Resumo da Notícia
O cão Tsunami, um Border Collie de 9 anos, virou um dos símbolos das buscas por sobreviventes após o terremoto que atingiu a Venezuela. Integrante das Equipes Caninas de Intervenção em Desastres (Ksar-Ecid), ele ajudou a localizar pessoas com vida sob os escombros e deve encerrar a carreira justamente em uma das missões mais difíceis do país.
Segundo os bombeiros de Caracas, Tsunami indicou a localização de 12 sobreviventes em dois dias de trabalho. A atuação do cão ganhou repercussão nas redes sociais enquanto equipes de resgate avançavam para áreas mais atingidas, como La Guaira, classificada pelas autoridades venezuelanas como zona de desastre.
O terremoto deixou destruição em diferentes regiões da Venezuela.
Quem é Tsunami?
Tsunami não começou a vida como herói. Em 2017, ele foi resgatado pela Associação Pró-Defesa dos Animais (Aproa) após ser vítima de maus-tratos. Segundo a ONG, o cão ainda filhote estava desnutrido e precisava de cuidados.
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Depois do resgate, a associação percebeu que ele tinha características importantes para busca e salvamento: inteligência, foco, energia e capacidade de aprendizado. Por ser um Border Collie, raça conhecida pela facilidade de treinamento, Tsunami foi encaminhado para formação especializada.
Foi nesse processo que ele chegou ao Ksar-Ecid, grupo de elite voltado a operações com cães em áreas de desastre.
Em operações de escombros, cães treinados são usados para identificar sinais humanos onde máquinas e equipes ainda não conseguem chegar com segurança. O animal percorre áreas instáveis, fareja possíveis sobreviventes e sinaliza aos socorristas o ponto onde a escavação deve começar.
De sobrevivente a cão de resgate
A trajetória de Tsunami ganhou força justamente pelo contraste entre o passado e o presente. O cão que foi resgatado em situação de maus-tratos passou a atuar em missões de busca em desastres naturais.
Depois do treinamento, ele começou a participar de operações na Venezuela. Um dos momentos mais importantes da carreira ocorreu na tragédia de Las Tejerías, no estado de Aragua, quando deslizamentos e inundações deixaram mortos e desaparecidos.
Em 2023, Tsunami também integrou uma equipe venezuelana enviada à Síria e à Turquia após os terremotos que devastaram os dois países. Na época, os tremores de magnitudes 7,7 e 7,8 deixaram mais de 50 mil mortos e cerca de 107 mil feridos.
Última missão antes da aposentadoria
Aos 9 anos, Tsunami já é considerado um cão sênior para esse tipo de operação. Por isso, durante as buscas atuais, ele passou a ser acompanhado de perto por um veterinário.
Em vídeo divulgado pelas equipes, o veterinário Aníbal Hurtado afirmou que o cão estava em bom estado geral, apesar do desgaste físico. Segundo ele, Tsunami recebeu hidratação e relaxante muscular para continuar trabalhando.
“Não vemos nenhuma alteração importante, apesar do desgaste físico, mas ele é um cão treinado para isso, então temos certeza de que vai continuar colaborando”, disse Hurtado.
Segundo relato do treinador Donato Spinelli, esta será a última operação de resgate de Tsunami antes da aposentadoria.
“Queremos compartilhar com vocês, com uma mistura de nostalgia e orgulho infinito, que esta será a última operação de resgate da carreira de Tsunami. Nosso campeão já está a caminho da aposentadoria, após anos de serviço impecável”, escreveu.
Em tragédias, histórias como a de Tsunami ajudam a dar rosto a uma operação que envolve números altos, perdas e incertezas. O cão virou símbolo porque representa duas camadas de sobrevivência: primeiro, a própria recuperação após maus-tratos; depois, a capacidade de ajudar outras pessoas a sobreviverem.
A atuação também chama atenção para o trabalho de equipes caninas em desastres. Em áreas de colapso estrutural, cada minuto conta, e cães treinados podem acelerar a localização de vítimas onde equipamentos ainda não conseguem operar.
