Resumo da Notícia
O governo da Argentina anunciou nesta terça-feira (5) a criação de uma força-tarefa dedicada ao combate de organizações criminosas estrangeiras que atuam em seu território, com foco prioritário no Primeiro Comando da Capital (PCC), facção originária do Brasil. A medida, comandada pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, envolve a atuação do recém-criado Departamento Federal de Investigações (DFI), que concentrará esforços para desmantelar núcleos do PCC instalados no país.
O anúncio ocorre poucos dias após a prisão de Fábio Rosa Carvalho, apontado como líder da quadrilha “Os Manos” e foragido da Justiça brasileira. Ele foi capturado na última sexta-feira (1º), em Buenos Aires, durante uma operação conjunta entre forças de segurança argentinas e brasileiras.
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Bullrich foi direta ao anunciar a prioridade das investigações: “A primeira investigação fundamental que vamos entregar ao DFI é a investigação do PCC na Argentina”, disse a ministra durante coletiva realizada na sede do ministério.
Captura internacional
Fábio Rosa Carvalho foi preso às 19h45 (horário local) na Avenida Pedro Goyena, número 800, no bairro de Caballito, capital argentina. A operação envolveu a Divisão de Prisões e Fugitivos da Polícia da Cidade de Buenos Aires, o setor de Roubos e Furtos da Polícia da província de Córdoba e agentes da Polícia Civil do Brasil, que atuaram de forma integrada.
Rosa Carvalho estava foragido há quase três anos, após escapar de um presídio brasileiro, onde cumpria pena por homicídio e tráfico de drogas. Segundo as autoridades argentinas, ele é acusado de envolvimento em mais de 100 assassinatos no Brasil. A expectativa é que ele seja extraditado nos próximos dias.
O comissário-geral Pascual Bellizi, que foi nomeado como chefe da DFI, confirmou a gravidade da situação: “Ele é acusado de mais de 100 homicídios lá”, afirmou, referindo-se ao histórico de Rosa Carvalho no Brasil.
Expansão do PCC preocupa autoridades argentinas
A preocupação das autoridades argentinas é com a presença do PCC no país vizinho. O comissário-geral Bellizi, que também é advogado e especialista em investigações, ressaltou que a facção brasileira tem histórico de violência e busca se expandir para outros países do continente.
“O PCC é uma organização criminosa violenta que surgiu há aproximadamente 30 anos no Brasil e estendeu seu poder por todo o país. Seu interesse é expandir-se inicialmente para as Américas”, afirmou Bellizi.
Segundo ele, o DFI está empenhado na identificação dos integrantes da facção e em impedir sua consolidação em solo argentino. “Nossa missão é impedir a todo custo sua instalação na Argentina, porque esse tipo de organização é muito violenta, trazendo crimes e outros tipos de delitos para os locais onde opera”, alertou.
Bellizi também descreveu a estrutura do PCC, reforçando que se trata de uma organização mafiosa com códigos próprios e grande poder de influência. “São organizações mafiosas. Elas têm cerimônias de iniciação e registro e fazem acordos para sua vida criminosa futura, onde a mesma organização, que tem significativo poder econômico, cuida de suas famílias e membros, fornecendo apoio em sua vida criminosa diária”, detalhou.
Investigação é prioridade de novo departamento
O DFI, Unidade de Inteligência Fiscal da Polícia Federal argentina, atuará com foco especial no combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. O comando do órgão, sob Bellizi, será o responsável por conduzir as investigações que envolvam facções estrangeiras, começando pelo PCC.
Para Patricia Bullrich, a prisão de Rosa Carvalho e a instalação do DFI são marcos no esforço argentino de conter a expansão de grupos criminosos que atuam além das fronteiras nacionais. A ministra afirmou que o trabalho será contínuo e envolverá cooperação internacional com outros países da América do Sul.
A atuação conjunta com o Brasil é vista como essencial, especialmente diante do perfil violento das facções e do histórico de crimes associados ao PCC em países como Paraguai, Bolívia e, agora, Argentina.
