AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro após caso Vorcaro

A pesquisa indica que 95,6% dos entrevistados souberam das mensagens e do áudio atribuídos a conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, e 64,1% avaliam que o episódio enfraqueceu a candidatura do senador.
Nova pesquisa presidencial aponta vantagem de Lula e queda de Flávio Bolsonaro

Resumo da Notícia

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto para 2026 em cenários de primeiro e segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
  • A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre 13 e 18 de maio, aponta uma queda na curva de crescimento do senador Flávio Bolsonaro.
  • O levantamento mediu o impacto político das conversas atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
  • A maioria dos entrevistados, cerca de 64,1%, avalia que o episódio do áudio enfraqueceu a candidatura do senador do PL.
  • Apesar da liderança eleitoral, Lula enfrenta uma desaprovação de 51,3% em relação ao seu governo.
  • O PL questionou a metodologia da pesquisa no TSE, alegando possível influência das perguntas sobre o caso Vorcaro na percepção dos eleitores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos principais cenários testados pela nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg para a eleição presidencial de 2026. No confronto direto de segundo turno, Lula marca 48,9%, contra 41,8% de Flávio. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (19), ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, tem margem de erro de 1 ponto percentual e está registrado no TSE sob o número BR-06939/2026.

A pesquisa também mediu o impacto político das mensagens e do áudio atribuídos a conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a AtlasIntel/Bloomberg, 95,6% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do episódio, e, entre esses, 93,9% afirmaram ter ouvido o áudio. O caso passou a ocupar espaço central no levantamento porque foi medido tanto como fato de conhecimento público quanto como variável de percepção eleitoral.

Lula lidera cenário de primeiro turno com Flávio Bolsonaro

No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 47,0% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registra 34,3%. Na sequência vêm Renan Santos, do Missão, com 6,9%; Romeu Zema, do Novo, com 5,2%; Ronaldo Caiado, do PSD, com 2,7%; Augusto Cury, do Avante, com 0,4%; e Aldo Rebelo, do DC, com 0,2%. Brancos e nulos somam 1,4%, enquanto 1,9% não souberam responder.

O dado mais relevante do cenário é a mudança na curva de Flávio. A série histórica da AtlasIntel mostra que o senador vinha em crescimento desde novembro de 2025, quando registrava 23,1%, chegou a 40,1% em março de 2026 e marcou 39,7% em abril. Agora, caiu para 34,3%. Lula, por outro lado, oscilou de 46,6% em abril para 47,0% em maio.

Esse recuo não deslocou automaticamente a disputa para outro nome da direita ou do centro-direita. Renan Santos aparece em terceiro no cenário com Flávio, mas ainda distante dos dois primeiros. Zema e Caiado também pontuam, porém sem assumir o espaço de principal adversário do atual presidente nesse arranjo específico.

Sem Flávio, Zema e Caiado aparecem atrás de Lula

A AtlasIntel/Bloomberg também testou um cenário sem Flávio Bolsonaro. Nesse caso, Lula marca 46,7%, seguido por Romeu Zema, com 17,0%, Ronaldo Caiado, com 13,8%, e Renan Santos, com 8,0%. Aldo Rebelo aparece com 1,8%, Augusto Cury com 1,2%, brancos e nulos somam 6,8%, e 4,6% não souberam responder.

Em outro cenário, com Michelle Bolsonaro no lugar de Flávio, Lula registra 47,0%, enquanto Michelle Bolsonaro aparece com 23,4%. Depois vêm Romeu Zema, com 10,0%; Renan Santos, com 7,8%; Ronaldo Caiado, com 6,0%; Aldo Rebelo, com 0,7%; e Augusto Cury, com 0,5%. Brancos e nulos somam 2,3%, mesmo percentual dos que não souberam responder.

Haddad fica à frente de Flávio em cenário sem Lula

A pesquisa também avaliou um cenário de primeiro turno sem Lula, com Fernando Haddad como nome do campo governista. Nesse recorte, Haddad aparece com 36,7%, à frente de Flávio Bolsonaro, que marca 32,8%. Renan Santos surge com 8,7%, Romeu Zema com 5,5%, Ronaldo Caiado com 3,4%, Augusto Cury com 0,8% e Aldo Rebelo com 0,6%. Brancos e nulos somam 7,6%, e 3,8% não souberam responder.

O cenário é importante porque mostra que a disputa não se resume apenas à presença pessoal de Lula. Ainda assim, a distância entre Haddad e Flávio é menor que a vantagem de Lula sobre o senador nos cenários em que o presidente aparece como candidato.

Segundo turno mostra vantagem de Lula contra principais adversários

Nas simulações de segundo turno, Lula vence todos os cenários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente tem 48,9%, contra 41,8% do senador. Brancos, nulos e indecisos somam 9,3%. A vantagem é de 7,1 pontos percentuais.

Contra Jair Bolsonaro, Lula aparece com 48,5%, enquanto o ex-presidente marca 43,4%. Diante de Romeu Zema, o placar é de 47,8% a 37,6%. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 47,5%, contra 38,5%. No confronto com Renan Santos, o presidente registra 47,8%, enquanto o pré-candidato do Missão soma 28,4%.

No mesmo temaMistura de etanol na gasolina pode subir de 30% para 32%

Sem Lula no segundo turno, Haddad aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro por 46,7% a 43,0%. Geraldo Alckmin também supera Flávio no cenário testado, por 46,4% a 42,3%.

Avaliação do governo ainda é negativa, apesar da vantagem eleitoral

A vantagem de Lula nos cenários eleitorais não significa aprovação majoritária do governo. A pesquisa aponta que 51,3% desaprovam o desempenho do presidente, enquanto 47,4% aprovam. Na avaliação da gestão, 48,4% consideram o governo ruim ou péssimo, 42,9% avaliam como ótimo ou bom, e 8,7% classificam como regular.

Esse ponto é central para a leitura política do levantamento. Lula aparece competitivo e lidera as simulações, mas ainda enfrenta rejeição relevante ao governo. A pesquisa indica, portanto, um cenário em que o presidente mantém força eleitoral, embora sem converter essa vantagem em aprovação folgada da administração.

Rejeição atinge Flávio, Lula e Jair Bolsonaro em patamar elevado

A rejeição também aparece alta entre os principais nomes da disputa. Flávio Bolsonaro lidera esse indicador, com 52,0% dos entrevistados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Lula aparece logo atrás, com 50,6%. Jair Bolsonaro tem 49,1%, Michelle Bolsonaro registra 45,6%, Romeu Zema marca 42,2%, Fernando Haddad tem 39,9%, Ronaldo Caiado soma 38,0%, e Renan Santos aparece com 37,8%.

Esse quadro reforça a polarização do eleitorado. Mesmo liderando numericamente a disputa, Lula também enfrenta resistência expressiva. Já Flávio, que vinha ganhando tração em levantamentos anteriores, passa a carregar a maior rejeição entre os nomes avaliados.

Caso Vorcaro muda percepção sobre desgaste político

A pesquisa mediu a percepção dos entrevistados sobre o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Quando questionados sobre qual grupo político estaria mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do banco, 43,3% apontaram principalmente aliados de Bolsonaro, enquanto 32,8% citaram principalmente aliados de Lula. Outros 16,1% responderam que todos estariam igualmente implicados, 7,1% mencionaram principalmente o Centrão, e 0,7% não souberam responder.

O levantamento também perguntou como os entrevistados interpretam o vazamento. Para 54,9%, o episódio representa evidências obtidas em uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades. Já 33,0% veem tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro. Outros 9,7% responderam “ambos por igual”, e 2,5% não souberam opinar.

Quando a pergunta foi sobre o conteúdo da conversa, 51,7% disseram enxergar evidências de envolvimento direto de Flávio com o escândalo do Banco Master. Para 33,3%, a conversa retrata uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Outros 12,1% veem relação de proximidade entre Flávio e o dono do Master, mas sem comprovação de ilegalidade.

Maioria vê enfraquecimento da candidatura de Flávio

A AtlasIntel/Bloomberg perguntou se a divulgação das conversas enfraqueceu ou fortaleceu a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A soma dos que apontam enfraquecimento chega a 64,1%: 45,1% disseram que enfraqueceu muito, e 19,0% que enfraqueceu um pouco. Para 15,0%, o caso não afetou a candidatura. Outros 13,4% avaliam que o episódio fortaleceu Flávio, enquanto 7,3% não souberam responder.

Na disposição de voto, o efeito aparece de forma mais fragmentada. 47,1% disseram que já não votariam em Flávio de qualquer forma, 21,0% afirmaram que o episódio não alterou sua decisão, 13,7% ficaram muito mais dispostos a votar nele, 9,4% ficaram muito menos dispostos, 5,1% ficaram mais dispostos, e 3,6% ficaram menos dispostos.

Entre eleitores de Jair Bolsonaro, a resistência à retirada da candidatura é forte. Nesse grupo, 84,2% defendem que Flávio mantenha sua candidatura à Presidência, enquanto 12,6% dizem que ele deveria retirar a candidatura e apoiar outro nome.

Pesquisa virou alvo de questionamento da oposição

A divulgação do levantamento também gerou reação política. O PL questionou a pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral, argumentando que parte das perguntas sobre o episódio envolvendo Flávio, Vorcaro e o Banco Master poderia influenciar a percepção dos entrevistados.

A AtlasIntel nega que a reprodução do áudio tenha interferido nos cenários eleitorais. O CEO do instituto, Andrei Roman, afirmou que o material foi apresentado após a conclusão do questionário principal, com o objetivo de medir a reação do eleitorado ao conteúdo. Segundo a AtlasIntel, o áudio foi reproduzido apenas depois do encerramento das perguntas de intenção de voto.

O que a pesquisa indica neste momento

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra três movimentos simultâneos. O primeiro é a manutenção de Lula em posição competitiva, liderando os cenários de primeiro e segundo turno. O segundo é a piora de Flávio Bolsonaro depois da divulgação das conversas atribuídas ao senador com Daniel Vorcaro. O terceiro é a persistência de uma rejeição alta aos principais nomes da disputa, inclusive ao próprio presidente.

Como toda pesquisa eleitoral, o levantamento retrata um momento específico da opinião pública, não uma previsão do resultado das urnas. Ainda assim, por ter sido realizado após a divulgação do caso envolvendo o Banco Master, o estudo ajuda a medir o primeiro impacto político do episódio sobre a pré-campanha presidencial de 2026.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.