PGR defende no STF abertura de ação penal contra núcleo 4 de suposta trama golpista

PGR defende no STF abertura de ação penal contra núcleo 4 de suposta trama golpista
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em sessão realizada nesta terça-feira (6), em Brasília, a subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, reiterou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que mais seis pessoas sejam indiciadas e se tornem réus, acusadas de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de mais um segmento da denúncia apresentada pela PGR, referente a uma conspiração que visava manter Jair Bolsonaro no poder, mesmo após sua derrota nas eleições de 2022.

Os cinco ministros da Primeira Turma do STF – Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux – estão analisando se aceitam a parte da denúncia que envolve sete acusados pertencentes ao núcleo 4 da suposta organização golpista.

De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o núcleo 4 é acusado de planejar e executar ações de desinformação com o objetivo de desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral, fomentando a instabilidade social para criar um cenário favorável a um golpe.

Todos estavam cientes do plano maior da organização e da eficácia de suas ações para a promoção da instabilidade social e consumação da ruptura institucional”, afirmou Cláudia Sampaio Marques.

O núcleo 4 é acusado de tentar coagir o então comandante do Exército, general Freire Gomes, a aderir ao suposto golpe. A denúncia aponta que “milícias digitais” foram mobilizadas para atacar o militar e sua família.

A PGR também investiga o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para promover os objetivos golpistas, gerando instabilidade social e intimidando opositores. Segundo a denúncia, equipamentos da Abin foram usados para monitorar críticos do governo.

Se valiam dos recursos e dos sistemas, das ferramentas de pesquisa da Abin para gerar desinformação e gerar notícias falsas que eram compartilhadas com vetores de propagação”, reforçou Marques.

Os sete denunciados do núcleo 4 são acusados dos seguintes crimes:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência, grave ameaça
  • Deterioração de patrimônio tombado

A maioria dos acusados do núcleo 4 é composta por militares. Há também um policial federal e um engenheiro, suspeito de dar respaldo técnico aos ataques contra as urnas eletrônicas. Os nomes dos denunciados são:

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército)
  • Ângelo Martins Denicoli (major da reserva)
  • Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente)
  • Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel)
  • Reginaldo Vieira de Abreu (coronel)
  • Marcelo Araújo Bormevet (policial federal)
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal)

O regimento interno do STF estabelece que as duas turmas do tribunal são responsáveis por julgar processos criminais. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, integra a Primeira Turma, que conduzirá o julgamento.

Se a maioria dos ministros da Primeira Turma aceitar a denúncia, os acusados se tornarão réus e responderão a uma ação penal no STF. Nesse processo, as defesas terão acesso a um material probatório mais amplo e poderão solicitar a produção de novas provas, além de arrolar testemunhas.

Em 25 de março, a Primeira Turma aceitou por unanimidade a denúncia contra o núcleo 1, tornando réus oito acusados de liderar a suposta trama golpista. Entre os réus estão generais da reserva do Exército que integravam o alto escalão do governo Bolsonaro, além de outros assessores.

Em 22 de abril, o colegiado também aceitou, por unanimidade, parte da denúncia contra seis integrantes do núcleo 2, composto por acusados de prestar assessoria jurídica e intelectual para o suposto golpe.

Atualmente, 14 pessoas já são rés no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Caso a denúncia contra o núcleo 4 seja aceita, o número de réus chegará a 21. O julgamento dos 12 denunciados do núcleo 3 está agendado para 20 de maio.

A Primeira Turma do STF autorizou o fatiamento da denúncia em seis núcleos. O procurador-geral, Paulo Gonet, justificou a medida como forma de facilitar a tramitação do caso, que envolve um total de 34 pessoas.

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