Mercado
Dólar R$ 5,1082 BCB Euro R$ 5,8480 Frankfurter Bitcoin R$ 320.802,00 -1,64% Ethereum R$ 9.082,19 -1,05% Solana R$ 390,13 0,28% Selic 14,25% a.a. BCB IPCA 0,16% mensal Dólar R$ 5,1082 BCB Euro R$ 5,8480 Frankfurter Bitcoin R$ 320.802,00 -1,64% Ethereum R$ 9.082,19 -1,05% Solana R$ 390,13 0,28% Selic 14,25% a.a. BCB IPCA 0,16% mensal

Pagar pensão sem ter filho? Entenda quando parentes podem ser acionados pela Justiça

A obrigação pode alcançar outros parentes quando quem deve alimentos em primeiro lugar não consegue arcar sozinho com a despesa.
Quando outra pessoa pode ser chamada a pagar pensão?
Quando outra pessoa pode ser chamada a pagar pensão? - Crédito: Studio Romantic / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • A legislação brasileira permite que outros parentes sejam chamados a pagar pensão alimentícia em situações específicas.
  • A regra, prevista no artigo 1.698 do Código Civil, aplica-se quando o responsável principal não consegue arcar integralmente com o valor.
  • A responsabilidade não é automática e depende de decisão judicial que avalia a capacidade financeira de cada parente.
  • A Justiça utiliza o binômio necessidade x possibilidade para determinar a contribuição de cada familiar envolvido.
  • A medida visa garantir o direito de quem necessita dos alimentos sem sobrecarregar desproporcionalmente apenas uma parte.

Uma publicação divulgada pelo Senado Federal nas redes sociais reacendeu um debate que costuma gerar dúvidas entre os brasileiros: afinal, uma pessoa pode ser obrigada a pagar pensão alimentícia mesmo sem ter filhos?

A resposta é sim, mas somente em situações específicas previstas na legislação brasileira. A possibilidade está no artigo 1.698 do Código Civil, que estabelece uma responsabilidade alimentar entre parentes quando quem possui obrigação prioritária não consegue suportar integralmente o pagamento dos alimentos.

A publicação do Senado resume justamente essa previsão legal. Embora a frase “pagar pensão sem ter filho” possa causar estranheza à primeira vista, ela não representa uma mudança na legislação nem cria uma nova obrigação. Trata-se de uma regra que já existe no ordenamento jurídico brasileiro e pode ser consultada no próprio Código Civil.

O dispositivo determina que:

Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato.”

Na prática, isso significa que, se a pessoa que possui obrigação principal de pagar alimentos não tiver condições financeiras suficientes, o juiz poderá determinar que outros familiares participem do pagamento, sempre observando a capacidade econômica de cada um.

Ou seja, a responsabilidade não surge simplesmente porque alguém pertence à família. É preciso que existam os requisitos previstos em lei e uma decisão judicial reconhecendo essa necessidade.

Quem pode ser chamado a pagar?

A legislação estabelece uma ordem entre os parentes obrigados a prestar alimentos.

Em regra, a responsabilidade recai sobre quem possui obrigação prioritária. Apenas quando essa pessoa demonstra impossibilidade total ou parcial de cumprir o dever é que outros familiares podem ser chamados a contribuir.

Dependendo do caso concreto, podem ser envolvidos:

Cobertura relacionadaPor induzirem seguidores a erro em apostas, Blaze e Virginia Fonseca são acionadas pelo MP; ação pede R$ 120 milhões
  • avós;
  • demais ascendentes;
  • descendentes;
  • irmãos.

A própria disciplina da obrigação alimentar está prevista nos artigos sobre alimentos do Código Civil, que organiza essa responsabilidade conforme o grau de parentesco.

A obrigação é automática?

Esse é justamente o principal ponto que costuma gerar interpretações equivocadas.

A publicação do Senado não significa que qualquer parente poderá ser obrigado a pagar pensão nem que alguém sem vínculo familiar poderá assumir essa obrigação.

Para que outro familiar seja chamado ao processo, a Justiça analisa diversos fatores, entre eles:

  • necessidade de quem recebe os alimentos;
  • capacidade financeira do responsável principal;
  • possibilidade econômica dos demais parentes;
  • proporcionalidade da contribuição de cada um.

Esse entendimento decorre do próprio sistema jurídico brasileiro, que adota o chamado binômio necessidade x possibilidade, amplamente aplicado nas ações de alimentos.

A publicação faz parte do trabalho de divulgação de direitos e deveres previstos na legislação brasileira realizado pelo Senado Federal.

Nos últimos anos, temas relacionados ao Direito de Família passaram a circular com frequência nas redes sociais, muitas vezes acompanhados de informações incompletas ou descontextualizadas. Nesse cenário, iniciativas de esclarecimento ajudam a aproximar o cidadão do texto legal, desde que compreendidas dentro de seu contexto jurídico.

O conteúdo divulgado pelo Senado está alinhado ao texto do artigo 1.698 do Código Civil, sem alterar as regras atualmente em vigor.

O que isso significa na prática?

Imagine que um pai seja condenado a pagar pensão alimentícia, mas comprove judicialmente que não possui renda suficiente para cumprir integralmente essa obrigação.

Nessa hipótese, o juiz poderá avaliar a participação de outros parentes legalmente obrigados, como os avós, observando sempre a situação financeira de cada um.

Isso não significa que a responsabilidade do pai desaparece. O objetivo é assegurar o direito de quem necessita dos alimentos sem impor uma obrigação desproporcional a apenas uma das partes.

Quando outra pessoa pode ser chamada a pagar pensão?

SituaçãoO que acontece
Responsável principal consegue pagarContinua responsável pelos alimentos.
Responsável principal não consegue pagar integralmenteOutros parentes podem ser chamados a contribuir.
Quem decide?O Poder Judiciário.
O pagamento é igual para todos?Não. Cada um contribui conforme sua capacidade financeira.
Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.