Resumo da Notícia
O governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar a Brasília para tratar do processo eleitoral brasileiro. A decisão atingiu Riley M. Barnes e Samuel Samson, integrantes do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho da diplomacia norte-americana.
A negativa ocorreu na sexta-feira (24) e foi confirmada à Reuters por duas autoridades brasileiras com conhecimento do caso.
Segundo a apuração, o pedido de visto oficial chegou ao governo brasileiro em 20 de julho. Barnes e Samson pretendiam viajar ao país na semana seguinte.
O Departamento de Estado havia confirmado ao jornal norte-americano The Washington Post que os dois tinham uma viagem programada para Brasília. A pasta, entretanto, não esclareceu a finalidade da visita nem informou publicamente quais autoridades integrariam a agenda.
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
Após a recusa dos vistos, o governo dos Estados Unidos não havia divulgado uma manifestação oficial até a publicação desta matéria.
Quem são Riley Barnes e Samuel Samson
Riley M. Barnes ocupa o cargo de secretário-assistente no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado. Samuel Samson atua como secretário-assistente adjunto na mesma divisão.
De acordo com a estrutura oficial do Departamento de Estado, o escritório é responsável por formular políticas norte-americanas relacionadas à democracia, aos direitos humanos, ao Estado de Direito e às condições políticas de outros países.
A viagem dos dois foi revelada inicialmente pelo The Washington Post, que ouviu quatro autoridades brasileiras e norte-americanas sob condição de anonimato. O jornal informou que os enviados planejavam discutir o sistema eletrônico de votação brasileiro.
Governo brasileiro viu risco de interferência eleitoral
Autoridades brasileiras avaliaram que a visita poderia ser utilizada para colocar em dúvida a integridade das eleições de outubro. Na interpretação dessas fontes, a iniciativa representaria uma tentativa de interferir ou influenciar o debate eleitoral brasileiro.
Depois de solicitarem os vistos, representantes do governo norte-americano fizeram sondagens para conversar com autoridades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também teria sido cogitada uma reunião com o senador Flávio Bolsonaro, aliado político do presidente norte-americano Donald Trump e candidato à Presidência pelo PL.
Não houve confirmação pública de que esses encontros estivessem efetivamente marcados.
Viagem não era uma missão eleitoral credenciada
As informações divulgadas até agora não apresentam Barnes e Samson como integrantes de uma missão de observação eleitoral credenciada pela Justiça Eleitoral brasileira.
O TSE possui regras próprias para o acompanhamento das eleições. As instituições observadoras precisam ser formalmente credenciadas, e seus integrantes devem respeitar a imparcialidade político-partidária.
A resolução que disciplina o processo eleitoral estabelece que os observadores devem portar credenciais emitidas pela Justiça Eleitoral e não podem interferir nos trabalhos de votação, apuração ou transmissão dos resultados.
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. Se houver necessidade de segundo turno nas disputas para presidente e governador, a votação será realizada em 25 de outubro.
Caso amplia tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos
A negativa ocorre em um período de tensão entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado por divergências sobre comércio, decisões da Justiça brasileira e o processo eleitoral.
Em março, o Brasil já havia revogado o visto do assessor norte-americano Darren Beattie. Na ocasião, o Itamaraty afirmou que houve omissão e apresentação de informações incorretas sobre o objetivo da viagem, que incluiria uma tentativa de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No caso de Barnes e Samson, porém, ainda não houve divulgação de uma justificativa oficial detalhada nem de uma eventual medida de resposta por parte dos Estados Unidos.
