Volvo anuncia recall global por falhas em baterias após disputa judicial da Geely

Volvo anuncia recall global do EX30 devido a problemas nas baterias, afetando a autonomia e gerando preocupações de segurança. Entenda a crise e a disputa judicial entre Geely e Sunwoda.
Volvo anuncia recall global por falhas em baterias após disputa judicial da Geely
Crédito da imagem: Volvo

Resumo da Notícia

A indústria de carros elétricos vive um momento de expansão acelerada, mas também de testes duros para a credibilidade das marcas. No centro desse cenário está a Volvo Cars, controlada pelo grupo chinês Geely, que precisou acionar um recall global envolvendo baterias de alta voltagem. O episódio expõe como a corrida pela eletrificação amplia ganhos, mas também riscos.

O alerta envolve baterias fornecidas pela chinesa Sunwoda Electronic e atingiu diretamente modelos como o VolvoEX30. A recomendação temporária para limitar o carregamento a 70% foi adotada como medida preventiva, mas reduziu a autonomia dos veículos. Para muitos clientes, a solução soou como um freio inesperado em um produto vendido como tecnológico e completo.

Volvo anuncia recall global por falhas em baterias após disputa judicial da Geely
Crédito da imagem: Volvo

A preocupação ganhou peso após um EX30 pegar fogo em uma concessionária de Maceió, Brasil, em novembro de 2025. O incêndio destruiu totalmente o veículo e mobilizou uma grande operação do Corpo de Bombeiros. O caso reforçou a urgência de respostas mais claras e definitivas por parte da montadora.

Na África do Sul, autoridades de defesa do consumidor confirmaram um recall envolvendo 372 unidades do EX30, dos anos-modelo 2024 a 2026. Segundo a Volvo local, há risco raro de superaquecimento das baterias quando carregadas a níveis elevados. Em situações extremas, isso pode levar à chamada fuga térmica e até incêndios.

No Reino Unido, o problema também ganhou escala. Dados do site Hypermiler indicam que mais de 10 mil unidades do EX30 estão sob alerta, dentro de um universo global de quase 34 mil veículos com células da Sunwoda. A própria Volvo reconhece que cerca de 0,02% dessas células apresentaram superaquecimento.

O caso da Volvo não é isolado dentro do grupo Geely. A Zeekr, outra marca controlada pelo conglomerado, enfrentou queixas semelhantes no modelo 001 WE86, incluindo falhas na indicação de autonomia e lentidão no carregamento. A resposta veio com uma campanha de inspeções e trocas gratuitas, a um custo bilionário.

A crise avançou para o campo jurídico no fim de 2025, quando a Viridi E-Mobility Technology, subsidiária da Geely, processou a Sunwoda. A ação pede uma indenização de mais de 2 bilhões de yuans por defeitos em células fornecidas entre 2021 e 2023. O movimento evidencia o desgaste na relação entre fornecedor e montadoras.

Tudo isso acontece em contraste com números robustos de vendas. O grupo Geely fechou 2025 com mais de 4,1 milhões de veículos vendidos no mundo, impulsionado pelos elétricos e híbridos. Já a Volvo entregou mais de 710 mil carros no ano, quase metade deles eletrificados, mostrando que o crescimento segue firme — ainda que acompanhado de desafios à altura.

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