Resumo da Notícia
O papa Leão XIV afirmou neste sábado (18) que não tem interesse em discutir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e tentou reduzir a leitura de confronto político em torno de declarações feitas durante sua viagem pela África.
Falando à imprensa no voo de Camarões para Angola, na terceira etapa de sua turnê pelo continente, o pontífice disse que seus discursos vinham sendo preparados com antecedência e negou que estivesse tentando responder ao presidente norte-americano.
O recuo verbal veio depois de dias de tensão pública. Segundo Leão XIV, os comentários feitos em Camarões e em outros compromissos recentes acabaram sendo interpretados como uma nova tentativa de embate com Trump, algo que ele afirmou não desejar.
Robert Prevost declarou: “No entanto, isso foi interpretado como se eu estivesse a tentar debater novamente com o presidente [Trump], o que não me interessa de forma alguma“, acrescentando: “Sigamos a nossa jornada, continuemos a proclamar a mensagem do Evangelho para promover a fraternidade“.
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O que o papa disse no voo para Angola
Ao falar com jornalistas, o papa afirmou que reportagens sobre comentários feitos por ele durante a viagem pela África “não foram precisas em todos os aspectos”. Em inglês, a bordo do voo para Angola, ele explicou que o discurso em que afirmou que o mundo estava sendo “devastado por um punhado de tiranos” não foi dirigido a Trump.
Segundo Leão XIV, a fala havia sido preparada antes do agravamento do atrito com o presidente dos Estados Unidos. Nas palavras do pontífice, o texto “foi preparado duas semanas antes, muito antes de o presidente comentar sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou promovendo”.
Mais tarde, reforçou o mesmo ponto de forma direta: “Acabou sendo interpretado como se eu estivesse tentando debater com o presidente, o que não é do meu interesse”.
Como o atrito com Trump escalou nos últimos dias
O desgaste público entre os dois ganhou força nos últimos dias. No último dia 12, Trump atacou o papa nas redes sociais, chamando-o de “fraco”. No domingo, quando Leão XIV se preparava para iniciar a viagem à África, o presidente voltou à carga e o definiu como “fraco no combate ao crime e terrível em política externa” em uma publicação na Truth Social.
O presidente também publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus. A postagem provocou críticas generalizadas, inclusive entre conservadores religiosos que normalmente o apoiam, e foi removida na manhã de segunda-feira.
O pano de fundo político desse atrito, segundo o que passou a ser observado nos últimos dias, é a reação de Trump às críticas crescentes feitas por Leão XIV à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Na segunda-feira, o pontífice disse à Reuters que continuaria se manifestando sobre o conflito. Na terça, Trump voltou a criticá-lo.
Na quinta-feira, o papa endureceu novamente o tom ao criticar líderes que gastam bilhões em guerras e afirmar que o mundo está sendo “devastado por um punhado de tiranos”, sem citar Trump diretamente. Foi essa fala, agora reinterpretada pelo próprio pontífice, que ajudou a ampliar a leitura de confronto aberto entre os dois.
Viagem à África marca mudança de tom do pontificado
Nascido em Chicago e primeiro papa norte-americano, Leão XIV havia mantido um perfil relativamente discreto nos primeiros dez meses de pontificado. A viagem à África, porém, passou a marcar uma fase de postura mais incisiva, com críticas duras à guerra, à desigualdade e a líderes globais.
A turnê africana também chama atenção pela dimensão logística. Trata-se de uma das viagens mais complexas já organizadas para um papa, com paradas em 11 cidades de quatro países e cerca de 18 mil quilômetros percorridos em 18 voos. Foi nesse contexto de agenda intensa e exposição internacional que o pontífice decidiu deixar claro que pretende seguir concentrado em sua mensagem pública, e não em uma disputa pessoal com Trump.
