CCJ do Senado aprova PEC que reduz jornada da enfermagem para 36 horas semanais

A proposta também determina que o reajuste anual do piso salarial não poderá ficar abaixo da inflação acumulada no ano anterior, buscando preservar o poder de compra dos profissionais e evitar perda remuneratória provocada pela corrosão inflacionária.
PEC da enfermagem passa na CCJ e leva jornada de 36 horas ao plenário
PEC da enfermagem passa na CCJ e leva jornada de 36 horas ao plenário - Crédito: Serhii / Adobe Stock

Resumo da Notícia

Continua após o anúncio

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em votação simbólica realizada nesta quarta-feira (8), a PEC 19/2024, que reduz a carga horária dos profissionais de enfermagem para 36 horas semanais, sem corte no valor do piso salarial nacional.

Com o avanço na comissão, o texto agora segue para o plenário do Senado, abrindo uma nova etapa de uma proposta que mexe diretamente na rotina de enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras em todo o país.

A proposta é de autoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e teve relatoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES). O ponto central da PEC é claro: diminuir a jornada da categoria sem reduzir vencimentos, preservando integralmente o piso já existente.

Continua após o anúncio

O que a PEC da enfermagem muda na prática

Se o texto for adiante, o limite de trabalho semanal da categoria passará a ser de 36 horas. Hoje, muitos profissionais da área cumprem jornadas de até 44 horas semanais, o que mostra o tamanho da mudança pretendida.

Outro ponto relevante é que a proposta também estabelece que o reajuste anual do piso salarial não poderá ser inferior à inflação acumulada no ano anterior. A lógica da medida é impedir que o poder de compra da categoria seja corroído ao longo do tempo.

Leia tambémNikolas quer obrigar governo a compensar empresas por fim da escala 6×1

Na prática, a PEC junta dois eixos numa mesma proteção: menos horas de trabalho e preservação salarial, tanto no valor atual do piso quanto na reposição futura.

Por que a proposta tem apoio da categoria e cautela do governo

Continua após o anúncio

A redução da jornada é tratada como uma pauta sensível para a enfermagem porque atinge diretamente a carga de trabalho de profissionais que atuam em escalas intensas, muitas vezes em serviços essenciais e de alta pressão. O texto aprovado na CCJ tenta responder a essa demanda sem mexer para baixo na remuneração.

Ao mesmo tempo, o avanço da proposta é visto com cautela pela equipe econômica do governo. O motivo é direto: reduzir a jornada sem corte proporcional nos salários pode ampliar os custos operacionais dos hospitais e pressionar o orçamento de Estados e municípios.

Esse efeito é esperado porque a adaptação ao novo teto de 36 horas pode exigir ampliação do quadro de profissionais para cobrir escalas de plantão. Em outras palavras, a PEC tem apelo social e trabalhista evidente, mas carrega impacto fiscal e administrativo relevante para a rede pública e também para unidades privadas de saúde.

Como a nova PEC se conecta ao piso da enfermagem

O debate atual se soma a uma pauta que já havia provocado forte repercussão nacional. O piso da enfermagem foi aprovado por meio de PEC em 2022. No início do governo Lula, a União liberou um crédito especial de cerca de R$ 7,3 bilhões para ajudar no pagamento desses valores.

Leia tambémGoverno sanciona regra para resolver disputas territoriais entre municípios sem criar novas cidades

Na época, foram fixados os seguintes pisos: R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos em enfermagem e R$ 2.375 para auxiliares de enfermagem e parteiras.

A nova proposta avança justamente sobre o segundo grande eixo da discussão: depois do piso, a jornada. O que está em jogo agora não é apenas quanto a categoria recebe, mas quanto tempo poderá trabalhar por semana sem perda salarial.

Com a aprovação na CCJ, a PEC ganha força política, mas ainda precisará superar a votação em plenário. É ali que a proposta começará a medir, de fato, o tamanho do apoio que tem dentro do Senado e o peso da resistência orçamentária levantada nos bastidores.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.