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Comissão da ONU afirma que Israel comete genocídio em Gaza

O texto cita nominalmente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant como responsáveis por incitar a prática de genocídio, sem que houvesse punição interna.
ONU acusa Israel de genocídio em Gaza em relatório histórico
Imagem: Frame de vídeo na rede social X / Reprodução

Resumo da Notícia

  • Comissão da ONU conclui que Israel cometeu genocídio em Gaza.
  • Relatório cita assassinatos, danos físicos e mentais e condições de destruição.
  • Netanyahu, Herzog e Gallant são apontados por incitação ao genocídio.
  • ONU coopera com o Tribunal Penal Internacional e compartilha provas.
  • Governo israelense nega acusações e chama investigação de “falsa” e “antissemita”.

A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre os territórios palestinos ocupados afirmou nesta terça-feira (16) que Israel comete genocídio na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. O relatório de 72 páginas marca a primeira vez que investigadores das Nações Unidas chegam a essa conclusão.

Concluímos que um genocídio está ocorrendo em Gaza e que a responsabilidade recai sobre o Estado de Israel”, disse a presidente da comissão, Navi Pillay, ex-chefe de direitos humanos da ONU. O documento cita que o país “cometeu quatro atos genocidas” após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e a resposta militar israelense.

O relatório destaca que os crimes incluem:

  • assassinatos de palestinos em Gaza;
  • graves danos físicos e mentais à população;
  • imposição de condições de vida que podem levar à destruição do grupo, total ou parcial;
  • medidas destinadas a impedir nascimentos entre os palestinos.

Além dos atos, os investigadores indicaram que declarações de autoridades civis e militares, somadas ao padrão de operações militares, demonstram a intenção de destruir os palestinos de Gaza como grupo. O texto cita nominalmente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant como responsáveis por incitar a prática de genocídio, sem que houvesse punição interna.

A responsabilidade por esses crimes atrozes cabe aos mais altos escalões das autoridades israelenses”, disse Pillay.

A comissão também informou que colabora com o Tribunal Penal Internacional (TPI), que já expediu mandados de prisão contra Netanyahu e Gallant. Navi Pillay acrescentou: “Compartilhamos milhares de informações com eles”.

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Embora a comissão da ONU não tenha poder estatutário, seus relatórios podem ser usados como base de pressão diplomática e em processos judiciais futuros.

Resposta de Israel

O governo israelense rejeitou as conclusões. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a investigação é “falsa” e conduzida por “antissemitas”. Em comunicado publicado no X, disse: “Três indivíduos agindo como representantes do Hamas, conhecidos por suas posições abertamente antissemitas — e cujas declarações horríveis sobre os judeus foram condenadas em todo o mundo — publicaram hoje outro ‘relatório’ falso sobre Gaza”.

A nota acrescenta que o documento “baseia-se inteiramente em falsidades recicladas e repetidas do Hamas” e que “essas invenções já foram amplamente desmascaradas”. Israel concluiu pedindo a dissolução imediata da comissão.

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