A vereadora de Goiânia, Aava Santiago (PSDB), tem se destacado no cenário nacional ao abordar temas como direitos das mulheres, violência de gênero e a influência da extrema direita nas igrejas brasileiras. Em entrevista ao programa DR com Demori, Aava, que também é evangélica, criticou a apropriação religiosa por projetos autoritários, um fenômeno que ela descreve como ‘bolsolatria’.
Criada na Assembleia de Deus, ela observou que a instrumentalização da Bíblia não é nova, mas sua escala atual é inédita. Ela questiona como o Evangelho, que prega o apoio aos marginalizados, pode ser usado para justificar a perseguição aos mesmos.
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A vereadora não poupou críticas ao bolsonarismo e a líderes evangélicos que, segundo ela, fizeram concessões políticas a ‘magnatas da fé’, que usaram o poder para atacar a esquerda. Aava denunciou a criação de uma ‘bolsolatria’, um movimento que ela considera uma nova fé, desviando fiéis de suas lideranças religiosas tradicionais.
“Essa gente que ficou multimilionária nos governos Lula, depois pegou todo esse aparato que foi estruturado dessa forma, com concessão de TV, com faculdade, e transformou esse aparato inteiro em ferramentas de ataque à democracia e ataque aos direitos humanos […] Eles criaram uma bolsolatria, eu lancei até um movimento lá em Goiânia, bolsolatria é pecado, porque é uma nova fé, é o bolsonarismo evangélico“.
Aava relatou que a radicalização de muitos fiéis levou a uma crise de liderança nas igrejas, com membros migrando para candidatos apoiados por Bolsonaro em vez de seguir as indicações de seus pastores.
A parlamentar também abordou a questão da desumanização das mulheres no Brasil, argumentando que essa é a raiz da violência de gênero e da desigualdade. Para ela, os crimes contra mulheres devem ser entendidos como um problema cultural profundo, e não apenas como casos isolados de segurança pública.
“Vem desse pressuposto a disposição sobre os nossos corpos, vem desse pressuposto desprezar o nosso consentimento, vem desse pressuposto o nosso empobrecimento. Se a gente é desumanizada, nada que alcance a plenitude da humanidade nos pertence e nos é devido”.
Aava Santiago tem usado as redes sociais para ampliar o debate sobre esses temas, buscando alcançar um público mais amplo com uma linguagem direta e emocional.
“A gente vai ter que amplificar o alcance das nossas parcerias. Se a gente não abrir mão do nosso tribunal de virtudes para chegar mais longe, a gente vai ficar andando em círculos.”
