Uso do celular ao volante se torna a principal causa de acidentes no Brasil

Pesquisa da Sem Parar revela que 76% dos motoristas consideram o uso do celular ao volante o maior risco no trânsito
Uso do celular ao volante se torna a principal causa de acidentes no Brasil
Crédito da imagem: Reprodução

Resumo da Notícia

Nas ruas e avenidas das grandes cidades brasileiras, tornou-se comum ver motoristas distraídos, reduzindo a velocidade sem motivo ou desviando da faixa. A cena, que antes sugeria embriaguez, hoje revela outro inimigo silencioso: o celular.

Uma pesquisa recente da Sem Parar, divulgada durante a Semana Nacional do Trânsito, mostra que 76% dos motoristas apontam o uso do smartphone ao volante como o maior perigo nas vias, à frente até da criminalidade e do excesso de velocidade.

Uso do celular ao volante se torna a principal causa de acidentes no Brasil
Crédito da imagem: luckybusiness para Depositphotos

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, só em 2024, mais de 6 mil pessoas perderam a vida em acidentes nas rodovias federais. O número reacende o debate sobre os reais fatores que colocam o Brasil entre os países com trânsito mais letal. A distração causada por mensagens, ligações e notificações aparece como um dos protagonistas dessa estatística.

O estudo da Sem Parar, realizado com mais de 400 motoristas, revela ainda que 69% já se envolveram em algum tipo de acidente, e um em cada quatro admitiu ter se envolvido em brigas ou discussões no trânsito. A violência também preocupa: 22% dos entrevistados afirmaram ter sido vítimas de crimes enquanto dirigiam, como agressões (45%) ou furtos de acessórios (35%).

Mesmo quem nunca passou por episódios de violência tenta se proteger. Sete em cada dez motoristas dizem evitar ruas perigosas e 79% não ficam parados dentro do carro por muito tempo. Para muitos, o seguro automotivo se tornou indispensável — 66% o consideram essencial, e 67% avaliam as áreas urbanas como mais perigosas do que as estradas.

José Luiz Machado, diretor de Seguros da Sem Parar, resume o alerta: “O celular se consolidou como o principal problema de segurança viária, mas o risco vai além da distração — envolve acidentes, agressões e até crimes.” Ele defende campanhas educativas permanentes e ações conjuntas entre autoridades, empresas e sociedade para reduzir tragédias nas ruas.

A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) confirma: o uso do celular é a terceira maior causa de acidentes no país, atrás apenas da velocidade e do álcool. Estudos apontam que o risco de colisão aumenta em até 400% quando o motorista lê ou digita mensagens — o mesmo que dirigir de olhos vendados por alguns segundos.

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O Observatório Nacional de Segurança Viária reforça o perigo: ao atender uma ligação, o tempo de reação do motorista pode aumentar mais de 50%, e o cérebro perde até 70% da percepção do ambiente. Mesmo após desligar o aparelho, há um “efeito pós-chamada”, no qual a mente continua focada na conversa, atrasando a resposta a imprevistos.

A legislação tenta frear a imprudência. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, falar ao telefone com o aparelho na orelha gera multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH. Já segurar ou manusear o celular é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos.

Um lembrete de que a simples curiosidade por uma mensagem pode custar vidas. No futuro, talvez os carros autônomos tornem o trânsito mais seguro — mas, até lá, o desafio é humano: olhar para a estrada, não para a tela.

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