Resumo da Notícia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (25 de julho) que o Brasil não aceitará interferência estrangeira nas eleições de 2026. Em resposta à suspeita de que funcionários do governo dos Estados Unidos pretendiam viajar ao país para questionar o sistema eleitoral, Lula disse que quem tentar “se meter” no processo “vai apanhar muito” nas urnas.
A declaração foi feita durante a convenção estadual do PT, em Campinas, que oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo. O discurso ocorreu um dia depois de o Ministério das Relações Exteriores negar os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado norte-americano.
“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”, declarou Lula. Em seguida, afirmou que o destino do país será decidido pelos eleitores brasileiros.
Lula não citou nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas direcionou a fala a governos e grupos estrangeiros que pretendam influenciar a disputa brasileira.
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O presidente disse que o Brasil deseja manter relações diplomáticas e comerciais com todos os países, desde que a soberania nacional seja respeitada.
“O aviso está dado. O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz”, afirmou.
Segundo a publicação oficial do PT sobre a convenção, Lula também alertou para o uso de inteligência artificial e de informações falsas durante a campanha eleitoral.
No discurso, o presidente citou 157 milhões de eleitores. O número oficial mais recente divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral é superior: o país tem mais de 158 milhões de pessoas aptas a votar em 2026.
Além de Haddad, a convenção confirmou Márcio França como candidato a vice-governador. Marina Silva e Simone Tebet foram escolhidas para disputar as duas vagas de São Paulo no Senado.
Declaração ocorre após Brasil negar vistos a funcionários dos EUA
Na sexta-feira (24), o Itamaraty rejeitou os pedidos de visto de Riley M. Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Barnes ocupa o cargo de secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Sua nomeação para a função foi formalizada pelo governo Trump e consta em publicação oficial da Casa Branca. Samson foi identificado nos relatos sobre a missão como secretário-assistente adjunto do mesmo escritório.
Os dois pretendiam viajar ao Brasil nas semanas anteriores à eleição presidencial, marcada para 4 de outubro. Nos pedidos de visto, a agenda foi descrita como uma série de reuniões com autoridades envolvidas no processo eleitoral.
O Departamento de Estado confirmou à imprensa que os funcionários planejavam viajar a Brasília, mas não apresentou publicamente a finalidade detalhada da missão.
Segundo reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, a viagem estaria relacionada a uma iniciativa para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eletrônico de votação. O Itamaraty avaliou que a presença dos funcionários poderia ser explorada politicamente para lançar dúvidas sobre as urnas durante a campanha.
A negativa dos vistos ocorreu antes da publicação da reportagem. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores não divulgou uma nota pública detalhando os fundamentos da decisão.
Missão dos EUA não foi apresentada como observação eleitoral
O Brasil recebe missões internacionais para acompanhar suas eleições. Esse trabalho, porém, segue regras de credenciamento e é coordenado pela Justiça Eleitoral.
O TSE explica que as Missões de Observação Eleitoral têm a finalidade de acompanhar o cumprimento das normas, avaliar a organização do pleito e contribuir para a transparência do processo.
Barnes e Samson não foram apresentados pelo governo norte-americano como integrantes de uma missão credenciada pelo TSE. A agenda informada previa encontros com autoridades brasileiras, mas não houve divulgação da lista de participantes nem dos órgãos que seriam procurados.
A ausência de uma identificação formal como observadores eleitorais aumentou a desconfiança do governo brasileiro sobre o objetivo da viagem.
Flávio Bolsonaro voltou a questionar as urnas
A discussão ganhou força depois que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, participou de um encontro privado com representantes de dezenas de países em Brasília.
Durante a reunião, realizada na terça-feira (21 de julho), Flávio relacionou as urnas eletrônicas brasileiras à Smartmatic e afirmou que a empresa teria ligação com equipamentos suspeitos de fraude na Venezuela.
A informação sobre as urnas utilizadas no Brasil é falsa. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, a Smartmatic nunca forneceu os equipamentos nem participou da programação dos sistemas eleitorais brasileiros.
A empresa prestou serviços de treinamento e conexão de dados em contratos anteriores, sem atuar no desenvolvimento ou na operação das urnas. Em 2020, participou de uma licitação para fabricação dos equipamentos, mas perdeu a disputa para a Positivo.
Flávio nega que esteja tentando desacreditar o sistema eleitoral. O senador afirma defender mais transparência e sugeriu que os países presentes no encontro enviassem observadores para acompanhar o pleito.
Como as urnas brasileiras são fiscalizadas
O sistema eleitoral brasileiro passa por diferentes etapas de auditoria antes, durante e depois da votação. Partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, universidades e entidades técnicas podem inspecionar os códigos-fonte e acompanhar os testes.
Em apresentação feita a embaixadores em junho, o TSE detalhou os mecanismos de segurança das eleições de 2026. Entre os procedimentos estão:
- abertura dos códigos-fonte para fiscalização;
- Teste Público de Segurança;
- cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas;
- testes de integridade realizados no dia da eleição;
- emissão dos boletins de urna em cada seção eleitoral;
- auditorias de funcionamento e totalização.
As urnas não são conectadas à internet. Cada equipamento gera um boletim com o resultado da respectiva seção, permitindo a comparação com os números posteriormente divulgados pelo TSE.
No Teste Público de Segurança realizado para as eleições de 2026, foram executados 29 planos de ataque. De acordo com o relatório oficial do TSE, os achados identificados não comprometeram o sigilo do voto, a integridade dos sistemas nem o resultado da eleição.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato à Presidência receba mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Além de presidente e vice-presidente, os eleitores escolherão governadores, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
As datas constam no calendário oficial das eleições de 2026.
