Eduardo Bolsonaro fala em trocar Pix por Zelle em negociação com os Estados Unidos

O parlamentar também sugeriu que o país poderia negociar terras raras e manganês com os Estados Unidos para tentar conter eventual retaliação contra meios de pagamento usados no Brasil.
Eduardo Bolsonaro sugere negociar Pix com os EUA e cita troca por Zelle
Eduardo Bolsonaro sugere negociar Pix com os EUA e cita troca por Zelle - Crédito: Reprodução / X

Resumo da Notícia

  • Eduardo Bolsonaro sugeriu que o Brasil poderia negociar o Pix com os Estados Unidos para evitar retaliações comerciais.
  • A proposta inclui a possível substituição do sistema brasileiro pelo Zelle, plataforma de pagamentos norte-americana.
  • O deputado também mencionou a oferta de exclusividade sobre terras raras e manganês como ativos de negociação.
  • A declaração ocorre em meio a uma investigação do USTR sobre supostas práticas desleais do Brasil no comércio digital.
  • O senador Flávio Bolsonaro enviou carta ao governo americano pedindo que não sejam aplicadas tarifas comerciais ao país.

Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu que o Brasil poderia levar o Pix para uma mesa de negociação com os Estados Unidos e até discutir a substituição do sistema brasileiro pelo Zelle, plataforma norte-americana de transferências. A declaração foi dada em entrevista ao portal TMC News, em meio à pressão comercial dos EUA sobre práticas brasileiras de pagamento eletrônico.

Na fala, Eduardo também sugeriu que o Brasil poderia usar terras raras e manganês como instrumentos de negociação com os norte-americanos. Outra alternativa citada por ele seria ceder aos Estados Unidos exclusividade sobre terras raras brasileiras como forma de tentar preservar o Pix diante de eventual retaliação.

Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, disse Eduardo.

Em outro trecho, ele afirmou que o país poderia colocar outros ativos na conversa. “Dá botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui“, declarou.

Declaração ocorre após avanço de investigação dos EUA

A manifestação de Eduardo Bolsonaro ocorre no contexto da investigação da Seção 301 conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) contra o Brasil.

Segundo o material divulgado, o órgão norte-americano sugeriu que produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos sejam taxados em 25%, sob a justificativa de que o Brasil adotaria “inúmeras práticas desleais”.

Entre os pontos levantados pelos EUA está a acusação de que o Brasil teria políticas de pagamento eletrônico que “desfavorecem empresas americanas envolvidas no comércio digital ou em serviços de pagamento eletrônico”.

Embora a justificativa seja apresentada como comercial, analistas apontam viés protecionista na medida. A avaliação citada é de que o amplo uso do Pix no Brasil reduziu a utilização de bandeiras de cartão de crédito americanas, o que ajudaria a explicar a pressão sobre o sistema brasileiro. Veja vídeo:

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A discussão sobre o Pix também ocorre em meio à expectativa de que os Estados Unidos imponham sanções comerciais ao Brasil. Na terça-feira (2/6), o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Na correspondência, Flávio pediu que o governo norte-americano não aplique tarifas comerciais ao Brasil. Ele também manifestou preocupação com o avanço da investigação e agradeceu pela classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.

Apesar de as tarifas ainda não estarem em vigor, o senador argumentou que novas taxas seriam prejudiciais à economia brasileira. No texto, ele citou o crescimento do endividamento público, a alta inadimplência e o volume sem precedentes de pedidos de recuperação judicial.

Flávio também sustentou que punições alfandegárias atingiriam diretamente a população brasileira, descrita por ele como parceira e amiga dos americanos.

Lula e Flávio disputam discurso sobre o Pix

O Pix virou tema de disputa política nesta semana. Na terça-feira (2/6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibiu, durante evento em Goiás, um cartaz com a frase: “o Pix é do Brasil”.

No dia seguinte, quarta-feira (3/6), Flávio Bolsonaro respondeu à manifestação durante evento na Grande BH. Ele mostrou um cartaz com os dizeres: “Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.

A troca de mensagens ocorreu no mesmo contexto da pressão norte-americana sobre o sistema brasileiro de pagamentos e da discussão sobre possíveis sanções comerciais ao país.

Zelle é uma cópia fraca do Pix e com alcance menor

O Zelle é uma plataforma de pagamentos dos Estados Unidos que permite transferências entre usuários, em formato semelhante ao Pix. Apesar da comparação feita por Eduardo Bolsonaro, o sistema norte-americano tem diversas limitações em relação ao modelo brasileiro.

O modelo tem menos funcionalidades e alcance mais restrito. A plataforma não é aceita por todos os bancos dos Estados Unidos e a compensação financeira leva minutos para ser concluída. No Pix brasileiro, a transferência ocorre de forma instantânea.

Essa diferença é central no debate porque o Pix se consolidou no Brasil como um sistema de pagamentos de ampla utilização, enquanto o Zelle opera em um ambiente bancário norte-americano com adesão menos universal.

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