Resumo da Notícia
A trajetória do Xiaomi SU7 Ultra no mercado chinês virou um retrato claro dos desafios enfrentados por modelos de nicho, mesmo quando vêm respaldados por uma marca em forte expansão. Lançado com ambição e números impressionantes, o sedã esportivo perdeu fôlego ao longo de 2025, enquanto a Xiaomi Auto manteve crescimento sólido no conjunto da obra.
Os dados mais recentes mostram uma queda acentuada nas vendas do SU7 Ultra a partir do segundo semestre. Depois de atingir seu pico em março, com pouco mais de 3 mil unidades, o modelo entrou em rota descendente e fechou dezembro com apenas 45 carros emplacados, segundo plataformas como a Dongchedi.
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Entre março e agosto, o desempenho ainda foi consistente, com volumes mensais entre 2 mil e 3 mil unidades. O cenário mudou em setembro, quando as vendas caíram para menos de 500 unidades, despencaram em outubro e novembro e chegaram ao patamar mínimo no último mês do ano.
Apesar disso, o balanço anual da Xiaomi Auto foi amplamente positivo. Em janeiro de 2026, a Associação Chinesa de Veículos de Passageiros colocou a marca entre as dez maiores fabricantes de veículos de nova energia, com 411.837 unidades vendidas em 2025, alta de mais de 200% na comparação anual.
O contraste fica ainda mais evidente ao observar outros modelos da gama. Em dezembro, o SU7 “convencional” superou 11 mil unidades vendidas, enquanto o YU7 passou da marca de 39 mil, reforçando que a força da Xiaomi está concentrada nos veículos de uso cotidiano.
No caso do SU7 Ultra, além do posicionamento restrito ao segmento de alto desempenho, uma sequência de controvérsias pode ter pesado contra. Questões envolvendo propaganda enganosa, exigência de pagamentos antecipados e relatos de falhas na abertura das portas após acidentes geraram ruído em torno do modelo.
Ainda assim, o esportivo cumpriu sua meta inicial ao ultrapassar 10 mil unidades vendidas desde o lançamento, em fevereiro de 2025. Equipado com três motores, 1.548 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos, o SU7 Ultra mostrou força técnica, mas deixou claro que desempenho extremo nem sempre se traduz em volume de vendas.
A situação da Xiaomi ocorre em um momento em que a BYD oferece descontos de até R$ 28 mil e acirra a competição no mercado. Além disso, o mercado automotivo pós-pandemia tem apresentado desafios únicos para as montadoras.

