Resumo da Notícia
A cada ano, milhões de fiéis se fazem a mesma pergunta: quando começa a Quaresma e o que esse período realmente representa na vida da Igreja Católica? Mais do que uma simples marca no calendário, a Quaresma é um tempo litúrgico profundamente simbólico, voltado à conversão interior, à mudança de atitudes e à preparação espiritual para a Páscoa, o coração da fé cristã.
Em 2026, a Quaresma terá início na Quarta-feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro, e se estenderá até a Quinta-feira Santa, em 2 de abril, antes da Missa da Ceia do Senhor, que inaugura o Tríduo Pascal. Trata-se de um ciclo que se repete todos os anos, mas nunca nas mesmas datas, o que costuma gerar dúvidas entre os fiéis.
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Essa variação ocorre porque a Quaresma está diretamente ligada à data da Páscoa, que não segue um dia fixo. A celebração pascal acontece no primeiro domingo após a primeira lua cheia posterior ao equinócio de março, critério estabelecido desde os primeiros séculos do cristianismo. Como a Páscoa muda, todo o calendário litúrgico que a antecede também se reorganiza.
Por que a Quaresma dura cerca de 40 dias?
O número que dá nome ao período não é aleatório. Os 40 dias da Quaresma carregam forte significado bíblico e espiritual. Ele remete, por exemplo, aos quarenta dias que Jesus Cristo passou em oração e jejum no deserto antes de iniciar sua vida pública, bem como aos quarenta anos em que o povo de Israel caminhou rumo à Terra Prometida.
Na tradição cristã, esse número simboliza tempo de prova, purificação e preparação, não como castigo, mas como oportunidade de reencontro com Deus e consigo mesmo. A Quaresma, portanto, não é um período triste por essência, mas um caminho consciente de revisão de vida.
Os três pilares que sustentam a Quaresma
Para que esse tempo não se torne apenas ritual, a Igreja propõe práticas concretas que ajudam o fiel a vivê-lo com profundidade. Tradicionalmente, a Quaresma se apoia em três pilares fundamentais:
Oração
Mais do que repetir fórmulas, a oração quaresmal convida ao silêncio interior, à escuta da Palavra e à meditação das Escrituras. É um chamado a fortalecer o relacionamento pessoal com Deus, reorganizando prioridades espirituais.
Jejum
O jejum não se limita à alimentação. Ele é entendido como exercício de autocontrole e liberdade interior, ajudando o fiel a reconhecer excessos e dependências que afastam do essencial.
Caridade
A conversão não se completa sem o cuidado com o outro. A Quaresma convida a transformar fé em atitude concreta, por meio da solidariedade, da partilha e do compromisso com os mais vulneráveis.
Esses três pilares se complementam e dão sentido à vivência quaresmal, evitando que o período se reduza a práticas isoladas ou meramente formais.
Ritos e práticas que marcam esse tempo litúrgico
Alguns ritos específicos ajudam a identificar a Quaresma dentro do calendário da Igreja. O mais conhecido deles é a Imposição das Cinzas, realizada na Quarta-feira de Cinzas. Nesse dia, os fiéis recebem cinzas na testa como sinal de humildade e lembrança da fragilidade humana, acompanhadas do convite à conversão.
Outro aspecto importante é o jejum e a abstinência, orientados pela Igreja especialmente na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, além da abstinência de carne em todas as sextas-feiras da Quaresma. Essas práticas têm caráter pedagógico e espiritual, ajudando a viver com mais simplicidade e consciência.
No Brasil, a Quaresma também é marcada por iniciativas coletivas de reflexão e ação social, como a Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que propõe todos os anos um tema ligado à realidade social do país, incentivando o compromisso cristão com a transformação da sociedade.
Papa propõe jejum que vai além da comida
Para a Quaresma de 2026, o Papa Leão XIV trouxe uma reflexão que amplia ainda mais o sentido do jejum tradicional. Em sua mensagem intitulada “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”, o Pontífice chamou a atenção para a necessidade de um jejum das palavras que ferem.
Segundo o Papa, a Quaresma é um tempo “em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”. Ele propõe que os fiéis pratiquem um jejum que “também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro”.
A proposta reforça a dimensão relacional da Quaresma, lembrando que a conversão cristã não se limita ao plano individual, mas se manifesta também na forma como cada pessoa se comunica, escuta e convive.

