Pesquisa mostra Caiado e Zema mais competitivos que Flávio contra Lula no 2º turno

Pesquisa Real Time Big Data mostra Caiado empatado com Lula e Zema competitivo no 2º turno, mas ambos ainda enfrentam desafios no primeiro turno e na consolidação nacional.
Caiado e Zema desafiam Lula, mas ainda precisam furar bloqueio do 1º turno
Créditos: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados e Marcelo Camargo/Agência Brasil

Resumo da Notícia

  • Pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre 29 e 30 de maio de 2026.
  • Lula lidera o primeiro turno com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro com 31%.
  • Ronaldo Caiado empata numericamente com Lula em um eventual segundo turno (43% a 43%).
  • Romeu Zema aparece com 40% contra 43% de Lula em simulação de segundo turno.
  • Flávio Bolsonaro possui a maior rejeição entre os candidatos, atingindo 48%.

A nova pesquisa nacional Real Time Big Data sobre a eleição presidencial de outubro mostra um cenário que vai além da disputa direta entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Embora Lula lidere o primeiro turno e Flávio apareça como principal adversário imediato, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) surgem como nomes mais competitivos contra o presidente em simulações de segundo turno.

O dado chama atenção porque revela uma diferença importante entre força inicial e potencial de confronto direto. Flávio Bolsonaro aparece com 31% no primeiro turno, muito à frente de Caiado e Zema. No entanto, quando a disputa é testada em segundo turno contra Lula, os governadores de Goiás e Minas Gerais reduzem a vantagem do presidente de forma mais expressiva.

No cenário contra Caiado, Lula e o governador goiano aparecem empatados numericamente, ambos com 43% das intenções de voto. Contra Zema, Lula registra 43%, enquanto o governador mineiro soma 40%. Pela margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o confronto entre Lula e Zema também fica em faixa competitiva.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 29 e 30 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-05864/2026.

Primeiro turno ainda tem Lula e Flávio como polos principais

No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro vem em seguida, com 31%. Abaixo dos dois, Ronaldo Caiado e Renan Santos (Missão) aparecem empatados com 6% cada. Romeu Zema registra 4%.

Também aparecem no cenário Aécio Neves (PSDB) e Joaquim Barbosa (DC), com 3% cada, além de Augusto Cury (Avante), com 1%. Brancos e nulos somam 3%, e 4% não souberam ou não responderam.

Em um segundo cenário estimulado, Lula mantém 38%, Flávio repete 31%, Renan e Caiado seguem com 6%, e Zema sobe para 5%. Aécio aparece com 3%, enquanto Aldo Rebelo (DC) e Augusto Cury registram 1% cada. Brancos e nulos somam 3%, e os indecisos chegam a 5%.

Esses números mostram que, na largada do primeiro turno, a eleição continua organizada em torno de Lula e Flávio. Caiado e Zema ainda aparecem distantes dos dois primeiros colocados. O ponto novo está no segundo turno: quando o confronto é direto, os governadores se tornam adversários mais difíceis para o presidente.

Caiado empata com Lula, mas precisa sair do segundo pelotão

Ronaldo Caiado é o nome que aparece em melhor posição contra Lula no segundo turno. A pesquisa mostra empate numérico de 43% a 43% entre os dois. Brancos e nulos somam 8%, e 6% não souberam ou não responderam.

Esse resultado coloca Caiado em um patamar competitivo contra o presidente. No entanto, o governador de Goiás enfrenta um obstáculo claro: no primeiro turno, ainda aparece com 6%, empatado com Renan Santos e bem distante de Flávio Bolsonaro.

A diferença entre o desempenho de Caiado no primeiro e no segundo turno sugere que ele pode ter potencial de crescimento em uma disputa direta, mas ainda precisa superar a etapa anterior: tornar-se conhecido, consolidar imagem nacional e convencer o eleitor oposicionista de que pode ser o nome mais viável contra Lula.

Outro dado relevante está na segunda opção de voto. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, Caiado aparece como a alternativa mais citada, com 23%. Isso indica que ele tem capacidade de dialogar com parte do eleitorado bolsonarista, ainda que não esteja hoje no centro desse campo.

Ao mesmo tempo, a rejeição de Caiado é de 39%. O índice é menor que o de Lula e Flávio Bolsonaro, ambos com 48%, mas ainda é significativo. Em uma campanha nacional, esse número pode crescer ou diminuir conforme o grau de exposição do candidato, os ataques sofridos, as alianças construídas e a forma como seu perfil passa a ser percebido fora de Goiás.

Em resumo, Caiado tem um ponto forte evidente: é o adversário que mais aperta Lula no segundo turno. Seu desafio é transformar competitividade potencial em força real de primeiro turno.

Zema tem rejeição menor, mas desempenho inicial ainda limitado

Romeu Zema enfrenta um obstáculo diferente. O governador de Minas Gerais aparece com 40% contra 43% de Lula no segundo turno. A diferença de três pontos coloca o confronto em cenário apertado, especialmente considerando a margem de erro.

Zema também apresenta uma rejeição menor que a de Caiado. Enquanto o governador de Goiás tem 39%, Zema registra 35%. Esse dado pode ser lido como uma vantagem relativa: ele encontra menos resistência declarada entre os eleitores do que Lula, Flávio e Caiado.

O problema está no primeiro turno. Zema aparece com 4% no principal cenário estimulado e chega a 5% no segundo. Ou seja, mesmo tendo rejeição menor e desempenho competitivo contra Lula no confronto direto, ainda não conseguiu converter essa posição em intenção de voto expressiva na largada da disputa.

Esse contraste é importante. Zema pode ser menos rejeitado, mas também é menos escolhido. Em uma eleição nacional, baixa rejeição só se torna ativo eleitoral se vier acompanhada de crescimento, reconhecimento e capacidade de ocupar espaço político.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, Zema aparece como segunda opção de 20%. Entre os eleitores de Caiado, é citado por 17%. Isso mostra que o governador mineiro também circula dentro do eleitorado de direita e centro-direita, mas ainda disputa espaço com Caiado e Renan Santos nesse mesmo ambiente.

A força de Zema está na possibilidade de se apresentar como alternativa menos polarizada e com menor rejeição. Seu desafio é maior na construção de presença nacional: ele precisa deixar de ser uma candidatura competitiva no papel para se tornar escolha efetiva no primeiro turno.

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Flávio lidera a oposição no primeiro turno, mas não é o único caminho no segundo

A pesquisa mostra uma situação incômoda para a oposição. Flávio Bolsonaro é, hoje, o nome mais forte contra Lula no primeiro turno. Com 31%, está muito acima de Caiado, Zema e Renan. No entanto, no segundo turno, aparece atrás do presidente por 45% a 40%.

Esse dado muda a leitura sobre viabilidade eleitoral. Flávio tem base consolidada e largada mais forte, mas também enfrenta rejeição elevada, de 48%, o mesmo percentual atribuído a Lula. Caiado e Zema, por outro lado, têm desempenho inicial menor, mas rejeição mais baixa e cenários mais apertados contra o presidente.

A disputa dentro da oposição, portanto, não é apenas sobre quem tem mais intenção de voto agora. Também envolve outra pergunta: quem teria mais capacidade de ampliar o eleitorado em um segundo turno contra Lula?

Caiado responde melhor a essa pergunta pelo placar direto: empata em 43% a 43%. Zema responde pela combinação entre competitividade e menor rejeição. Flávio responde pela força inicial e pela identificação com o eleitorado bolsonarista.

Nenhum desses caminhos está resolvido. A pesquisa mostra vantagens e limites em cada um.

Segunda opção revela corredor dentro da centro-direita

O levantamento também ajuda a entender por que Caiado e Zema aparecem competitivos no segundo turno. A segunda opção de voto mostra que há circulação entre os nomes da direita e da centro-direita.

Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, Caiado aparece com 23% como segunda opção, Zema com 20% e Renan Santos com 17%. Juntos, os três concentram 60% das alternativas citadas por quem vota em Flávio.

Entre eleitores de Caiado, Flávio aparece como segunda opção de 31%, Zema de 17% e Renan de 10%. Entre eleitores de Zema, Flávio registra 28%, Caiado 22% e Renan 21%.

Esses números não autorizam dizer que votos seriam automaticamente transferidos de um candidato para outro. Mas mostram que existe um corredor de circulação entre esses nomes. O eleitor que hoje escolhe Flávio tende a olhar para Caiado, Zema ou Renan como alternativa. O eleitor que escolhe Caiado ou Zema também mantém Flávio no radar.

Esse comportamento é diferente do observado entre eleitores de Lula, grupo em que nulo/branco e indecisão aparecem com peso maior quando o entrevistado é questionado sobre segunda opção.

Terceira via ajuda a explicar o espaço de Caiado e Zema

A pesquisa também identificou um sentimento relevante de cansaço com a polarização. Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros afirmam estar cansados da divisão entre os dois principais campos políticos e gostariam de ver uma terceira via.

Esse dado favorece a existência de espaço político para nomes como Caiado e Zema. Ambos podem tentar se apresentar como alternativas ao confronto direto entre lulismo e bolsonarismo, ainda que tenham trajetórias, partidos e estilos diferentes.

O problema é que desejo por terceira via não significa voto consolidado em terceira via. O primeiro turno ainda mostra Lula e Flávio muito à frente dos demais. Caiado e Zema são competitivos no segundo turno, mas ainda precisam atravessar a barreira do primeiro.

Essa é a principal contradição do levantamento: há espaço para alternativas, mas a eleição continua concentrada nos polos principais.

O que diferencia Caiado de Zema

Embora apareçam frequentemente lado a lado na análise da pesquisa, Caiado e Zema não enfrentam exatamente o mesmo desafio.

Caiado tem o melhor desempenho contra Lula no segundo turno. Empata numericamente com o presidente e aparece como principal segunda opção entre eleitores de Flávio. Isso pode indicar maior capacidade de herdar parte do voto bolsonarista em um eventual rearranjo da direita.

Zema, por sua vez, tem rejeição menor e também aparece competitivo contra Lula. Seu desafio é transformar menor resistência em intenção de voto. Até aqui, aparece mais baixo que Caiado no primeiro turno e ainda distante do bloco principal da disputa.

A diferença pode ser resumida assim: Caiado precisa ampliar presença sem aumentar rejeição; Zema precisa transformar baixa rejeição em voto real.

Ambos têm espaço, mas por caminhos diferentes.

Pesquisa mostra oposição com várias portas, mas sem definição

O levantamento Real Time Big Data mostra que a oposição chega à corrida presidencial com mais de uma possibilidade. Flávio Bolsonaro lidera o campo no primeiro turno, mas Caiado e Zema aparecem como alternativas capazes de disputar melhor o segundo turno contra Lula.

Essa multiplicidade pode ser vantagem ou problema. É vantagem porque mostra que o campo oposicionista não depende de um único nome. Mas é problema porque a fragmentação pode dificultar a consolidação de uma candidatura antes de outubro.

Para Lula, o cenário também exige atenção. O presidente lidera o primeiro turno, vence Flávio no segundo e mantém vantagem sobre Renan e Aécio. Ainda assim, perde margem quando enfrenta Caiado e Zema. Contra Caiado, empata numericamente. Contra Zema, fica apenas três pontos à frente.

A pesquisa, portanto, não mostra uma eleição definida. Mostra um quadro em movimento, com Lula ainda no centro da disputa, Flávio como adversário mais forte na largada, Caiado como rival mais competitivo no confronto direto e Zema como nome de menor rejeição entre os principais concorrentes da centro-direita.

Como toda pesquisa eleitoral, o levantamento representa uma fotografia do momento. Os números não antecipam o resultado da eleição, mas ajudam a entender onde estão as forças e fragilidades de cada candidatura.

No caso de Caiado e Zema, a mensagem é clara: os dois têm potencial para desafiar Lula em um segundo turno, mas ainda precisam provar que conseguem chegar lá.

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