Papa Leão XIV critica líderes que gastam bilhões em guerras e diz que mundo está “sendo devastado por alguns tiranos”

A fala foi uma das mais incisivas do discurso e amplia um posicionamento que o pontífice já vinha dando sinais de adotar nos últimos meses.
Papa Leão XIV reage a guerras, critica tiranos e endurece discurso após ataques de Trump
Papa Leão XIV reage a guerras, critica tiranos e endurece discurso após ataques de Trump - @Vatican Media

Resumo da Notícia

  • Papa Leão XIV criticou duramente líderes que gastam bilhões em guerras enquanto faltam recursos essenciais.
  • Ele afirmou que o mundo está "sendo devastado por alguns tiranos" durante sua visita a Camarões.
  • O pontífice condenou o uso da religião para justificar conflitos e pediu uma "mudança decisiva de rumo".
  • A declaração ocorreu em meio a tensões, após novos ataques do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ao papa nas redes sociais.
  • Leão XIV também criticou o direcionamento de recursos públicos para a destruição em vez de cura, educação e restauração.
  • O papa já havia se posicionado contra a guerra do Irã e os ataques israelenses e norte-americanos.
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O papa Leão XIV fez nesta quinta-feira (16), durante visita a Camarões, uma das críticas mais duras de seu pontificado ao cenário internacional ao afirmar que o mundo está sendo devastado por alguns tiranos e ao condenar líderes que gastam bilhões em guerras enquanto faltam recursos para áreas essenciais.

Primeiro papa dos Estados Unidos, ele também atacou o uso de linguagem religiosa para justificar conflitos e pediu uma mudança decisiva de rumo, em um discurso feito num contexto de tensão ampliada depois de novos ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, nas redes sociais.

A fala ocorreu durante um encontro na maior cidade das regiões anglófonas de Camarões, onde um conflito latente que se arrasta há quase uma década já deixou milhares de mortos. O local escolhido para a declaração deu peso adicional à mensagem do pontífice, que vinculou a devastação provocada pelas guerras ao fracasso moral de lideranças políticas e militares que seguem apostando na destruição.

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Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir, disse o papa.

Na sequência, reforçou a crítica ao modo como recursos públicos e estratégicos são direcionados em escala global: Eles fecham os olhos para o fato de que bilhões de dólares são gastos em mortes e devastação, mas os recursos necessários para cura, educação e restauração não são encontrados em lugar algum.

Papa também condena uso da religião como justificativa para guerras

Um dos pontos centrais da manifestação de Leão XIV foi a crítica direta a governantes e atores políticos que recorrem à religião para sustentar ou legitimar campanhas militares. A fala foi uma das mais incisivas do discurso e amplia um posicionamento que o pontífice já vinha dando sinais de adotar nos últimos meses.

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Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira, afirmou.

Em outro trecho, reforçou o tom de denúncia moral: É um mundo virado de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta.

A declaração dialoga com falas semelhantes feitas no mês passado, quando o papa disse que Deus rejeitava as orações de líderes com “mãos cheias de sangue”, em comentários amplamente interpretados como dirigidos ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou linguagem cristã para justificar a guerra do Irã.

Ataques de Trump aumentam tensão política em torno da viagem

O discurso desta quinta-feira veio depois de uma nova sequência de ataques públicos de Donald Trump contra o pontífice. Segundo o Vatican News, as críticas do presidente norte-americano, feitas inicialmente na véspera da ambiciosa turnê de quatro países africanos e repetidas na terça-feira (14), causaram consternação na África, onde vivem mais de um quinto dos católicos do mundo.

Trump iniciou os ataques no domingo (12), quando chamou Leão XIV de fraco sobre crime e péssimo para a política externa em publicação no Truth Social. Depois, voltou a atacá-lo na terça e na quarta-feira.

Em uma das postagens, publicou uma imagem de Jesus abraçando-o, depois de já ter divulgado anteriormente uma imagem em que aparecia como figura semelhante a Jesus, gesto que provocou críticas generalizadas.

A tensão ganhou ainda mais peso porque Leão XIV, que manteve perfil relativamente discreto durante boa parte de seu primeiro ano à frente da Igreja de 1,4 bilhão de seguidores, passou a assumir posição mais explícita diante de guerras recentes. Ele surgiu como crítico declarado da guerra iniciada com os ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã.

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