Resumo da Notícia
A reação do Irã ao discurso de Donald Trump veio em tom de ameaça militar direta e também com impacto sobre uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia. Enquanto o Exército iraniano prometeu ataques “esmagadores” contra os Estados Unidos e Israel, o ministro das Relações Exteriores do país reforçou que o Estreito de Ormuz seguirá fechado para embarcações “das partes envolvidas na agressão militar” contra Teerã.
A resposta foi anunciada após o pronunciamento feito por Trump na noite da última quarta-feira (1º). Em um discurso de 19 minutos na televisão, o presidente afirmou que os objetivos dos EUA no conflito estão perto de ser alcançados e disse que pretende levar o país persa “de volta à Idade da Pedra” se não houver acordo, com bombardeios intensos nas próximas “duas ou três semanas”.
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Foi diante dessa fala que o comando militar do Irã elevou o tom. Em comunicado citado pela agência de notícias semioficial Mehr, a cúpula do Exército afirmou: “Se Deus quiser, esta guerra trará humilhação, derrota, arrependimento e capitulação”. Na sequência, o texto endureceu ainda mais a mensagem: “Aguardem nossas ações mais esmagadoras, abrangentes e destrutivas”.
Hatami manda tropas se prepararem para qualquer cenário
O aviso não ficou restrito ao comunicado militar. O comandante-chefe do Exército iraniano, Abdolrahim Hatami, ordenou que as forças do país estejam preparadas para qualquer tipo de ataque, inclusive uma invasão terrestre. A determinação mostra que a resposta anunciada por Teerã não foi tratada apenas como uma reação política ao discurso americano, mas também como um alerta operacional às tropas.
A declaração de Hatami foi direta e sem margem para suavização: “Se o inimigo lançar uma operação por terra, nenhum deles deve sair vivo”. A frase amplia o peso da resposta iraniana porque insere, de forma explícita, a possibilidade de confronto terrestre no centro da crise.
Ao mesmo tempo em que os militares endureciam o discurso, o governo iraniano também reforçava sua posição em relação ao Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a rota continuará fechada para embarcações ligadas aos países que participam da agressão militar contra Teerã.
A declaração tem relevância imediata porque o Estreito de Ormuz é descrito como uma rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico. Ao manter a restrição para embarcações dessas partes, o Irã amplia a resposta para além do campo militar e atinge um ponto estratégico da circulação de energia na região.
Araghchi afirmou: “Já o trânsito de navios pertencentes a outros países está sendo coordenado com as respectivas autoridades iranianas”. A fala foi dada em conversa telefônica com seu homólogo vietnamita, Le Hoai Trung.