Mudanças climáticas ampliam riscos respiratórios em cães e gatos

Gripes, alergias, alterações na pelagem e até risco de hipotermia: especialistas alertam que a troca de estação exige atenção redobrada à saúde dos animais.
cães e gatos
Foto: Melinda Nagy / Adobe Stock

A variação do clima não afeta apenas os humanos. Com a chegada do frio ou o aumento repentino das temperaturas, cães e gatos também sofrem com as oscilações, que afetam o sistema imunológico, o apetite, a pelagem e até o comportamento. Sinais como espirros constantes, apatia ou coceiras frequentes podem indicar mais do que um simples desconforto — podem ser o reflexo de doenças desencadeadas pela mudança de estação.

O alerta é do médico veterinário Dr. Eros Luiz de Sousa, diretor do Hospital Veterinário MeBi – Médicos de Bichos, de Curitiba. Segundo ele, o período exige cuidados extras por parte dos tutores, especialmente em relação à vacinação e à rotina de passeios.

Assim como nós, os pets também sofrem com a variação de temperatura. Gripes, alergias e alterações no metabolismo são comuns nesta época do ano. Por isso, o tutor deve ficar atento a sinais como espirros frequentes, apatia ou coceiras intensas”, explica.

Doenças respiratórias se agravam com o frio

Durante a transição entre estações, as doenças respiratórias se tornam mais frequentes. No caso dos cães, a traqueobronquite infecciosa, popularmente conhecida como “gripe dos cães”, pode se manifestar com sintomas como tosse seca, espirros e secreção nasal. Já os gatos são afetados principalmente pela rinotraqueíte felina, que também tende a se agravar em ambientes com baixa umidade.

O sistema imunológico pode ficar mais vulnerável na troca de estação. Por isso, a vacinação e o controle antiparasitário devem ser reforçados, principalmente em animais que passeiam muito ou convivem com outros pets”, afirma o diretor do MeBi.

Passeios e hidratação: atenção ao relógio e à temperatura

Tanto no inverno quanto no verão, o horário do passeio influencia diretamente na saúde do pet. Em dias frios, os riscos são de hipotermia e contraturas musculares. Já no calor, o perigo é a hipertermia e queimaduras nas patas, causadas pelo asfalto quente.

No inverno, o ideal é que os passeios aconteçam no meio da tarde, quando a temperatura está mais amena — sempre com o pet bem agasalhado. Já no calor, é melhor sair bem cedo ou no fim da tarde, evitando os horários mais quentes do dia”, orienta Dr. Eros.

A hidratação também precisa ser reforçada, principalmente nas estações mais quentes. Um cão de porte médio, por exemplo, deve consumir cerca de 50 ml de água por quilo de peso corporal por dia — quantidade que pode dobrar com o aumento do calor, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária.

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Pelagem, escovação e os desafios do outono e da primavera

Outro ponto de atenção está na troca de pelos, fenômeno natural e mais intenso durante o outono e a primavera. Embora seja um mecanismo fisiológico de adaptação, o excesso de pelos soltos pode se tornar um problema em ambientes fechados e sem ventilação adequada, como apartamentos.

A mudança de pelos é um mecanismo fisiológico de proteção. No outono e na primavera, o volume de pelos soltos costuma aumentar bastante”, detalha Dr. Eros.

Para evitar nós, reduzir a ingestão acidental de pelos (o que pode gerar vômitos ou desconfortos gastrointestinais) e manter a pele saudável, a escovação regular é indispensável — especialmente para raças de pelagem longa.

Roupas e acessórios: uso consciente evita dermatites

Cada vez mais populares, roupas, sapatinhos e bonés para pets devem ser usados com critério. Embora ajudem em determinadas situações — como proteger cães idosos ou de pelagem curta do frio, ou isolar as patas do calor do asfalto — o uso excessivo pode causar dermatites, estresse ou queda de pelos.

O agasalho pode ajudar cães de pelagem curta ou idosos a manterem a temperatura corporal no inverno. Já acessórios como sapatinhos são úteis em dias muito quentes, para proteger as patas do asfalto escaldante. Mas o excesso ou o uso inadequado pode causar dermatites e estresse”, pontua o veterinário.

Sinais de alerta: quando buscar ajuda

Nem todo espirro ou mudança de apetite é motivo para alarde. No entanto, se os sintomas persistirem, o ideal é buscar orientação profissional. Tosse frequente, lesões na pele, dificuldade para respirar ou mudanças no comportamento são indicativos de que algo mais sério pode estar ocorrendo.

Além disso, a Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários (ABHV) recomenda que check-ups preventivos sejam realizados a cada seis meses, especialmente em períodos de maior risco climático.

Na troca de estação, vale ajustar a rotina, reforçar os cuidados médicos, adequar os passeios, oferecer uma alimentação balanceada e, claro, garantir muito amor e atenção. Afinal, seja no frio ou no calor, o bem-estar nunca sai de moda”, finaliza o diretor do Hospital MeBi.

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