Resumo da Notícia
A oitava rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 3 de agosto, mostra uma redução expressiva da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 37%. A diferença de quatro pontos está no limite da margem de erro de dois pontos percentuais para cada resultado.
Na rodada anterior, divulgada em 27 de julho, Lula tinha 42% e Flávio, 33%. Em uma semana, o presidente oscilou um ponto para baixo, enquanto o senador avançou quatro pontos. A distância entre os dois caiu de nove para quatro pontos percentuais.
No segundo turno, o quadro é ainda mais apertado: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 45%. Como os intervalos possíveis dos dois candidatos se sobrepõem, o resultado representa empate técnico.
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Os dados constam no relatório completo da oitava rodada da pesquisa BTG/Nexus, documento de 116 páginas analisado pelo Portal N10.
Pesquisa BTG/Nexus no primeiro turno
O levantamento apresentou aos entrevistados uma lista com 12 possíveis candidatos. Lula e Flávio concentram juntos 78% das intenções de voto, deixando os demais nomes em patamares de até 5%.
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Lula | 41% |
| Flávio Bolsonaro | 37% |
| Ronaldo Caiado | 5% |
| Renan Santos | 4% |
| Romeu Zema | 3% |
| Augusto Cury | 1% |
| Cabo Daciolo | 1% |
| Samara Martins | 1% |
| Rui Costa Pimenta | 0% |
| Hertz Dias | 0% |
| Heró Bezerra | 0% |
| Edmilson Costa | 0% |
| Nenhum, branco ou nulo | 4% |
| Não sabe ou não respondeu | 3% |
Os percentuais de 0% significam que os resultados ficaram abaixo de 1% após o arredondamento usado no relatório, não necessariamente que nenhum entrevistado tenha citado esses nomes.
A comparação com a rodada anterior exige uma ressalva: Samara Martins, Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Heró Bezerra e Edmilson Costa foram incluídos na lista somente agora. Essa mudança recomenda cautela principalmente ao comparar o desempenho dos candidatos com percentuais menores.
Intervalos de Lula e Flávio se encontram no limite
Com margem de erro de dois pontos percentuais, Lula pode estar entre 39% e 43%, enquanto Flávio Bolsonaro varia estatisticamente entre 35% e 39%. Os intervalos encontram-se justamente nos 39%.
A pesquisa mostra, portanto, Lula numericamente à frente, mas sem distância estatisticamente segura sobre Flávio no principal cenário de primeiro turno.
A série histórica evidencia a aproximação:
| Rodada | Lula | Flávio Bolsonaro | Diferença |
|---|---|---|---|
| 27 de julho | 42% | 33% | 9 pontos |
| 3 de agosto | 41% | 37% | 4 pontos |
A oscilação de Lula está dentro da margem de erro. O avanço de quatro pontos de Flávio entre as duas rodadas, por sua vez, corresponde ao dobro da margem geral declarada para cada levantamento.
Voto espontâneo ainda apresenta 21% de indecisos
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados pelo entrevistador, Lula aparece com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 28%.
Renan Santos é citado espontaneamente por 3%, Ronaldo Caiado por 2% e Romeu Zema por 1%. Outros nomes somam 2%.
Nesse tipo de pergunta, 6% dizem que votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum candidato. Outros 21% não sabem ou não respondem. O percentual elevado mostra que parte do eleitorado ainda não consegue indicar espontaneamente um nome, mesmo que escolha uma opção quando recebe a lista de candidatos.
Lula e Flávio estão empatados no segundo turno
A simulação mais apertada é justamente o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente registra 46%, diante de 45% do senador. Brancos, nulos ou nenhum dos dois somam 8%, e 2% não sabem ou não respondem.
Na rodada anterior, Lula tinha 47% e Flávio, 43%. A diferença caiu de quatro para somente um ponto.
O PDF também apresenta outros três cenários:
| Possível segundo turno | Lula | Adversário | Branco, nulo ou nenhum | NS/NR |
|---|---|---|---|---|
| Lula x Flávio Bolsonaro | 46% | 45% | 8% | 2% |
| Lula x Ronaldo Caiado | 46% | 42% | 10% | 3% |
| Lula x Romeu Zema | 46% | 40% | 10% | 3% |
| Lula x Renan Santos | 47% | 37% | 13% | 3% |
Contra Ronaldo Caiado, a diferença é de quatro pontos, equivalente ao dobro da margem geral do levantamento. Os intervalos possíveis dos dois resultados também se encontram no limite. Lula abre seis pontos sobre Romeu Zema e dez sobre Renan Santos.
Mulheres e jovens dão vantagem a Lula; homens preferem Flávio
Os recortes por perfil revelam diferenças acentuadas entre os dois principais candidatos.
Entre as mulheres, Lula lidera por 48% a 29%. No eleitorado masculino, Flávio Bolsonaro aparece à frente por 45% a 34%.
A divisão também aparece por idade. Lula alcança 50% entre eleitores de 16 a 24 anos, diante de 21% de Flávio. Nesse grupo, Renan Santos chega a 15%, seu melhor resultado entre os segmentos apresentados.
Flávio lidera entre pessoas de 25 a 40 anos, com 43%, contra 33% de Lula. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula volta a abrir vantagem: 50% a 31%.
| Segmento | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Mulheres | 48% | 29% |
| Homens | 34% | 45% |
| De 16 a 24 anos | 50% | 21% |
| De 25 a 40 anos | 33% | 43% |
| De 41 a 59 anos | 40% | 41% |
| Com 60 anos ou mais | 50% | 31% |
| Renda familiar de até um salário mínimo | 54% | 26% |
| Evangélicos | 28% | 50% |
| Católicos | 46% | 34% |
| Sem religião | 52% | 23% |
| Nordeste | 48% | 34% |
| Sul | 27% | 51% |
| Capitais | 44% | 29% |
| Interior | 40% | 41% |
Os recortes não devem ser lidos com a mesma margem de erro da amostra nacional. O próprio estudo informa margens específicas que variam conforme o tamanho de cada segmento: são três pontos entre homens e mulheres, quatro no Nordeste, seis entre pessoas de 16 a 24 anos e dez entre desocupados, por exemplo.
Lula e Flávio têm a mesma rejeição
Lula e Flávio Bolsonaro registram 49% de rejeição na amostra total. Esse é o percentual dos entrevistados que afirmam não votar no candidato “de jeito nenhum”.
O potencial eleitoral de Lula chega a 50%: 36% dizem que ele é o único candidato em quem votariam e outros 14% afirmam que poderiam escolhê-lo, mas também consideram outro nome.
Flávio possui potencial de 47%, formado por 28% que votariam somente nele e 19% que também poderiam escolher outro candidato.
| Candidato | Único em quem votaria | Poderia votar | Não votaria de jeito nenhum | Não conhece |
|---|---|---|---|---|
| Lula | 36% | 14% | 49% | 0%* |
| Flávio Bolsonaro | 28% | 19% | 49% | 3% |
| Ronaldo Caiado | 5% | 31% | 29% | 33% |
| Romeu Zema | 4% | 28% | 31% | 35% |
| Renan Santos | 4% | 20% | 28% | 47% |
*O quadro não apresenta percentual de desconhecimento para Lula; 1% não soube ou não respondeu.
Quando a Nexus calcula a rejeição apenas entre as pessoas que conhecem cada candidato, Flávio aparece com 51% e Lula, com 50%. Renan Santos tem 55%, Romeu Zema, 49%, e Ronaldo Caiado, 45%.
Três em cada quatro eleitores dizem que o voto não mudará
Entre os entrevistados que escolheram algum candidato no primeiro turno, 75% afirmam que a decisão já está tomada, maior percentual da série histórica da pesquisa. Outros 23% admitem que ainda podem mudar de candidato, e 2% não souberam responder.
No detalhamento por candidatura, o PDF registra:
- Lula: 81% dizem que o voto não mudará;
- Flávio Bolsonaro: 80%;
- Romeu Zema: 57%;
- Renan Santos: 55%;
- Augusto Cury: 52%;
- Ronaldo Caiado: 49%;
- Cabo Daciolo: 17%.
Entre os grupos classificados pela Nexus como lulistas convictos, 86% dizem que manterão a escolha. Entre os bolsonaristas convictos, o percentual é de 85%.
Os números mostram que a aproximação entre Lula e Flávio ocorre em uma disputa já bastante consolidada nos dois principais campos, reduzindo o espaço disponível para transferência de votos entre eles.
Aprovação e avaliação do governo também estão divididas
A avaliação da administração federal acompanha o equilíbrio eleitoral. O governo Lula é aprovado por 47% e desaprovado por 48%. Outros 5% não sabem ou não respondem.
Quando a pergunta oferece cinco opções de avaliação, o resultado fica assim:
- Ótimo: 16%;
- Bom: 21%;
- Regular: 18%;
- Ruim: 8%;
- Péssimo: 35%;
- Não sabe ou não respondeu: 2%.
Somadas, as avaliações ótimo e bom chegam a 37%, enquanto ruim e péssimo totalizam 43%.
A divisão do eleitorado está diretamente associada à opinião sobre o governo. Entre quem aprova a administração, 83% votariam em Lula no primeiro turno. Entre os que desaprovam, 69% escolheriam Flávio Bolsonaro.
Economia e segurança aparecem no pano de fundo da disputa
A percepção econômica permanece mais negativa do que positiva. Para 47%, a situação atual da economia brasileira é ruim ou péssima, enquanto 21% a consideram ótima ou boa. Outros 31% respondem que está regular.
Sobre a própria situação financeira, 45% fazem uma avaliação ruim ou péssima, 18% respondem ótima ou boa e 37% consideram regular.
Na comparação com o governo anterior, 45% avaliam que a economia do país está pior, 39% dizem que está melhor e 13% não percebem mudança. Em relação às próprias finanças, 47% apontam piora e 31%, melhora.
Entre os problemas mais citados pelos entrevistados estão:
- Segurança pública, violência e criminalidade: 30%;
- Saúde pública: 23%;
- Corrupção: 19%;
- Classe política: 17%;
- Educação: 15%.
Como a pergunta permitia apontar o primeiro e o segundo principais problemas, os percentuais não devem ser somados como se fossem respostas únicas.
Como foi feita a pesquisa BTG/Nexus
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais entre 31 de julho e 2 de agosto de 2026. As entrevistas foram realizadas por telefone, pelo sistema CATI, com cobertura nas 27 unidades da Federação.
A margem de erro da amostra nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A Nexus controlou cotas de sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD. A construção da amostra considerou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2024 e informações do Tribunal Superior Eleitoral de junho de 2026.
O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está identificado pelo registro BR-02874/2026. O cidadão pode consultar pesquisas eleitorais registradas no sistema PesqEle, do Tribunal Superior Eleitoral.
A Nexus ressalta que os resultados podem totalizar entre 99% e 101% em alguns quadros devido ao arredondamento.
