Resumo da Notícia
A Volkswagen atravessa um dos períodos mais delicados de sua história recente. A montadora alemã registrou um prejuízo líquido de 1,07 bilhão de euros no terceiro trimestre de 2025, o primeiro em cinco anos. O resultado reflete um cenário global desafiador, marcado por tarifas mais altas nos Estados Unidos, queda de rentabilidade na Porsche e custos crescentes em várias áreas do grupo.
O balanço, divulgado na quinta-feira, mostrou um recuo expressivo no lucro operacional, que ficou negativo em 1,3 bilhão de euros, revertendo o ganho de 2,83 bilhões obtido no mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a receita cresceu 2,3%, chegando a 80,31 bilhões de euros. Mesmo com o tombo, a Volkswagen manteve a previsão anual, projetando retorno operacional entre 2% e 3% e fluxo de caixa próximo de zero.
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Grande parte do impacto negativo veio da Porsche, que decidiu adiar o lançamento de novos elétricos e revisar para baixo suas metas de lucro. A medida gerou um rombo estimado de 5,1 bilhões de euros no resultado do grupo. A própria Porsche, antes símbolo de rentabilidade, enfrenta queda na demanda por esportivos elétricos e uma concorrência acirrada na China, seu principal mercado fora da Europa.
O diretor financeiro Arno Antlitz reconheceu que o trimestre foi “muito mais fraco” que o anterior, culpando as tarifas norte-americanas, as mudanças na estratégia da Porsche e baixas contábeis no valor da subsidiária. Segundo ele, sem esses efeitos, a margem operacional teria alcançado 5,4%, número que classificou como “respeitável diante do atual cenário econômico global”.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump continuam pesando nos resultados. Mesmo após novo acordo entre União Europeia e EUA, as taxas sobre veículos europeus seguem em 15%, abaixo dos 27,5% anteriores, mas ainda muito superiores aos 2,5% cobrados antes da guerra comercial. De acordo com Antlitz, o impacto anual gira em torno de 5 bilhões de euros.
Os desafios se somam à crise de semicondutores, que ainda ameaça o ritmo de produção. A Volkswagen prevê que as vendas de 2025 devem repetir o volume do ano anterior, mas admite depender fortemente da disponibilidade de chips para confirmar esse desempenho.
Analistas da FactSet já esperavam números negativos, embora menores: um prejuízo operacional de 578 milhões de euros sobre receita de 79,39 bilhões. O resultado final, portanto, superou em mais que o dobro as perdas previstas, reforçando a pressão sobre a diretoria do grupo.
Nos nove primeiros meses de 2025, o lucro líquido consolidado da Volkswagen caiu mais de 60%, para 3,4 bilhões de euros, ante 8,8 bilhões no mesmo período de 2024. Com 10 marcas no portfólio — entre elas Audi, Skoda e Seat —, o conglomerado enfrenta agora o desafio de reorganizar sua estratégia global, equilibrando eletrificação, custos e competitividade num mercado cada vez mais volátil.


