Resumo da Notícia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou sua participação no Veja Fórum, nesta segunda-feira (15), para tentar associar uma eventual candidatura à Presidência em 2026 a duas bandeiras centrais: fim da reeleição e controle mais duro dos gastos públicos.
Pré-candidato ao Planalto, ele afirmou que, se vencer a disputa, pretende usar a força política de presidente recém-eleito para tentar aprovar, ainda na transição, uma PEC de sua autoria que acaba com a reeleição.
A promessa funciona como sinal político. Flávio busca apresentar a proposta como prova de que não estaria movido por um suposto projeto pessoal de permanência no poder. O senador disse que faria questão de aprovar o texto antes mesmo do início efetivo de um eventual governo.
“Faço questão de aprovar esta PEC que eu mesmo fiz para dar esse exemplo, para mostrar que eu não estou aqui por disputa de poder, que não estou aqui por um projeto pessoal”, disse o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Na sequência, ele admitiu que o desenho final dependeria do Congresso, inclusive sobre duração de mandato e regras eleitorais. “Eu acredito, de verdade, que com essa, com essa impossibilidade de reeleição, eu não sei qual vai ser o tamanho do mandato que o Congresso vai aprovar de cinco anos ou quais são as regras eleitorais.”
A defesa do fim da reeleição apareceu no discurso de Flávio como uma tentativa de diferenciar a largada de uma eventual gestão. Para o senador, o presidente que sabe que não poderá disputar novo mandato teria mais margem para adotar medidas impopulares ou difíceis.
“Isso porque todo mundo que senta na cadeira de presidente, a partir do primeiro dia, já começa a pensar na reeleição. Você não tendo a reeleição, isso dá muito mais força para você tomar medidas que não vão ser fáceis”, comentou.
Ele também afirmou que colocar o Brasil “nos eixos” não será tarefa simples. No campo econômico, prometeu devolver equilíbrio fiscal, reduzir taxa de juros, inflação e recuperar o poder de compra da população. “Então, essa é a coisa que nós vamos fazer”, disse.
Gatilhos de corte entram no centro da agenda econômica
No bloco econômico, Flávio defendeu a criação de um mecanismo automático para cortar despesas caso a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) ultrapasse determinado limite. Ele não informou qual seria esse patamar.
“A gente tem que criar uma espécie de mecanismo de que, quando a relação dívida/PIB ultrapassar um determinado patamar, gatilhos automáticos terão que ser acionados para cortes drásticos de despesas. Não tem outro caminho”, frisou, durante o fórum Rumos do Brasil.
A proposta aponta para uma agenda de ajuste fiscal mais rígida, com redução de despesas vinculada a indicadores da dívida. Flávio afirmou que esse tipo de mecanismo ajudaria a derrubar os juros futuros e a recuperar a credibilidade do país aos poucos.
“A tendência é de redução da Selic. Com isso, a gente vai conseguir atrair novos investimentos”, frisou.
O senador reiterou que, em sua avaliação, o Brasil precisará de reformas estruturais e de uma redução “drástica” nas despesas. Também criticou a lógica de ampliar arrecadação para sustentar mais gastos.
“Não dá mais pra ficar nessa corrida do gato correndo atrás do rabo, em que o governo aumenta a carga tributária, cria novos impostos, aumenta os impostos que já existem para continuar gastando mais. Porque nessa irresponsabilidade fiscal, quem mais sofre é o povo pobre”, salientou.
Ataque a Haddad e à condução econômica do governo Lula
Flávio Bolsonaro concentrou parte do discurso em críticas à política econômica do governo federal. Ele afirmou que o país precisará de um retorno da direita ao poder para “arrumar a casa” e evitar que a economia “exploda”, em meio ao que classificou como gastos excessivos.
O senador também mirou Fernando Haddad ao tratar do cenário fiscal que, segundo ele, será deixado para o próximo governo.
“O Fernando Haddad ex-ministro da Fazenda e hoje pré-candidato ao governo de São Paulo deve estar torcendo muito para a minha eleição, acho que ele vai acabar votando em mim. Porque a bomba fiscal que ele está deixando para o próximo governo sabe que o próximo governo não vai conseguir desarmar. Vai precisar de um time de estrelas dentro do Ministério da Economia, pessoas comprometidas com o País, com um controle fiscal rigoroso”, disse Flávio Bolsonaro.
Na avaliação do pré-candidato, a inflação “chegou” neste ano e há elementos para uma “tempestade” na economia. Ele afirmou que, mesmo com gastos elevados, o brasileiro perdeu poder de compra.
“Dá um auxílio-gás, mas o povo não está com dinheiro para comprar comida para botar em cima do fogão e comer. Os R$ 600 valor do Bolsa Família não enchem mais o carrinho como antes”, disse.
Menos ministérios e cobrança por equipe econômica
Flávio também defendeu uma redução no número de ministérios. Segundo ele, a estrutura atual precisa ser revista com urgência.
“Temos 39 Ministérios. Isso tem que ser enxugado urgentemente”, pontuou.
O senador voltou a relacionar o nível dos juros à expansão fiscal e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará um legado de “desespero e dívidas”. Na fala, disse ainda que Lula não pensa no futuro do país.
Questionado sobre quem comandaria a área econômica em um eventual governo, Flávio não apresentou um nome. Ele, porém, elogiou a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que estava na plateia. O nome dela tem sido apontado como uma das assessoras da área econômica da campanha.
Com esse conjunto de declarações, Flávio Bolsonaro tenta ocupar dois espaços ao mesmo tempo: o da crítica ao governo Lula e o da promessa de uma agenda institucional e fiscal própria. O fim da reeleição entra como símbolo político; os gatilhos de corte, como tentativa de mostrar direção econômica. A viabilidade de ambas as frentes, no entanto, dependeria de articulação no Congresso e de detalhamento que ainda não foi apresentado.
