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Eleitorado feminino cresce e mulheres representam 52,8% dos votantes nas Eleições 2026

Cenário estatístico acirra as estratégias de pré-candidatos à Presidência da República focadas no público feminino.
TSE divulga raio-X das Eleições 2026 com protagonismo do eleitorado feminino
TSE divulga raio-X das Eleições 2026 com protagonismo do eleitorado feminino - Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

Resumo da Notícia

  • O eleitorado feminino atingiu 83,8 milhões de cidadãs, representando 52,84% do total de votantes no Brasil para as Eleições 2026.
  • O crescimento do eleitorado feminino em relação a 2022 foi de 1,83%, enquanto o masculino cresceu 1,08%.
  • A maioria feminina tem influenciado as estratégias de pré-candidatos, com foco em propostas voltadas às mulheres e debates sobre representatividade.
  • O texto detalha as regras do voto obrigatório, prazos para justificativa e as penalidades para quem não comparecer às urnas.

As mulheres continuam sendo a maior força votante do Brasil e vão liderar a presença nas urnas em outubro. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (20), o eleitorado feminino alcançou a marca de 83.877.126 cidadãs aptas a exercer o direito ao voto. O contingente expressivo representa 52,84% do total de eleitores do país.

O avanço demonstra uma alta de 1,83% no comparativo com o último pleito geral, realizado em 2022. Em números absolutos, o país ganhou 1.503.962 novas eleitoras regularizadas perante a Justiça Eleitoral. O primeiro turno das Eleições 2026 está agendado para o dia 4 de outubro, enquanto o segundo turno, onde houver necessidade, ocorrerá no dia 30 do mesmo mês.

Por outro lado, o eleitorado masculino também apresentou crescimento, embora em ritmo ligeiramente menor. Os homens aptos a votar passaram de 74.044.065, no ano de 2022, para 74.845.001 em 2026. O incremento foi de 800.936 eleitores, o equivalente a uma variação positiva de 1,08%.

Impacto nas estratégias presidenciais e cenário político

A consolidação do eleitorado feminino como maioria absoluta tem moldado o comportamento e os discursos dos principais pré-candidatos à Presidência da República. Ao longo de todo o mês, as agendas públicas, entrevistas coletivas e postagens em redes sociais foram direcionadas de forma estratégica para conquistar a confiança das mulheres.

O debate sobre a representatividade e o respeito às mulheres ganhou contornos de crise interna na ala da direita recentemente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo relatando ter sofrido desrespeito por parte de seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato ao Planalto pelo PL. O desentendimento familiar ocorreu no âmbito de discussões políticas internas do partido.

A repercussão do caso foi medida pela pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira. Conforme o levantamento, 42% dos entrevistados afirmaram concordar mais com a postura de Michelle Bolsonaro no episódio, enquanto 18% deram razão ao senador. A mesma pesquisa apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 40% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro.

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Como reação e na tentativa de mitigar o desgaste com o público, o senador Flávio Bolsonaro lançou na quinta-feira o plano “Brasil por Elas”, plataforma que reúne propostas programáticas voltadas às mulheres, defendendo que a proteção feminina é uma bandeira que pertence à direita.

Ações do governo federal e cobranças por representatividade

Do lado do governo federal, o presidente Lula tem pautado seu discurso recente na defesa de punições mais severas, defendendo o aumento de pena para o crime de feminicídio. Durante o atual mandato, o chefe do Executivo sancionou a lei que institui a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

A atual gestão começou com um marco de 11 ministras de Estado, o maior número inicial da história. Contudo, após uma reforma e trocas ministeriais promovidas em abril de 2026, a representação feminina na Esplanada dos Ministérios recuou para 8 pastas.

A atuação governamental também é alvo de cobranças por parte de movimentos sociais. Entidades ligadas às mulheres negras e juristas criticam o presidente por não ter aproveitado as três indicações abertas ao Supremo Tribunal Federal ao longo do mandato para nomear uma magistrada negra. Todos os escolhidos para as vagas da Suprema Corte na atual gestão foram homens.

Regras do voto obrigatório e penalidades por ausência

A legislação nacional estabelece que o voto é obrigatório para todos os cidadãos alfabetizados que possuem entre 18 e 70 anos. O alistamento e o voto permanecem facultativos para os jovens de 16 e 17 anos, para os analfabetos e para os idosos com mais de 70 anos.

O eleitor que não comparecer no dia da votação precisa realizar a justificativa para evitar restrições em seus direitos civis.

Regras para justificativa e multas eleitorais:

  • No dia da eleição: A justificativa pode ser feita diretamente pelo aplicativo móvel e-Título, de forma simplificada e sem a exigência de anexar documentos comprobatórios.
  • Até 60 dias após o pleito: O cidadão pode justificar a ausência sem a cobrança de multas. O procedimento exige o preenchimento de um formulário padrão que deve ser protocolado em qualquer cartório eleitoral.
  • Após os 60 dias: A regularização passa a depender do pagamento de uma multa por cada turno ausente. O Tribunal Superior Eleitoral estipula que a penalidade varia de 3% a 10% sobre a base de cálculo de R$ 35,13. O valor final é arbitrado pelo juiz eleitoral e pode ser multiplicado em até dez vezes a depender da condição financeira do cidadão. Quem declarar formalmente estado de pobreza tem direito à isenção da taxa.

A negligência com as obrigações eleitorais gera sanções severas. O cidadão que acumular três eleições consecutivas sem votar e sem apresentar justificativa — lembrando que cada turno é contabilizado de forma independente como um pleito — terá o título de eleitor cancelado. Com a situação irregular, fica impedido de emitir passaporte, solicitar carteira de identidade, inscrever-se ou tomar posse em concursos públicos e obter empréstimos em instituições financeiras estatais.

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