Resumo da Notícia
Morando nos Estados Unidos desde o começo do ano passado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que pretende voltar ao Brasil caso o irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição presidencial e assuma o comando do país em janeiro de 2027. A declaração foi exibida na manhã deste sábado durante uma agenda de pré-campanha de Flávio, em Porto Alegre.
No vídeo enviado ao evento, Eduardo deixou clara a condição para o retorno. “São 9 meses, tempo de uma gestação, para retornar ao Brasil em segurança”, disse.
A fala surgiu em uma gravação exibida entre outras manifestações de apoio político durante o ato. Segundo o relato, o trecho sobre a volta de Eduardo ao país foi o mais aplaudido do evento, superando inclusive o vídeo enviado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tarcísio também participou à distância da agenda em apoio ao deputado Zucco (PL-RS), que disputará o governo do Rio Grande do Sul por determinação de Jair Bolsonaro.
O plano de retorno, porém, não apareceu em um trecho dirigido diretamente a Flávio. Eduardo falava em apoio a Zucco quando mencionou a possibilidade de voltar ao Brasil no início do próximo governo, caso o irmão chegue ao Palácio do Planalto.
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Volta ao país depende de reviravolta jurídica
A possibilidade de retorno de Eduardo Bolsonaro esbarra no quadro jurídico enfrentado por ele no Brasil. Desde novembro do ano passado, o ex-deputado é réu no Supremo Tribunal Federal em uma ação penal por coação no curso do processo, crime com pena prevista de um a quatro anos de reclusão.
Segundo a acusação, Eduardo atuou em favor de sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros. O entendimento é que ele fez lobby com autoridades dos Estados Unidos para elevar impostos sobre mercadorias do Brasil caso a ação judicial contra Jair Bolsonaro (PL) não fosse anulada.
Na época em que se tornou réu, Eduardo reagiu com críticas ao STF. “[Alexandre de] Moraes vota para me tornar réu. Outros candidatos anti-establishment, como o próprio Jair Bolsonaro, e favoritos ao Senado sofrerão a mesma perseguição. É o sistema se reinventando para sobreviver”, escreveu nas redes sociais em novembro do ano passado.
A relação de confronto com o Supremo não começou agora. Ainda na eleição de 2018, Eduardo ironizou e ameaçou a Corte ao dizer: “Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo”.
Flávio sinaliza apoio a anulação de processos
O pano de fundo político do evento em Porto Alegre também incluiu o discurso de Flávio Bolsonaro, que deu respaldo à possibilidade de reversão de processos judiciais. Embora não tenha citado Eduardo nominalmente, o senador fez referência ao pai e afirmou que pretende subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado dele caso vença a eleição.
Para isso, segundo o relato do evento, Flávio disse que pretende pressionar o Congresso Nacional pela aprovação de uma lei para extinguir penas aplicadas a autoridades e cidadãos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
O contexto ajuda a explicar por que a fala de Eduardo sobre retorno ao Brasil ganhou tanta repercussão no ato. O ex-deputado está fora do país desde fevereiro do ano passado e não retornou por receio de enfrentar processos judiciais e prisão. Do exterior, ele segue fazendo ataques ao STF, ao Congresso Nacional e à Procuradoria-Geral da República, todos citados por ele como responsáveis por investigações sobre ações golpistas no governo de Jair Bolsonaro.
