Putin corteja europeus em meio à crise com os EUA por causa da Groenlândia

O movimento diplomático russo ocorre em meio às ameaças de Donald Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, sob a justificativa de presença estratégica de China e Rússia no Ártico, o que gerou reação e mobilização militar europeia.
Putin corteja europeus em meio à crise com os EUA por causa da Groenlândia
Vladimir Putin durante a reunião com membros permanentes do Conselho de Segurança (Foto: Kremlin)

Resumo da Notícia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou estar aberto a “melhorar” as relações com países da Europa em um momento de tensão crescente entre aliados europeus e os Estados Unidos, após declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade de anexação da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.

As declarações foram feitas durante um encontro com embaixadores europeus em Moscou. Na ocasião, Putin afirmou que os vínculos da Rússia com países como França, República Tcheca, Portugal, Noruega, Suécia, Áustria, Suíça e Itália possuem raízes históricas profundas e são ricos em exemplos de colaborações mutuamente benéficas, mas reconheceu que, atualmente, essas relações deixam a desejar.

Segundo o presidente russo, o desgaste diplomático não teria sido provocado por Moscou. Hoje o diálogo e os contatos, e não por nossa culpa, foram reduzidos ao mínimo, e a interação sobre questões cruciais nos âmbitos internacional e regional foi congelada, declarou. Ainda assim, Putin sustentou que o Kremlin continua empenhado em melhorar as conexões com a Europa e está pronto a restabelecer o nível de relações de que precisamos.

O pano de fundo da Groenlândia e a tensão no Ártico

As falas ocorrem em meio ao debate internacional provocado pelas ameaças de Trump de tomar a Groenlândia, justificadas por uma suposta presença naval da China e da Rússia no Ártico. O cenário levou países europeus a enviarem militares à ilha, numa demonstração clara de apoio à Dinamarca diante das investidas americanas. O episódio expôs fissuras dentro do bloco ocidental e abriu espaço para que Moscou tentasse reposicionar seu discurso em relação à Europa.

De acordo com a agência ANSA, o movimento de Putin foi interpretado como uma tentativa de explorar esse momento de desconforto entre aliados históricos.

Questionado sobre as declarações do presidente russo durante um evento em Roma, o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, foi direto ao atribuir a deterioração das relações à própria Rússia. Para ele, se os laços atuais com Moscou “deixam a desejar”, isso ocorre por decisões tomadas pelo Kremlin.

É porque nós defendemos a Ucrânia, mas nós não estamos em guerra com a Rússia, nunca estivemos, não estamos em guerra com o povo russo. Falamos apenas que o Kremlin errou, que a invasão à Ucrânia é um ato que consideramos absolutamente ilegítimo, nada além disso, afirmou Tajani, reforçando a posição europeia de apoio à Ucrânia e de condenação à ofensiva russa.

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