Resumo da Notícia
Com a multiplicação de radares, e até o uso de drones para fiscalizar o trânsito, os motoristas estão mais atentos do que nunca aos limites de velocidade. O que poucos sabem, porém, é que o velocímetro do carro não mostra a velocidade real. Essa diferença não é um erro técnico: trata-se de uma escolha deliberada das montadoras para criar uma margem de segurança e reduzir riscos de infrações e acidentes. IPVA sem mistério: mitos e verdades sobre o imposto.
Na prática, o ponteiro — seja analógico ou digital — sempre marca um pouco mais do que a velocidade verdadeira. Se o painel indica 100 km/h, por exemplo, o veículo está, na realidade, entre 95 km/h e 100 km/h. Essa margem, que costuma variar de 5% a 10%, é conhecida por quem usa aplicativos de navegação, como Waze, que indicam valores mais próximos da velocidade real.
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A calibragem proposital dos velocímetros virou regra global. Na União Europeia, há uma norma que limita o erro máximo a 10% mais 4 km/h. Assim, se um carro estiver a 90 km/h de verdade, o velocímetro não pode marcar mais de 103 km/h. No Brasil, a prática é aceita e considerada pelas autoridades no cálculo da tolerância em casos de infrações por excesso de velocidade.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, um motorista só é multado se ultrapassar o limite em pelo menos 7 km/h. Isso significa que, em uma via de 80 km/h, é possível rodar até 87 km/h sem penalidade. Essa folga evita que condutores sejam punidos por diferenças mínimas entre o painel e o radar de fiscalização eletrônica.
Especialistas explicam que a estratégia tem como objetivo proteger os motoristas. Segundo o professor Cleber Willian Gomes, da FEI, as montadoras preferem “errar para menos” a fim de reduzir riscos e garantir que ninguém ultrapasse limites por uma simples falha de medição. Isso também influencia a percepção do condutor: ao ver o número maior no painel, tende a aliviar o pé no acelerador.
Outros fatores, no entanto, podem alterar a precisão. Pneus desgastados ou descalibrados, bem como a troca do conjunto de rodas e pneus por medidas maiores, afetam diretamente a leitura. Quando isso acontece, a velocidade real passa a ser maior que a indicada — e aí mora o perigo: um motorista pode achar que está a 98 km/h, quando, na verdade, roda a 110 km/h.
A legislação brasileira proíbe alterações que comprometam essa precisão. A Contran estabelece, desde 2008, que mudanças no diâmetro original podem gerar multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Há exceções para veículos utilitários, desde que respeitem as condições impostas pelo fabricante e pelo órgão regulador.
As penalidades variam conforme a gravidade da infração: até 20% acima do limite, a multa é média (R$ 130,16 e quatro pontos); entre 20% e 50%, torna-se grave (R$ 195,23 e cinco pontos); e acima de 50%, é gravíssima — com multa de R$ 2.640 e possibilidade de suspensão da CNH.
Por fim, vale lembrar que essa diferença também interfere no hodômetro e no cálculo de consumo. Um carro com rodas maiores percorre mais quilômetros do que o painel indica, o que pode mascarar desempenho e consumo reais. Poucos motoristas percebem ou corrigem isso, e alguns até se aproveitam dessa defasagem para vender veículos com quilometragem adulterada.


