Resumo da Notícia
A crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro saiu do bastidor familiar e entrou de vez no centro da articulação política do PL. Nesta quinta-feira (25), o senador pelo Rio de Janeiro publicou um vídeo em que pediu desculpas à ex-primeira-dama caso ela tenha se sentido ofendida por falas dele, mas negou ter humilhado ou desrespeitado a esposa de Jair Bolsonaro.
A manifestação ocorreu um dia depois de Michelle divulgar uma gravação de cerca de 27 minutos relatando desentendimentos com o enteado. No vídeo, ela afirmou ter sido humilhada e desrespeitada durante um telefonema sobre a condução das articulações eleitorais do partido no Ceará.
Flávio, que é senador e pré-candidato ao Planalto, tentou enquadrar o episódio como uma divergência de estratégia, não como ruptura política ou pessoal.
“Eu sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas, nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Eu jamais faria isso com a esposa do meu próprio pai”, afirmou.
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No vídeo, Flávio elogiou a atuação política e social de Michelle à frente do PL Mulher. Ele citou o crescimento da filiação feminina no partido, o trabalho da ex-primeira-dama com a população surda e os cuidados dela com Jair Bolsonaro.
A fala teve tom de contenção de danos. Depois da exposição pública feita por Michelle, o senador buscou preservar a imagem da ex-primeira-dama dentro do grupo e, ao mesmo tempo, defender sua própria conduta.
Segundo Flávio, as diferenças entre os dois estão concentradas na estratégia eleitoral.
“É natural que, de vez em quando, a gente enxergue caminhos diferentes para chegar no mesmo lugar. Isso acontece nas famílias, nas empresas e também na vida pública. Divergência de estratégia não significa divergência de princípios”, declarou.
O senador também afirmou que suas decisões têm o respaldo do pai e que o foco do partido deve permanecer na disputa contra o PT.
Convite para reunião do PL Mulher segue de pé
Ao final da gravação, Flávio confirmou presença em uma reunião com lideranças do PL Mulher marcada para a próxima semana. Ele também manteve o convite para que Michelle participe do encontro.
“O convite segue de pé e o coração segue aberto, Michelle, porque a gente tem que focar no nosso Brasil, a gente tem que resgatar o nosso país”, disse. Veja vídeo:
A reunião passou a ter peso político maior depois da troca pública de acusações. Michelle tem influência entre mulheres e evangélicos, dois segmentos importantes para o bolsonarismo e nos quais Flávio ainda enfrenta dificuldade para ampliar sua presença.
O atrito entre os dois tem como pano de fundo a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Michelle defende que o partido apoie o senador Eduardo Girão, do Novo, ao governo estadual no primeiro turno e mantenha a candidatura da vereadora Priscila Costa, do PL, ao Senado.
Na avaliação da ex-primeira-dama, aliados da legenda tentam retirar Priscila da disputa para viabilizar uma aliança com Ciro Gomes, do PSDB. Michelle afirma que esse movimento contrariaria uma decisão atribuída a Jair Bolsonaro.
Ela também relembrou que, em diferentes momentos dos últimos anos, Ciro imputou crimes e dirigiu ofensas à família Bolsonaro. Por isso, rejeita uma aproximação no primeiro turno. Para Michelle, uma eventual composição com o ex-governador só deveria ser discutida em um segundo turno contra o PT.
Michelle nega disputa por espaço próprio
No vídeo divulgado na quarta-feira (24), Michelle afirmou que decidiu tornar o episódio público por entender que vinha sendo alvo de ataques e de tentativas de enfraquecer sua atuação dentro do próprio partido.
Ela relatou ter recebido um telefonema ríspido de Flávio sobre o tema e disse que irmãos do senador atuaram de forma coordenada ao criticá-la publicamente.
A ex-primeira-dama também negou que esteja reivindicando espaço eleitoral para si ou exigindo desculpas públicas. Segundo ela, sua prioridade é apoiar Jair Bolsonaro e defender o cumprimento das decisões políticas que atribui ao ex-presidente.
Crise amplia desgaste na pré-campanha
O novo episódio atinge a pré-campanha de Flávio em um momento já sensível. O senador vinha sofrendo desgaste desde o vazamento de conversas com o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Agora, a crise envolve uma figura com peso próprio no campo bolsonarista. Michelle não ocupa mandato, mas tem capilaridade eleitoral entre públicos estratégicos para a direita, especialmente mulheres e evangélicos.
Por isso, a tentativa de Flávio de baixar o tom não resolve automaticamente a disputa. O vídeo funciona como um gesto público de reconciliação, mas a divergência sobre a condução do PL no Ceará segue aberta. O próximo teste será saber se a reunião do PL Mulher conseguirá recolocar a crise no campo interno ou se a disputa continuará contaminando a articulação nacional do partido.
