Resumo da Notícia
A Tesla entra em 2026 pressionada por números menos exuberantes nas vendas de carros, mas decidida a reforçar uma aposta antiga: transformar software, inteligência artificial e automação em novas fontes de crescimento. No centro dessa estratégia está o sistema de condução assistida FSD, peça-chave para o discurso tecnológico da empresa.
Em Davos, no Fórum Econômico Mundial, Elon Musk afirmou que a montadora está próxima de obter aval regulatório para o FSD supervisionado pelo motorista tanto na Europa quanto na China. Segundo o executivo, as autorizações podem sair já no próximo mês, após um processo mais lento e fragmentado fora dos Estados Unidos.
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A expectativa é relevante sobretudo na Europa, onde regras de segurança mais rígidas e a diversidade de órgãos reguladores atrasaram o avanço do sistema. A autoridade holandesa RDW sinalizou que pode decidir sobre o tema em fevereiro, o que abriria caminho para reconhecimentos em outros países do bloco. Volkswagen supera Tesla e lidera vendas de elétricos na Europa.
Na China, o caminho tem sido igualmente sinuoso. Embora a Tesla tenha iniciado, em fevereiro de 2025, a implementação de um sistema ADAS semelhante ao FSD americano, o lançamento evitou o nome original e veio cercado de limitações operacionais, frustrando parte dos clientes que haviam pago caro pelo pacote.
Durante anos, consumidores chineses puderam adquirir o FSD por cerca de 64 mil yuans, mesmo sem acesso pleno à tecnologia. A situação levou até vendedores da marca a desaconselhar a compra, num mercado em que rivais locais como BYD, Xpeng e Li Auto oferecem recursos avançados sem custo adicional.
Agora, a Tesla muda também o modelo de negócios. A partir de 14 de fevereiro, a empresa deixará de vender o FSD por pagamento único e passará a operar exclusivamente por assinatura mensal, numa tentativa de ampliar a receita recorrente em meio à queda global de entregas.
Em 2025, a Tesla entregou pouco mais de 1,63 milhão de veículos no mundo, recuo de 8,56% na comparação anual. Na China, as vendas caíram quase 5%, enquanto na Califórnia os registros despencaram e a participação de mercado ficou abaixo de 10%, abrindo espaço para a BYD assumir a liderança global.
Apesar disso, Musk insiste em projetar um futuro dominado por IA. Nos Estados Unidos, a Tesla já opera serviços de robotáxi, inclusive em Austin, onde iniciou testes sem monitores de segurança, ainda que em escala bem menor do que prometido no passado. Santander oferece 50 mil bolsas gratuitas em inteligência artificial.
A mesma inteligência artificial, segundo o CEO, sustentará os robôs humanoides Optimus, que a empresa espera vender ao público até o fim do próximo ano. Analistas, porém, pedem cautela: sem produção em escala, clareza regulatória e viabilidade econômica, o salto da ficção para o cotidiano ainda parece distante.

