Uso de Arla 32 adulterado pode causar danos graves ao sistema diesel

Descubra os perigos do Arla 32 adulterado para veículos a diesel. Saiba como identificar o produto falso, os danos que ele causa e as consequências legais do seu uso.
Uso de Arla 32 adulterado pode causar danos graves ao sistema diesel
Crédito da imagem: ANP

Resumo da Notícia

O caminho da descarbonização no Brasil avança em etapas cada vez mais exigentes e coloca o setor automotivo no centro do debate ambiental. Com limites progressivamente menores para a emissão de poluentes, especialmente nos veículos a diesel, novas tecnologias deixam de ser opção e passam a ser obrigação para atender às regras do Proconve e às metas futuras.

Entre essas soluções está o Arla 32, peça-chave para que motores diesel consigam reduzir drasticamente a liberação de óxidos de nitrogênio. Presente em caminhões, ônibus, picapes e SUVs mais modernos, o sistema ganhou protagonismo desde a adoção do padrão Euro 5, em 2013, quando passou a ser exigido um reservatório exclusivo para o reagente.

Uso de Arla 32 adulterado pode causar danos graves ao sistema diesel
Crédito da imagem: Shutterstock

O Arla 32 é uma mistura precisa de ureia automotiva de alta pureza com água desmineralizada. Injetado no escapamento antes do catalisador SCR, ele reage com os gases tóxicos da combustão e transforma até 98% do NOx em nitrogênio e vapor d’água, reduzindo de forma significativa o impacto ambiental dos motores a diesel.

Na prática, o sistema é eficiente e silencioso, mas depende totalmente da qualidade do produto utilizado. Basta um abastecimento com Arla fora das especificações para comprometer sensores, entupir o catalisador e gerar falhas eletrônicas, perda de potência e aumento no consumo de combustível, além de emissões acima do permitido.

O problema é que, nos últimos anos, o Arla 32 virou alvo de adulterações. Desde que o Brasil passou a importar ureia, após o fim da produção nacional em 2017, criminosos passaram a usar ureia agrícola — mais barata e subsidiada — misturada com água comum para fabricar um produto falso, visualmente semelhante ao original.

Segundo especialistas do setor, essa prática é especialmente perigosa porque a ureia fertilizante contém aditivos como formaldeído. Ao entrar no sistema SCR, essas impurezas se acumulam, danificam componentes caros e reduzem drasticamente a eficiência do controle de emissões, com impactos diretos na qualidade do ar.

Além do prejuízo mecânico, o uso de Arla adulterado também traz consequências legais. A infração é considerada grave pelo Código de Trânsito Brasileiro, com multa, pontos na CNH e retenção do veículo, além de enquadramento como crime ambiental, mesmo quando o motorista não age de forma intencional.

Para reduzir o problema, órgãos como Ibama, Inmetro e Polícia Rodoviária Federal intensificaram a fiscalização e passaram a adotar testes rápidos para identificar produtos fora do padrão. A criação de uma norma técnica específica ajudou a padronizar os resultados e ampliar o combate à cadeia clandestina.

Enquanto o controle não se torna totalmente eficaz, a recomendação é clara: abastecer apenas em locais confiáveis, desconfiar de preços muito baixos e seguir rigorosamente as orientações do fabricante. Em um cenário de metas ambientais cada vez mais duras, usar o Arla correto deixou de ser apenas uma questão técnica — é uma responsabilidade ambiental e legal.

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