Caiado, Zema, Renan e Cury. Os próximos levantamentos poderão medir se a aproximação registrada pela Vox se mantém depois da entrada da campanha na televisão e no rádio.
Como foi feita a pesquisa Vox Brasil
A Vox Brasil entrevistou 2.100 eleitores presencialmente entre 25 e 27 de agosto de 2026. A margem de erro informada é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-05519/2026. Os registros das pesquisas eleitorais podem ser consultados no sistema disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
A votação do primeiro turno das Eleições 2026 está marcada para 4 de outubro. Se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
