Trump ameaça “tomar” Cuba e sugere envio de porta-aviões para a costa da ilha

Donald Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam “tomar” Cuba “quase imediatamente” e sugeriu enviar o porta-aviões USS Abraham Lincoln para perto da costa cubana, em uma fala que aumentou a tensão diplomática no Caribe.
Trump ameaça tomar Cuba e sugere envio de porta-aviões ao Caribe
Reprodução/YouTube The White House

Resumo da Notícia

  • Donald Trump ameaçou “tomar” Cuba “quase imediatamente” e sugeriu o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para a costa da ilha.
  • A declaração ocorreu no mesmo dia em que a Casa Branca anunciou novas sanções contra o governo cubano, visando setores estratégicos como energia e defesa.
  • As sanções secundárias autorizam medidas contra pessoas ou instituições estrangeiras que facilitem transações com alvos cubanos.
  • O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e o chanceler Bruno Rodríguez classificaram as sanções como “brutal bloqueio genocida” e “punição coletiva”.
  • A escalada de tensões segue uma ordem executiva de 29 de janeiro, que declarou “emergência nacional” diante da suposta ameaça cubana.
  • Washington acusa Cuba de se alinhar a países como Rússia, China e Irã, além de grupos como Hamas e Hezbollah.
  • O bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba já dura mais de seis décadas, e as novas medidas endurecem ainda mais o quadro.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra Cuba e afirmou que seu governo poderia “tomar” a ilha “quase imediatamente”, em meio a uma nova rodada de sanções anunciada pela Casa Branca contra o governo cubano. Em discurso na Flórida, Trump sugeriu o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para as proximidades da costa cubana e disse que a pressão militar levaria Havana à rendição.

De volta do Irã, faremos com que um dos nossos grandes… talvez o porta-aviões USS Abraham Lincoln, o maior do mundo; faremos com que ele chegue até lá, pare a umas 100 jardas da costa, e eles dirão: ‘Muito obrigado, nos rendemos’”, afirmou Trump, segundo veículos que repercutiram a fala. O navio foi descrito por Trump como “o maior do mundo”, embora essa caracterização tenha sido feita dentro da declaração política do presidente.

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Casa Branca amplia sanções contra Cuba

A declaração ocorreu no mesmo dia em que a Casa Branca anunciou novas sanções contra o governo cubano. Segundo a Reuters, Trump assinou uma ordem executiva ampliando medidas contra pessoas, entidades e apoiadores ligados ao aparato de segurança de Cuba, além de setores considerados estratégicos pela administração norte-americana, como energia, defesa, mineração, metais, finanças e segurança.

A ordem também autoriza sanções secundárias contra pessoas ou instituições estrangeiras que realizem ou facilitem transações com alvos definidos pelas medidas dos Estados Unidos. A Casa Branca justificou a decisão afirmando que Cuba representa ameaça à segurança nacional e à política externa norte-americana, além de acusar Havana de manter vínculos com governos e grupos considerados hostis por Washington.

Cuba reage e acusa EUA de reforçar bloqueio

O governo cubano reagiu às novas medidas e classificou as sanções como coercitivas. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nas redes sociais que a decisão reforça o “brutal bloqueio genocida” imposto à ilha. Segundo a Reuters, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, também declarou que as sanções buscam impor “punição coletiva ao povo cubano” e disse que o país não será intimidado.

Díaz-Canel também criticou a postura de Trump e afirmou que a ordem executiva evidencia a “pobreza moral” do presidente norte-americano e seu “desprezo” pelo povo dos Estados Unidos e pela comunidade internacional. Havana rejeita de forma recorrente as acusações feitas por Washington e afirma que defenderá sua soberania e integridade territorial.

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Ordem de janeiro declarou “emergência nacional”

A escalada ocorre após uma ordem executiva assinada por Trump em 29 de janeiro, que declarou uma “emergência nacional” diante do que Washington classificou como “ameaça incomum e extraordinária” representada pelo governo cubano à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos.

No texto, a Casa Branca acusou Cuba de se alinhar a “numerosos países hostis”, incluindo Rússia, China e Irã, além de citar Hamas e Hezbollah. A ordem também afirmou que a ilha permitiria a presença de capacidades militares e de inteligência estrangeiras em seu território.

Com base nessas alegações, Washington passou a prever tarifas adicionais sobre produtos de países que vendam ou forneçam petróleo direta ou indiretamente a Cuba. A medida ampliou a pressão econômica sobre a ilha e abriu caminho para retaliações contra governos, empresas ou instituições que atuem em desacordo com a política definida pela Casa Branca.

Trump já havia prometido “grande mudança” em Cuba

As ameaças mais recentes reforçam uma linha de pressão adotada por Trump desde o início do ano. Em 7 de março, o presidente norte-americano afirmou que “uma grande mudança em breve chegará a Cuba” e disse que o país estaria chegando “ao fim do caminho”, segundo o material divulgado sobre a escalada entre Washington e Havana.

A nova fala, porém, amplia o grau de tensão ao combinar ameaça militar direta, referência ao envio de um porta-aviões e endurecimento das sanções econômicas. O cenário se soma à ofensiva norte-americana contra o Irã e à possibilidade, sugerida pelo próprio Trump, de abertura de outro foco de conflito no Caribe.

Bloqueio econômico dura mais de seis décadas

Os Estados Unidos mantêm há mais de seis décadas um bloqueio econômico e comercial contra Cuba. Ao longo dos anos, Washington ampliou medidas restritivas contra a ilha, enquanto Havana passou a denunciar o embargo como um dos principais fatores de pressão sobre sua economia.

A nova etapa anunciada por Trump endurece esse quadro ao mirar setores econômicos, agentes do governo cubano e eventuais empresas estrangeiras que mantenham relações com áreas sancionadas. Para a Casa Branca, trata-se de uma estratégia de segurança nacional sob a política de “América Primeiro”. Para Cuba, as medidas representam mais um capítulo de coerção econômica e ameaça à soberania da ilha.

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