Caern alerta para risco de colapso de mananciais em nove cidades do Seridó
Cinco reservatórios podem chegar ao limite até dezembro; Governo afirma que fontes alternativas permitem manter o abastecimento humano mesmo sem novas chuvas.
Resumo da Notícia
- A Caern identificou risco de colapso até dezembro em mananciais ligados ao abastecimento de nove municípios do Seridó.
- O alerta alcança Currais Novos, Equador, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Ipueira, São José do Seridó e Ouro Branco.
- O Governo do RN afirma que o cenário não significa interrupção inevitável do fornecimento, porque existem fontes e sistemas alternativos.
- Ouro Branco e São João do Sabugi aparecem entre as situações mais sensíveis por não disporem, segundo a Caern, de sistema emergencial estruturado.
Cinco reservatórios relacionados ao abastecimento de nove municípios do Seridó potiguar podem chegar ao colapso hídrico até dezembro de 2026, segundo avaliação da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) encaminhada ao Gabinete Civil do Estado. O alerta envolve Currais Novos, Equador, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Ipueira, São José do Seridó e Ouro Branco.
O cenário, porém, exige uma distinção importante: o risco apontado pela Caern é de esgotamento dos mananciais atualmente utilizados e não uma previsão de que as nove cidades necessariamente ficarão sem água. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) afirma que o abastecimento humano está garantido até o fim do ano, inclusive se não houver chuvas nos próximos meses, por meio da utilização de outras fontes.
O documento da Caern cita entre os pontos de atenção os açudes Dourado, Mamão, Boqueirão, Santo Antônio e Martelo. O monitoramento dos volumes é realizado pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn).
Dourado se aproxima do esgotamento em Currais Novos
Currais Novos concentra um dos casos mais evidentes. O Açude Dourado, com capacidade superior a 10 milhões de metros cúbicos, chegou a setembro com menos de 1% do volume armazenado. Com a redução da reserva, o abastecimento da cidade passa a depender cada vez mais do Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras, em Acari.
A deterioração já vinha sendo acompanhada. No início deste mês, o Açude Dourado tinha apenas 1,16% da capacidade e a Caern preparava Currais Novos para depender integralmente do Gargalheiras. Naquele momento, a companhia estimava que a mudança poderia reduzir entre 20% e 30% a vazão disponível para a cidade e exigir novas manobras na distribuição.
Segundo a avaliação atual do Estado, o Gargalheiras possui condições de assumir o abastecimento dos domicílios de Currais Novos caso o Dourado deixe de fornecer água.
Quais cidades estão no alerta da Caern
| Município | Situação apontada |
|---|---|
| Currais Novos | Dourado em nível crítico; Gargalheiras é a principal alternativa |
| Equador | Açude Mamão está entre os mananciais sob risco |
| Parelhas | Boqueirão integra a avaliação de risco |
| Jardim do Seridó | Atendido pelo sistema associado ao Boqueirão |
| Carnaúba dos Dantas | Atendido pelo sistema associado ao Boqueirão |
| São João do Sabugi | Santo Antônio está no alerta; município não possui sistema emergencial estruturado, segundo a Caern |
| Ipueira | Açude Martelo aparece entre os mananciais acompanhados |
| São José do Seridó | Município incluído no alerta de abastecimento |
| Ouro Branco | Situação considerada mais delicada; abastecimento atual utiliza poços rasos |
Em Ouro Branco, a resposta emergencial já depende de captações subterrâneas. A Semarh informa que 31 poços foram perfurados no município entre junho de 2025 e agosto de 2026. São João do Sabugi também aparece entre os pontos de maior atenção porque, de acordo com a Caern, não dispõe de um sistema emergencial de abastecimento.
Poços, carros-pipa e integração entre adutoras estão entre as alternativas previstas para situações de redução severa dos volumes. A prioridade, segundo a gestão estadual, é preservar o fornecimento para consumo humano.
O quadro do Seridó evidencia uma diferença entre disponibilidade de água no estado e capacidade de fazê-la chegar às cidades que enfrentam escassez. O levantamento mais recente do Igarn apontou 48,75% de armazenamento no conjunto dos reservatórios monitorados no Rio Grande do Norte, mas 13 mananciais estavam abaixo de 10% da capacidade.
A concentração dos níveis críticos no Seridó torna a situação regional mais sensível do que o percentual estadual sugere.
A Barragem Oiticica, em Jucurutu, é uma das reservas consideradas estratégicas para contingências na região. O reservatório já havia ultrapassado 500 milhões de metros cúbicos armazenados ainda em abril e integra a estrutura criada para ampliar a segurança hídrica do interior.
A Semarh afirma que Oiticica poderá ser utilizada em caso de necessidade. O desafio está na infraestrutura necessária para transportar e distribuir esse volume até os municípios em situação mais vulnerável.
Adutora do Seridó é peça central para reduzir dependência dos açudes locais
A principal obra estruturante em andamento é o Sistema de Adutoras do Seridó. O projeto foi concebido para transferir água de reservatórios de maior porte, incluindo a Armando Ribeiro Gonçalves e Oiticica, reduzindo a dependência de pequenos açudes mais sujeitos a colapsos durante períodos prolongados de estiagem.
A Codevasf informa que os trechos destinados inicialmente a Caicó, Florânia, Cruzeta, São Vicente e Currais Novos terão 113 quilômetros de tubulações e capacidade de transporte de 375 litros por segundo.
A entrada efetiva em operação, porém, não ocorrerá automaticamente com a conclusão física das obras. A pré-operação dos primeiros trechos está prevista para 2027.
Até lá, o plano para atravessar os próximos meses combina o uso dos mananciais ainda disponíveis, poços, adutoras existentes e abastecimento emergencial. O Igarn continuará acompanhando os volumes dos reservatórios, enquanto a Caern deverá ajustar os sistemas à medida que cada fonte se aproxime do limite operacional.


