Após áudio, Flávio Bolsonaro admite visita a Vorcaro e afirma que queria “pôr ponto final”

O senador também defendeu Roberto Campos Neto no caso Master e afirmou que sua relação com Vorcaro foi “única e exclusivamente” ligada ao filme sobre Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado

Resumo da Notícia

  • O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter visitado o banqueiro Daniel Vorcaro após a primeira prisão do empresário no final de 2025.
  • O encontro ocorreu em São Paulo, enquanto Vorcaro cumpria medidas cautelares com tornozeleira eletrônica.
  • Flávio Bolsonaro afirmou que a reunião visava encerrar as tratativas sobre o financiamento de um filme sobre seu pai.
  • O parlamentar negou qualquer relação com o banqueiro fora do escopo do projeto cinematográfico.
  • A declaração foi feita após a divulgação de um áudio em que o senador cobra recursos de Vorcaro para a produção.
  • Flávio também defendeu o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a supervisão do Banco Master.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça-feira (19) que esteve na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, depois da primeira prisão do empresário, no fim de 2025. Segundo o parlamentar, o encontro ocorreu quando Vorcaro já usava tornozeleira eletrônica e tinha restrição para deixar a cidade de São Paulo.

A declaração foi dada após reunião com deputados e senadores do PL, na sede do partido, em Brasília. O encontro ocorreu depois da divulgação de um áudio em que Flávio cobra dinheiro de Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico. Ele não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que se ele tivesse ciente de que a situação era muito grave, eu teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”, declarou Flávio a jornalistas.

Vorcaro foi preso em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando tentava deixar o país em um jato particular. Ele ficou detido por cerca de dez dias e foi solto com tornozeleira eletrônica. No início de março deste ano, voltou a ser preso.

Flávio afirmou que só entendeu a dimensão do caso no fim de 2025, depois da prisão do banqueiro.

O filme estava em grande risco, o filme ia ser encerrado, seria uma grande catástrofe. No dia seguinte em que ele foi preso, nesse momento, é que nós vimos ali que deu a virada de chave, nós entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, falou.

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O senador também relatou que a aproximação com Vorcaro teria começado por sugestão recebida em um jantar no fim de 2024. Ele não informou quem apresentou a ideia.

Em um jantar com um amigo, comentando sobre o fim da dificuldade de arrumar investidores aqui no Brasil, … ele me disse que conhecia uma pessoa que já havia investido em outros filmes e me apresentou esse investidor que é o Vorcaro”, disse.

Flávio nega relação fora do projeto do filme

Depois da reunião com integrantes do PL, Flávio disse ter acalmado parlamentares do partido e voltou a afirmar que sua relação com Vorcaro estava limitada ao projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.

Estou bastante tranquilo, bastante calmo em reafirmar que qualquer relação minha com o Vorcaro foi única e exclusivamente por causa de um filme do meu pai”, contou.

O episódio ocorre em meio à movimentação política de Flávio, que é pré-candidato à Presidência. A fala busca delimitar a natureza do contato com o dono do Master e afastar a ideia de qualquer relação além da tentativa de viabilizar o financiamento do filme.

O senador também saiu em defesa do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, ao comentar uma possível omissão da autarquia na supervisão do caso Master.

Segundo Flávio, “o próprio presidente da República, Lula [Luiz Inácio Lula da Silva], dizendo para ele Vorcaro aguardar, porque ia trocar o presidente do Banco Central, dando a entender que, com o Gabriel Galípolo presente naquela sala, que seria o próximo presidente do Banco Central, as coisas se resolveriam”.

Uma prova de que o Roberto Campos Neto não tinha absolutamente nada a ver com a tentativa de ajudar o Banco Master”, continuou.

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