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Flávio Bolsonaro inclui fim da reeleição presidencial no plano de governo

Plano de governo de Flávio Bolsonaro defende mandato único para presidente. Senador já apresentou PEC para impedir reeleição consecutiva.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado

Resumo da Notícia

  • Flávio Bolsonaro incluiu o fim da reeleição para presidente da República em seu plano de governo para as eleições de 2026.
  • A proposta impediria o presidente eleito de disputar um segundo mandato consecutivo.
  • O senador já apresentou a PEC 4/2026 no Senado com essa finalidade.
  • A PEC estabelece expressamente que a mudança alcançaria também quem for eleito presidente em 2026.
  • A proposta de Flávio não acaba com a reeleição de governadores e prefeitos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) incluiu no plano de governo de sua candidatura à Presidência da República uma proposta para acabar com a possibilidade de reeleição consecutiva do presidente. O compromisso aparece no programa “Plano Para o Brasil Vencer o Atraso”, previsto para ser apresentado integralmente nesta quinta-feira (13).

Segundo trecho do documento, a campanha argumenta que um presidente sem a possibilidade de disputar imediatamente outro mandato teria maior liberdade para tomar decisões de longo prazo, inclusive aquelas que não tragam retorno eleitoral imediato.

A proposta não surgiu apenas durante a campanha. Em março, Flávio apresentou no Senado a PEC 4/2026, que altera a Constituição justamente para impedir a reeleição consecutiva para a Presidência.

O Portal N10 já havia mostrado, em junho, que Flávio Bolsonaro pretendia tentar aprovar o fim da reeleição caso vencesse a eleição presidencial. Agora, a medida aparece formalmente entre as propostas apresentadas no programa de governo.

O que Flávio propõe para a Presidência

Pelas regras atuais da Constituição, presidente da República, governadores e prefeitos podem disputar uma reeleição consecutiva.

A PEC apresentada por Flávio muda especificamente a regra presidencial. O texto cria uma nova previsão no artigo 14 da Constituição para tornar inelegível para o mesmo cargo, no mandato seguinte, o presidente da República e quem o tenha sucedido ou substituído nos seis meses anteriores à eleição.

Na prática, quem fosse eleito presidente cumpriria o mandato, mas não poderia disputar novamente a Presidência na eleição imediatamente seguinte.

Um detalhe importante é que o texto de Flávio mantém a possibilidade de uma reeleição consecutiva para governadores e prefeitos. Portanto, a PEC 4/2026 não propõe o fim geral da reeleição para todos os cargos do Executivo.

Mudança alcançaria o presidente eleito em 2026

A PEC também resolve antecipadamente uma questão que poderia provocar discussão sobre regra de transição.

O texto estabelece que a emenda entraria em vigor na data de sua promulgação e seria aplicada inclusive ao presidente da República eleito em 2026.

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Isso significa que, se a proposta fosse aprovada com essa redação a tempo, o vencedor da eleição deste ano ficaria impedido de disputar uma reeleição consecutiva em 2030.

É justamente esse ponto que dá peso à promessa feita pelo próprio Flávio: se eleito e se conseguir aprovar a PEC nos termos apresentados, ele também estaria sujeito à proibição.

Plano diz que presidente deve governar sem pensar na próxima eleição

O argumento apresentado no programa é que a possibilidade de reeleição influencia decisões tomadas durante o primeiro mandato.

Em um dos trechos divulgados, o plano afirma que “o compromisso do presidente deve ser com os resultados que entregará ao Brasil ao final de seu mandato, e não com a construção de sua própria reeleição”.

A campanha sustenta ainda que o mandato sem recondução imediata permitiria ao presidente concentrar esforços em problemas estruturais e políticas de longo prazo, reduzindo a influência do calendário eleitoral sobre decisões de governo.

Outro argumento apresentado é que o fim da reeleição presidencial aumentaria a alternância no poder e reduziria a vantagem eleitoral de quem já ocupa o Palácio do Planalto.

Essas são justificativas políticas apresentadas pela campanha e pela própria PEC, e não conclusões de que a reeleição necessariamente provoque uso eleitoral da estrutura pública.

PEC está parada no Senado desde março

Apesar de já ter sido apresentada, a proposta ainda não avançou na tramitação.

De acordo com a ficha oficial da PEC 4/2026 no Senado, o texto foi protocolado em 2 de março de 2026 e permanece com situação de “aguardando despacho”.

Como se trata de uma mudança na Constituição, a aprovação não depende apenas do presidente da República.

Uma PEC precisa receber três quintos dos votos dos deputados e dos senadores, em dois turnos de votação em cada Casa do Congresso. Depois de aprovada, uma emenda constitucional é promulgada pelo próprio Congresso e não passa por sanção ou veto presidencial.

Portanto, mesmo que Flávio Bolsonaro vença a eleição, o fim da reeleição dependerá de uma maioria qualificada no Congresso.

A medida anunciada pode ser resumida de forma objetiva:

  • Hoje: o presidente pode disputar uma reeleição consecutiva.
  • Com a PEC de Flávio: o presidente não poderia concorrer novamente ao mesmo cargo no mandato imediatamente seguinte.
  • Governadores e prefeitos: continuariam podendo disputar uma reeleição consecutiva pela redação apresentada.
  • Presidente eleito em 2026: também seria alcançado pela proibição se a PEC for aprovada nos termos atuais.

Por enquanto, nada mudou na Constituição. O que existe é uma proposta formal apresentada no Senado e agora incorporada ao plano de governo de Flávio Bolsonaro para 2026.

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