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Eleições

Lula promete centros de tratamento do câncer em cidades com mais de 150 mil habitantes

Proposta de campanha prevê uma rede nacional de atendimento oncológico e ampliações no Farmácia Popular, Agora Tem Especialistas, hospitais inteligentes e Meu SUS Digital.

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Resumo da Notícia

  • Lula propõe criar um Centro de Tratamento do Câncer em cada cidade brasileira com mais de 150 mil habitantes, dentro de uma nova Rede Brasil contra o Câncer.
  • Pelas estimativas populacionais de 2026, o critério alcançaria Natal, Mossoró e Parnamirim no Rio Grande do Norte.
  • O plano também prevê exames e teleconsultas pelo Farmácia Popular, mais unidades móveis do Agora Tem Especialistas e ampliação de hospitais com inteligência artificial e medicina de precisão.
  • A proposta estabelece o critério populacional para a rede oncológica, mas ainda não detalha quantidade total de unidades, custo, cronograma nem se cada centro funcionará como CACON, UNACON ou em outro modelo assistencial.

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou como uma das principais propostas de saúde de sua campanha a criação da Rede Brasil contra o Câncer, com a instalação de um Centro de Tratamento do Câncer em todos os municípios brasileiros com mais de 150 mil habitantes.

A medida busca ampliar a distribuição geográfica da assistência oncológica pelo Sistema Único de Saúde. Atualmente, o tratamento de alta complexidade do câncer no SUS é realizado em estabelecimentos habilitados como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) e Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON).

Segundo a página oficial do Ministério da Saúde sobre tratamento do câncer, existem atualmente 288 unidades e centros habilitados para atendimento oncológico no país. Esses serviços estão distribuídos entre os estados e são responsáveis por etapas que podem incluir diagnóstico, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, reabilitação e cuidados paliativos, de acordo com a habilitação de cada estabelecimento.

Na apresentação da proposta, Lula afirmou que pretende transformar essa estrutura na maior rede pública e gratuita de tratamento oncológico do mundo e levar centros especializados a todas as cidades que ultrapassem o patamar populacional estabelecido pela campanha.

Natal, Mossoró e Parnamirim entram no critério no RN

O corte de 150 mil habitantes permite identificar três municípios potiguares diretamente abrangidos pela promessa.

As estimativas populacionais de 2026 divulgadas pelo IBGE apontam 783.196 habitantes em Natal, 279.100 em Mossoró e 273.952 em Parnamirim. São as únicas três cidades do Rio Grande do Norte acima da faixa anunciada por Lula.

São Gonçalo do Amarante aparece em seguida, com 125.691 habitantes, abaixo do limite definido na proposta.

A distribuição atual dos serviços oncológicos de maior complexidade no estado já inclui unidades habilitadas pelo SUS em Natal e Mossoró. Entre elas estão estruturas como a Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, hospitais de Natal e serviços no Oeste potiguar.

Parnamirim, apesar de ser o terceiro município mais populoso do RN e superar com folga a marca de 150 mil habitantes, passaria a estar nominalmente dentro do critério anunciado para a nova rede nacional.

Rede atual do SUS funciona por meio de CACON e UNACON

O modelo hoje adotado pelo SUS estabelece diferentes níveis de habilitação para os hospitais que tratam pacientes com câncer.

Uma UNACON deve oferecer assistência especializada no diagnóstico e tratamento oncológico dentro das modalidades para as quais foi habilitada. Já um CACON possui estrutura mais abrangente de atendimento, reunindo diferentes modalidades de tratamento e especialidades oncológicas.

A regulamentação federal prevê assistência integrada que pode envolver diagnóstico, cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia, hematologia, oncologia pediátrica, medidas de suporte, reabilitação e cuidados paliativos.

A proposta eleitoral divulgada por Lula usa a denominação Centro de Tratamento do Câncer. O material de campanha apresentado até agora estabelece o critério populacional de 150 mil habitantes, mas não define uma nova classificação administrativa diferente das habilitações já utilizadas pelo SUS.

Agora Tem Especialistas seria ampliado

Outro eixo do programa de saúde apresentado por Lula é a expansão do Agora Tem Especialistas, criado em 2025 para aumentar a oferta de consultas, exames e cirurgias especializadas.

O programa já utiliza hospitais públicos, filantrópicos e privados, unidades móveis e mecanismos de financiamento federal para aumentar a capacidade de atendimento. No Rio Grande do Norte, o Hospital do Coração passou a atender pacientes do SUS dentro dessa estratégia.

Dados atualizados do Ministério da Saúde mostram que o SUS realizou 14,9 milhões de cirurgias eletivas em 2025, recorde nacional. Entre janeiro e junho de 2026, foram 7,55 milhões, aumento de 8% sobre o mesmo período do ano anterior.

As unidades móveis do Agora Tem Especialistas também ultrapassaram 1 milhão de procedimentos realizados em setembro de 2026. Segundo o Ministério da Saúde, os serviços móveis já alcançam áreas correspondentes a 77% dos municípios brasileiros.

Lula propõe ampliar essa estrutura com mais Carretas da Saúde e aumento da oferta de exames, consultas e cirurgias especializadas.

Farmácia Popular teria exames de sangue, urina e teleconsultas

O plano também prevê ampliar as funções das farmácias participantes do Farmácia Popular.

A proposta apresentada pela campanha é oferecer gratuitamente exames de sangue, exames de urina e teleconsultas, inicialmente com atenção a pessoas com diabetes e hipertensão.

A expansão desses serviços já vinha sendo preparada pelo Ministério da Saúde. Em agosto de 2026, a pasta criou um grupo de trabalho para avaliar a inclusão de exames de sangue e urina, testes rápidos, teleatendimento e monitoramento terapêutico nas unidades credenciadas.

A oferta dependerá de regras sanitárias, assistenciais e tecnológicas específicas para os novos serviços.

Atualmente, o Farmácia Popular distribui gratuitamente 41 medicamentos e insumos. Segundo o Ministério da Saúde, 27,3 milhões de pessoas foram atendidas pelo programa em 2025, que está presente em mais de 4,9 mil municípios e alcança cerca de 97% da população brasileira.

No Rio Grande do Norte, a expansão da presença do programa já vinha alcançando novos municípios, com credenciamento de farmácias para ampliar o acesso gratuito a medicamentos.

Rede de hospitais inteligentes também faz parte do programa

Lula propõe ainda ampliar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, estrutura que já está em implantação no SUS.

A rede reúne projetos de transformação digital, telessaúde, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e à triagem, integração de dados clínicos e monitoramento de pacientes.

Em 2026, o Ministério da Saúde abriu processo para a gestão de componentes da rede, incluindo UTIs inteligentes e o Instituto Tecnológico de Emergência. O programa dispõe de financiamento de R$ 1,7 bilhão do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do BRICS.

Entre os projetos anunciados está o primeiro hospital inteligente do SUS, em parceria com a Faculdade de Medicina da USP e a Secretaria de Saúde de São Paulo. A unidade foi planejada com 800 leitos, 25 salas cirúrgicas e capacidade estimada para atender 20 mil pacientes por ano, com operação prevista para 2029.

Também foram selecionados 14 hospitais das cinco regiões brasileiras para integrar a rede de UTIs inteligentes.

Meu SUS Digital passaria a mostrar posição nas filas

Outra proposta apresentada pela campanha envolve o Meu SUS Digital.

Hoje, a plataforma já permite consultar informações como histórico clínico disponível na Rede Nacional de Dados em Saúde, vacinas, resultados de exames, medicamentos dispensados pelo Farmácia Popular e posição na fila do Sistema Nacional de Transplantes.

Lula propõe ampliar essa ferramenta para que o paciente possa acompanhar pelo aplicativo sua posição nas filas de consultas, exames e outros procedimentos do SUS.

A proposta amplia o uso da plataforma como instrumento de acompanhamento do atendimento e de acesso ao histórico de saúde do próprio paciente.

Formação profissional e piso da enfermagem completam pacote

O programa de saúde apresentado por Lula inclui ainda a manutenção do piso nacional da enfermagem e a ampliação da formação de médicos, enfermeiros e técnicos.

A formação de profissionais está ligada aos demais projetos apresentados pela campanha. A expansão da oncologia, dos hospitais inteligentes, da atenção especializada e dos serviços digitais exige aumento da disponibilidade de equipes especializadas e profissionais capacitados para trabalhar com novas tecnologias.

Na oncologia, a própria estrutura definida pelo Ministério da Saúde para CACONs e UNACONs exige equipes multiprofissionais e diferentes especialidades para diagnóstico, tratamento, acompanhamento e cuidados paliativos.

A Rede Brasil contra o Câncer passa, assim, a integrar um conjunto de propostas que combina expansão física da assistência especializada, unidades móveis, uso das farmácias como pontos adicionais de cuidado e digitalização do acompanhamento dos pacientes no SUS.

No Rio Grande do Norte, a regra de população anunciada pela campanha coloca Natal, Mossoró e Parnamirim diretamente no alcance da proposta de criação dos novos centros.

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Hiago Luis
Sobre o autor

Hiago Luis

Redator

Com mais de dez anos de experiência na comunicação, reúne atuação em assessoria, jornalismo impresso, radiojornalismo, produção e reportagem em televisão. Foi assessor de comunicação do Sinmed-RN, além de ter estagiado nas assessorias do…

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