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Eleições

Allyson descarta privatizar Caern e promete manter estatal sob controle

Candidato do União diz que pretende aumentar eficiência e investimentos da companhia e cita Santa Cruz, São Miguel e Upanema ao cobrar regularidade no abastecimento.

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Resumo da Notícia

  • Allyson Bezerra (União) afirmou que não pretende privatizar a Caern caso seja eleito governador do Rio Grande do Norte.
  • O candidato defende manter a companhia sob controle estatal e melhorar os resultados financeiros e operacionais, com ampliação dos investimentos e do atendimento.
  • A afirmação de que a Caern opera com lucro encontra respaldo nos balanços da própria companhia: foram R$ 50 milhões de lucro líquido em 2024 e R$ 95,5 milhões acumulados nos nove primeiros meses de 2025.
  • Allyson citou problemas de abastecimento em Santa Cruz, São Miguel e Upanema e relacionou a situação à necessidade de melhorar a prestação do serviço.
  • Para outros patrimônios e projetos estaduais, o candidato defende parcerias público-privadas, citando como referência o modelo utilizado para a nova Arena Nogueirão, em Mossoró.

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou que não pretende privatizar a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) se vencer as Eleições 2026. A proposta apresentada por ele é manter a empresa sob controle do Estado e buscar aumento de eficiência operacional, capacidade de investimento e resultado financeiro.

Durante entrevista divulgada nesta quarta-feira (9), Allyson foi direto ao tratar da possibilidade de venda da estatal:

“Não está no nosso plano de governo, de gestão, privatizar a Caern. Não está. O que está é transformá-la em uma empresa eficiente.”

O candidato afirmou ainda que considera qualificado o quadro de trabalhadores da companhia e disse que a empresa pode melhorar simultaneamente seus resultados e a prestação do serviço de abastecimento. A posição foi apresentada em uma campanha na qual água, saneamento e capacidade de investimento do Estado passaram a integrar as propostas dos candidatos ao Governo.

A afirmação de Allyson de que a Caern já opera com resultado positivo pode ser confrontada com os próprios números financeiros da empresa.

A companhia encerrou 2024 com lucro líquido de aproximadamente R$ 50 milhões e receita operacional de R$ 1,16 bilhão, segundo dados divulgados na mudança de comando da estatal em 2025. Entre 2019 e 2024, os investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário ultrapassaram R$ 1 bilhão, dos quais R$ 384 milhões foram aplicados apenas em 2024.

Os demonstrativos financeiros posteriores também mantiveram resultado positivo. Até 30 de setembro de 2025, a Caern acumulava R$ 95,466 milhões de lucro líquido, diante de R$ 45,814 milhões no mesmo período de 2024. A receita líquida dos serviços prestados nos nove primeiros meses de 2025 chegou a R$ 920,438 milhões.

Allyson defendeu que a companhia gere resultado maior sem abandonar sua função de fornecer água e executar serviços de saneamento.

Candidato cita falta d’água no interior

Ao falar sobre a necessidade de melhorar a operação, Allyson citou Santa Cruz, São Miguel e Upanema.

Santa Cruz possui um sistema municipal próprio. O abastecimento é operado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), e não diretamente pela Caern. O próprio Portal da Transparência do Estado registra pagamentos ao SAAE pelo fornecimento de água a unidades estaduais instaladas no município.

O sistema local recebe água da Adutora Monsenhor Expedito e possui projetos voltados à ampliação da capacidade de tratamento e redução do rodízio. Em projeto apresentado pelo SAAE e pela Prefeitura, a ampliação da estação de tratamento permitiria incorporar água do Açude Público de Santa Cruz e elevar a capacidade de abastecimento.

São Miguel e Upanema, por outro lado, são atendidos pela Caern e já registraram interrupções recentes associadas a problemas elétricos, manutenção e vazamentos.

Em maio, o fornecimento em São Miguel precisou ser suspenso após uma falha no sistema elétrico. A companhia informou posteriormente que a retomada ocorreria de maneira gradual, com prazo de até 72 horas para normalização completa.

Mais recentemente, a Caern informou que o abastecimento em São Miguel seguia dentro do rodízio existente enquanto realizava intervenção no açude Bonito. Segundo a companhia, naquele momento não havia previsão de colapso do sistema nos meses seguintes.

Em Upanema, registros da própria estatal mostram diferentes ocorrências ao longo de 2026. Uma delas envolveu vazamento na adutora Poço II, atingindo a zona urbana, Sítio Poré, assentamentos Boa Água I e II e parte do Sítio Bom Jesus, com prazo de até 96 horas para normalização depois do religamento.

A companhia também registrou paralisação relacionada a problema no fornecimento de energia do poço que atende o município, com retomada gradual depois do restabelecimento do sistema.

Privatização e PPP são modelos diferentes

A posição de Allyson sobre a manutenção da Caern como empresa estatal não elimina, na proposta apresentada por ele, a participação da iniciativa privada em outros projetos públicos.

O candidato afirmou que pretende analisar parcerias público-privadas (PPPs) para ativos que demandem investimentos que o Governo do Estado não consiga executar integralmente com recursos próprios.

Nesse modelo, não há necessariamente venda da propriedade pública ou do controle de uma estatal. A estrutura depende do contrato, das obrigações assumidas por cada parte, da remuneração e da modalidade escolhida.

Essa diferença já está presente no próprio setor de saneamento potiguar. A Caern mantém em estruturação uma PPP administrativa de esgotamento sanitário para 48 municípios, com contrato projetado para 25 anos. O projeto prevê R$ 3,8 bilhões em investimentos até 2051 e busca atingir 90% de cobertura de esgoto nas áreas atendidas até 2033.

A modelagem mantém a Caern como contratante e prevê que o parceiro privado execute investimentos e atividades relacionadas aos serviços de esgotamento sanitário. O projeto foi estruturado com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O debate sobre participação privada no saneamento também já alcançou Natal. Em 2025, a administração municipal chegou a avaliar alternativas para o contrato com a Caern e uma eventual concessão dos serviços de saneamento à iniciativa privada, enquanto a companhia defendia a manutenção do vínculo existente.

Arena Nogueirão é o modelo citado por Allyson

Para explicar como pretende utilizar capital privado em outros ativos estaduais, Allyson recorreu a uma experiência de sua gestão em Mossoró: a nova Arena Nogueirão.

A Prefeitura homologou em março de 2026 o resultado da licitação vencida pela Nacional Incorporadora e Construtora Ltda. O projeto prevê investimento superior a R$ 210 milhões na nova arena e no Centro Administrativo Municipal.

O estádio está projetado para receber mais de 15 mil espectadores, com áreas comerciais, estacionamento e outras estruturas integradas. A empresa privada assumiu os investimentos previstos na modelagem adotada pelo município.

Allyson citou o projeto para defender a utilização de arranjos semelhantes em determinados patrimônios estaduais, desde que exista viabilidade econômica para atrair investidores.

A demolição do antigo Nogueirão começou em março e foi concluída em abril. O empreendimento que ocupará a área inclui a arena esportiva, estacionamento, espaços comerciais e centro de eventos, além da construção do novo Centro Administrativo Municipal prevista como parte da operação.

Projeto da Caern para 48 municípios segue em análise

A discussão sobre o futuro da companhia também ocorre durante a tramitação da PPP de esgotamento sanitário estruturada pela atual gestão estadual.

A consulta pública do projeto foi encerrada em junho. Pelas regras divulgadas pela Caern, as contribuições recebidas seriam analisadas antes do encaminhamento da modelagem ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) e aos colegiados das microrregiões envolvidas.

O projeto alcança as microrregiões Central-Oeste e Litoral-Seridó e tem população estimada em 1,9 milhão de pessoas. A meta prevista é alcançar 90% de atendimento de esgoto até 2033, dentro dos objetivos estabelecidos pelo marco legal do saneamento.

Allyson não anunciou, na entrevista desta quarta, proposta para interromper essa modelagem específica. A posição declarada por ele foi manter a Caern sob controle do Estado, enquanto a eventual utilização de PPPs em outros ativos seria analisada individualmente.

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Rafael Nicácio
Sobre o autor

Rafael Nicácio

Proprietário, redator e editor

Co-fundador e redator do Portal N10, sou responsável pela administração e produção de conteúdo do site, consolidando mais de uma década de experiência em comunicação digital. Minha trajetória inclui passagens por assessorias de comunicação…

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