Renúncia de Keir Starmer e a Sucessão no Partido Trabalhista
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o cargo e também a liderança do Partido Trabalhista. A decisão abre uma disputa interna que deve definir o próximo chefe de governo britânico antes do fim do recesso parlamentar, em setembro.
Starmer, de 63 anos, está no cargo desde 5 de julho de 2024, quando os trabalhistas voltaram ao poder após 14 anos de governos conservadores. Ele permanecerá como premiê até a escolha do novo líder do partido.
O nome mais forte para a sucessão é Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester. Ele confirmou nesta segunda-feira que disputará a liderança trabalhista. Se não houver concorrente, a transferência de poder pode ocorrer ainda em julho. Caso a disputa interna avance, o novo primeiro-ministro deve assumir apenas em setembro.
Em discurso diante do número 10 de Downing Street, Starmer afirmou que o próprio partido passou a questionar se ele ainda era o melhor nome para liderar a legenda nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.
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“A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e a aceito de bom grado”, disse Starmer.
Ele também informou ter pedido ao Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista que estabeleça um calendário para a eleição do novo líder.
“Permanecerei no cargo de primeiro-ministro até que a disputa seja concluída e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder tranquila”, afirmou.
Como os trabalhistas têm maioria na Câmara dos Comuns, o próximo líder do partido será designado primeiro-ministro sem necessidade automática de eleição geral antecipada.
Crise no partido e desgastes
No discurso, Starmer defendeu o legado de seu governo. Citou crescimento econômico, redução de filas no sistema público de saúde e apoio à Ucrânia. Disse ainda deixar ao sucessor “um país mais forte e mais justo”.
Também afirmou ter recebido, em 2020, um Partido Trabalhista em “falência política e moral” e disse ter devolvido credibilidade à legenda.
O premiê, porém, não tratou diretamente de temas que desgastaram sua imagem. Entre eles estão a derrota trabalhista nas eleições municipais de maio e a nomeação de Peter Mandelson, ligado ao já morto financista Jeffrey Epstein, como embaixador nos Estados Unidos.
Caminho aberto para Burnham
Andy Burnham agradeceu publicamente a Starmer e confirmou a candidatura à liderança.
“Keir prestou um enorme serviço ao nosso país e quero agradecê-lo por sua liderança e dedicação em um período tão difícil”, declarou Burnham.
A dúvida agora é se Burnham chegará ao comando sem disputa ou se outro nome entrará na corrida. Um possível concorrente citado nos bastidores trabalhistas é Wes Streeting, ex-secretário da Saúde.
Se Burnham for o único postulante, o processo pode ser resolvido rapidamente. Com disputa interna, o calendário deve empurrar a sucessão para setembro.
Oposição cobra eleição antecipada
A renúncia de Starmer provocou reação imediata da oposição. Nigel Farage, líder do partido de direita Reform UK, cobrou eleições antecipadas.
“Estamos prontos para promover uma mudança radical. Se os trabalhistas acham que vão instalar outro político profissional no número 10, estão muito enganados”, declarou.
O Partido Conservador rejeitou essa possibilidade. O secretário sombra Alex Burghart afirmou que uma nova eleição não é necessária nesse caso.
“Não são necessárias eleições neste caso”, disse Burghart.
O Reino Unido caminha para ter seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos, em uma sequência de instabilidade política que se intensificou desde o referendo do Brexit, que levou à saída do país da União Europeia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou homenagem a Starmer após o anúncio.
“Muitos líderes levam anos para se tornar o estadista que você conseguiu ser em apenas dois”.
A saída de Starmer encerra uma gestão curta e recoloca o Partido Trabalhista diante de uma troca de comando em pleno exercício de maioria parlamentar.
Com informações da Agência ANSA*
