Resumo da Notícia
A entrada de Augusto Cury (Avante) na disputa presidencial colocou o escritor diante de uma pergunta que passou a se repetir entre eleitores: afinal, ele está mais próximo da esquerda ou da direita? A resposta não é simples, porque o próprio candidato tenta construir uma identidade política que mistura posições econômicas liberais com propostas sociais e rejeita o enquadramento automático nos dois polos.
Cury já afirmou publicamente que se considera de centro. Ao mesmo tempo, seu programa reúne princípios normalmente associados ao campo liberal, como responsabilidade fiscal, liberdade econômica e propriedade privada, ao lado de compromissos com direitos humanos, proteção de minorias e políticas de assistência social.
Essa combinação aparece no conceito que o próprio candidato passou a usar para resumir sua visão de governo: o chamado “capissocial”, expressão criada para associar uma economia de orientação capitalista a políticas públicas voltadas à redução das desigualdades e à proteção social.
Cury procura se afastar da lógica de confronto que domina a campanha presidencial. Em entrevistas, já afirmou ser de centro e defendeu a necessidade de construir pontes entre grupos políticos que hoje se tratam como adversários permanentes.
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
Essa postura também apareceu no primeiro debate presidencial, quando reagiu a ataques dirigidos ao eleitorado de Lula e criticou a desqualificação de milhões de brasileiros por sua escolha política.
Apesar de se apresentar como uma figura de centro, Cury tenta evitar que sua candidatura seja definida apenas como uma terceira via tradicional. Em seu documento programático, ele sustenta que o projeto defendido pela campanha procura combinar princípios econômicos e sociais sem aderir integralmente a um dos polos ideológicos existentes.
Na prática, essa tentativa produz uma candidatura com elementos que podem ser identificados tanto à direita quanto ao centro político, dependendo do tema analisado.
Economia aproxima Cury de posições liberais
Na área econômica, as propostas do candidato têm perfil mais próximo do liberalismo. Cury defende responsabilidade fiscal, estímulo ao empreendedorismo, segurança jurídica, propriedade privada e maior participação do setor privado no desenvolvimento econômico.
O candidato também sustenta que o Estado deve atuar de maneira mais eficiente e menos intervencionista, concentrando esforços em áreas consideradas estratégicas e criando condições para que empresas invistam, produzam e gerem empregos.
A defesa de um ambiente de negócios mais favorável, com menor peso da burocracia e maior previsibilidade para investimentos, aproxima essa parte de seu programa de posições encontradas com frequência no centro e na centro-direita.
Cury também propõe mudanças institucionais relevantes, entre elas a adoção do semipresidencialismo, o fim da reeleição para presidente e mandatos com prazo definido para ministros do Supremo Tribunal Federal.
Programa também incorpora políticas sociais
A identidade política de Cury fica menos linear quando o debate sai da economia e passa para temas sociais.
O candidato defende a preservação de políticas destinadas às famílias mais vulneráveis e não propõe o fim do Bolsa Família. A posição apresentada por ele é de que programas de transferência de renda devem continuar existindo, mas acompanhados de medidas voltadas à qualificação profissional e à criação de oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Também aparecem em suas propostas referências à proteção dos direitos humanos, ao respeito às minorias e à preservação ambiental. Esses pontos são apresentados como parte de uma agenda social que deve conviver com a defesa da economia de mercado.
Na educação, um dos temas aos quais Cury dedica maior atenção, o candidato propõe mudanças no modelo de ensino, com maior estímulo ao raciocínio, à autonomia dos estudantes e à educação socioemocional.
Antipolarização virou parte central da candidatura
O esforço para não se identificar integralmente com direita ou esquerda também funciona como estratégia eleitoral. A candidatura de Cury tenta conquistar espaço entre eleitores insatisfeitos com a polarização que volta a concentrar a disputa presidencial.
Sua candidatura foi oficializada pelo Avante no início de agosto e, desde então, o escritor tem usado parte de suas aparições públicas para defender uma redução do tom de confronto entre os principais campos políticos.
A exposição aumentou especialmente após o primeiro debate presidencial. Com a ausência de alguns dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas, Cury teve mais espaço para apresentar suas propostas e passou a despertar maior curiosidade entre eleitores que o conheciam principalmente por sua trajetória como escritor.
Esse movimento ajuda a explicar por que cresceram as buscas por termos relacionados à sua posição política, partido e candidatura.
Então Augusto Cury é de esquerda ou de direita?
Pelas posições apresentadas até agora, Augusto Cury não se enquadra de maneira clara em apenas um dos dois campos. O próprio candidato se define como de centro e tenta construir uma candidatura que combina liberalismo econômico com políticas de proteção social.
Em temas econômicos, suas propostas se aproximam mais de posições liberais e de centro-direita. Em questões sociais, entretanto, o programa incorpora elementos que costumam aparecer também em agendas de centro e centro-esquerda, como proteção aos mais vulneráveis, defesa de direitos humanos e manutenção de programas sociais.
A classificação mais fiel, portanto, é a de um candidato que procura ocupar o centro político e evitar uma identificação rígida com esquerda ou direita. Essa tentativa de se apresentar como alternativa aos dois polos se tornou uma das marcas centrais de sua campanha presidencial.
