Após saída de Toffoli, André Mendonça assume investigações do caso Master e muda eixo do inquérito no STF

O Supremo divulgou nota de apoio institucional a Toffoli, afirmando não haver suspeição ou impedimento, ao mesmo tempo em que reforçou que a redistribuição ocorreu por iniciativa do próprio ministro, com base no regimento interno.
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) - © Carlos Moura/SCO/STF

Resumo da Notícia

A redistribuição do inquérito que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master provocou uma mudança relevante no comando das investigações no Supremo Tribunal Federal. A relatoria, antes sob responsabilidade de Dias Toffoli, passou oficialmente para André Mendonça, que agora centraliza as decisões sobre os próximos passos do caso em tramitação na Corte.

A escolha ocorreu por meio de sorteio eletrônico, procedimento adotado após Toffoli solicitar formalmente seu afastamento do processo. O pedido veio depois de a Polícia Federal informar ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a existência de menções ao nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O conteúdo dessas mensagens permanece sob segredo de Justiça.

Com a redistribuição, André Mendonça passa a acumular a relatoria de dois inquéritos sensíveis. Além do caso Master, ele já conduz a investigação que apura descontos indevidos de mensalidades associativas em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tema que também envolve forte repercussão social e institucional.

Saída de Toffoli ocorreu após reunião reservada no STF

A decisão de deixar a relatoria foi tomada depois de uma reunião fechada que durou cerca de três horas, na qual os ministros do Supremo tiveram acesso ao relatório da Polícia Federal. No encontro, Toffoli apresentou sua defesa e manifestou o desejo de continuar à frente do processo. Ainda assim, diante do desgaste público e da pressão institucional, acabou optando pelo afastamento.

Em nota oficial, os ministros do Supremo manifestaram apoio pessoal a Toffoli e ressaltaram que não identificaram motivos formais de suspeição ou impedimento. O comunicado destaca que o ministro atendeu integralmente a todos os pedidos feitos pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

O texto também registra que a saída do processo ocorreu a pedido do próprio Toffoli, com base na prerrogativa prevista no Regimento Interno do STF, e que a Presidência da Corte acolheu a solicitação em nome do “bom andamento dos processos” e dos “altos interesses institucionais”.

Pressão pública e questionamentos sobre fundo de investimento

O afastamento de Toffoli ocorre após semanas de críticas, intensificadas por reportagens que revelaram irregularidades identificadas pela Polícia Federal em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. Esse fundo teria adquirido participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, empreendimento que pertence a familiares do ministro.

Em manifestação pública anterior, Toffoli confirmou ser sócio do resort, mas afirmou que não recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro, dono do banco investigado. Mesmo assim, o contexto alimentou questionamentos sobre a conveniência de sua permanência na relatoria.

Com a entrada de André Mendonça, o inquérito passa a ser conduzido por um ministro que não estava envolvido nas fases iniciais do caso, o que, na avaliação de interlocutores do Supremo, pode reforçar a percepção de imparcialidade e dar novo ritmo às investigações.

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