Investigado por ameaças a eleitores no RN, candidato a deputado federal é preso por suspeita de tráfico
Wender Andrade (Mobiliza) foi detido durante buscas determinadas pela 41ª Zona Eleitoral; Polícia Civil apreendeu substância semelhante à maconha e dinheiro e apura ameaças contra eleitores e candidatos.
Resumo da Notícia
- Wender Andrade (Mobiliza), candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Norte, foi preso em flagrante nesta quinta-feira (17), em Alexandria.
- A prisão ocorreu durante buscas relacionadas a uma investigação sobre ameaças contra eleitores e candidatos no Alto Oeste.
- Segundo a Polícia Civil, foram encontrados dois tabletes maiores, porções fracionadas de substância análoga à maconha e dinheiro em espécie.
- A prisão, por si só, não cancela automaticamente o registro da candidatura, que havia sido deferido pela Justiça Eleitoral.
O candidato a deputado federal Wender Andrade (Mobiliza) foi preso em flagrante na manhã desta quinta-feira (17), em Alexandria, no Alto Oeste do Rio Grande do Norte, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela 41ª Zona Eleitoral. A operação está relacionada a uma investigação que apura possíveis ameaças contra eleitores e candidatos da região.
Wender Andrade é o nome utilizado na urna por Francisco Wender de Andrade, de 27 anos. Durante as buscas em endereços vinculados ao candidato, nas áreas urbana e rural de Alexandria, policiais localizaram dois tabletes maiores e outras porções de substância análoga à maconha, além de dinheiro em espécie. Diante do material apreendido, ele foi autuado em flagrante por suspeita de tráfico de drogas.
A Polícia Civil não informou, no material divulgado sobre a operação, a quantidade total da substância apreendida nem o valor encontrado em dinheiro. Esses elementos foram encaminhados à delegacia para os procedimentos da investigação.
Investigação começou com suspeitas de ameaças a eleitores
Os mandados cumpridos nesta quinta-feira não tiveram origem no flagrante por suspeita de tráfico. Eles já haviam sido determinados no âmbito de uma investigação que apura ameaças dirigidas a eleitores e candidatos, inclusive por meio das redes sociais.
Segundo a Polícia Civil, também é investigada a possível participação de Wender em uma organização criminosa com atuação na região. A linha de investigação atribui ao candidato, entre outras possíveis funções, o armazenamento de entorpecentes destinados ao grupo. Essas suspeitas ainda estão em apuração e não correspondem a uma condenação judicial.
A apuração eleitoral busca ainda esclarecer se as ameaças investigadas teriam sido utilizadas para interferir no livre exercício dos direitos políticos e na campanha eleitoral. A polícia informou que as diligências continuam para identificar eventuais outros envolvidos.
Prisão não cancela candidatura automaticamente
Wender Andrade concorre a deputado federal pelo Mobiliza, sob o número 3333. A relação dos 111 pedidos de registro para deputado federal no Rio Grande do Norte já incluía o candidato entre os nove nomes apresentados pelo partido no estado.
Naquele momento, o pedido ainda aguardava julgamento. Em decisão posterior, de 9 de setembro, o registro de Francisco Wender de Andrade foi deferido pela Justiça Eleitoral, que reconheceu naquela análise o preenchimento das condições de elegibilidade e a inexistência de causa de inelegibilidade que impedisse a candidatura.
A prisão desta quinta-feira não provoca, isoladamente, o cancelamento automático desse registro. A Lei Complementar nº 64/1990 estabelece hipóteses específicas de inelegibilidade decorrentes de condenações judiciais, incluindo situações em que exista decisão criminal transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado nos crimes abrangidos pela legislação. Uma prisão em flagrante e a abertura ou continuidade de investigação não equivalem a essas decisões.
Isso não impede que fatos posteriores possam ser analisados pela Justiça Eleitoral dentro dos instrumentos previstos em lei. No estágio atual, porém, é necessário separar três situações diferentes: o flagrante criminal desta quinta-feira, a investigação sobre organização criminosa e ameaças e a situação formal do registro eleitoral.
Há ainda uma particularidade do calendário eleitoral. O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 4 de outubro, e a proteção específica prevista pelo Código Eleitoral para candidatos começa neste sábado, 19 de setembro, 15 dias antes da votação.
A partir dessa data, candidatas e candidatos não podem ser presos ou detidos até 6 de outubro, salvo em caso de flagrante delito. Como a prisão de Wender ocorreu em 17 de setembro, essa janela ainda não havia começado. Além disso, a própria regra legal preserva expressamente a possibilidade de prisão em flagrante durante o período protegido.
Alexandria também terá Força Federal nas eleições
Alexandria já estava entre os municípios do Rio Grande do Norte considerados para reforço de segurança nas Eleições 2026. Na terça-feira (15), dois dias antes da prisão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou por unanimidade o envio de forças federais para nove cidades potiguares, entre elas Alexandria.
A autorização também alcança Serra Negra do Norte, Jardim de Piranhas, João Dias, Tibau, Boa Saúde, Sítio Novo, Serra Caiada e Ipanguaçu. Os pedidos haviam sido aprovados anteriormente pelo TRE-RN e pelo Governo do Estado.
A cronologia é relevante porque impede atribuir a decisão sobre o reforço federal à prisão ocorrida nesta quinta-feira: a autorização do TSE antecede o flagrante.
Após a autuação, Wender Andrade ficou à disposição do Poder Judiciário. A investigação policial prossegue sobre a origem e destinação do material apreendido, a possível participação em organização criminosa e as ameaças de natureza eleitoral; eventual consequência sobre o registro da candidatura dependerá de decisão da Justiça Eleitoral nos termos da legislação aplicável.


