Resumo da Notícia
As vendas da Tesla na China voltaram a cair em outubro, atingindo o menor nível em três anos e revelando o enfraquecimento da demanda no maior mercado automotivo do mundo. A fabricante americana de elétricos entregou 26.006 veículos, segundo a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, um número bem abaixo do registrado em setembro, quando o novo Model YL parecia promissor.
O desempenho representa uma queda de 35,8% em relação a 2023 e de mais de 60% frente ao mês anterior, quando as vendas chegaram a 71.525 unidades. O resultado negativo coincidiu com a desaceleração nas entregas do Model YL, versão alongada e com seis lugares do SUV mais vendido da marca, lançada exclusivamente para o público chinês em agosto.
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Ainda assim, o cenário não é completamente negativo. As exportações da fábrica de Xangai cresceram e alcançaram 35.491 unidades, o maior volume em dois anos. Somando exportações e vendas locais, o total chegou a 61.497 veículos, o que representa uma retração menor, de 9,9% frente a 2023.
Mesmo com o bom desempenho nas exportações, a participação da Tesla no mercado chinês de veículos elétricos despencou para 3,2%, ante 8,7% em setembro — o menor índice em mais de três anos. O recuo reforça a pressão que a empresa sofre de marcas locais como Xiaomi, BYD e Li Auto, que avançam com produtos mais baratos e adaptados ao gosto chinês.
A Xiaomi, por exemplo, registrou vendas recordes de 48.654 unidades em outubro com o sedã SU7 e o SUV YU, mesmo após incidentes envolvendo seus veículos levantarem dúvidas sobre a segurança. Enquanto isso, o mercado chinês como um todo desacelerou, reflexo da redução dos subsídios governamentais e da menor confiança do consumidor.
Para tentar reagir, a Tesla lançou há poucos dias uma nova versão de cinco lugares do Model Y, com autonomia de 821 km no ciclo CLTC, a maior da linha. O preço inicial é de 288.500 yuans (cerca de US$ 40.500), com entregas previstas entre duas e quatro semanas.
Além disso, veículos de comunicação chineses afirmam que a empresa já trabalha em dois novos projetos internos, chamados E41 e D50, que seriam versões simplificadas dos Model Y e Model 3. A produção local pode começar em meados de 2026, uma estratégia voltada a conter os avanços dos rivais chineses.
De janeiro a outubro, a Tesla vendeu 458.710 carros no varejo na China, queda de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar da retração, a montadora segue tentando ajustar sua estratégia, equilibrando preços, exportações e novos lançamentos, em um cenário cada vez mais competitivo e imprevisível.

