Resumo da Notícia
A possibilidade de Romeu Zema (Novo) ocupar a vice em uma eventual chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta forte resistência dentro do Centrão.
Lideranças do bloco avaliam que o histórico de declarações de Zema sobre o Nordeste representa um desgaste de alto potencial em campanha e poderia ser explorado com força pelos adversários, sobretudo pelo campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse ambiente, o nome preferido por setores do Centrão segue sendo o da ex-ministra Tereza Cristina.
O ponto central da rejeição está em falas dadas por Zema ao jornal O Estado de S. Paulo, em 2023. Na ocasião, ele defendeu uma articulação entre estados do Sul e do Sudeste como resposta ao movimento dos governadores nordestinos e comparou o Brasil a um “produtor rural” que favoreceria regiões que produzem menos.
Declarações sobre o Nordeste viram principal obstáculo político
A fala que mais pesa contra Zema, na avaliação de lideranças do Centrão, é a comparação feita pelo então governador mineiro ao tratar da relação entre regiões do país. Na entrevista, ele afirmou que o Brasil funciona como um “produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito”, em referência aos estados nordestinos.
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Para integrantes do bloco, essa declaração foi “um desastre” e uma “chuva de preconceitos” do ponto de vista político. A leitura é de que esse histórico poderia contaminar uma campanha nacional e abrir espaço para uma exploração intensa do tema, especialmente em uma região que já ocupa lugar central na disputa presidencial.
É exatamente por isso que o Nordeste aparece no centro da resistência. O entendimento de líderes do Centrão é que uma chapa com Zema na vice chegaria à campanha carregando um passivo difícil de neutralizar.
Mesmo com resistência, Zema segue forte no núcleo de Flávio
Apesar da reação negativa de parte do Centrão, Zema continua sendo o nome preferido do núcleo duro de Flávio Bolsonaro para a posição de vice. O tema voltou a ganhar força no fim de semana, depois de uma pesquisa Datafolha apontar empate entre Flávio e Lula.
No último sábado (11), os dois pré-candidatos apareceram juntos nas redes sociais em uma postagem conjunta. No vídeo, Zema ironiza a possibilidade de composição e diz: “Pessoal, estou aqui fazendo um convite para o Flávio ser meu vice. O que vocês acham?”. Em seguida, Flávio responde em tom também irônico: “Será?”. Os dois então brindam, entre risos.
O gesto foi lido como sinal de proximidade política, mas não eliminou o problema central apontado por setores do Centrão: a dificuldade de defender eleitoralmente um nome que já deixou registrado um discurso considerado hostil ao Nordeste.
Consórcio Nordeste reagiu e ampliou desgaste
As declarações de Zema também provocaram reação do Consórcio Nordeste, que afirmou que o político demonstra “uma leitura preocupante do Brasil”. O grupo destacou ainda que Norte e Nordeste foram historicamente penalizados por políticas de desenvolvimento nacional.
Essa resposta amplia o custo político do episódio porque reforça a ideia de que a fala não ficou restrita a uma controvérsia passageira. Ao contrário, ela permanece como marca sensível no debate público e volta ao centro da discussão sempre que o nome de Zema aparece associado a um projeto nacional mais amplo.
No cálculo do Centrão, esse é justamente o problema: uma candidatura presidencial não teria apenas de administrar divergências regionais, mas explicar repetidamente uma fala que já foi recebida como ofensiva e preconceituosa.
