Resumo da Notícia
Os bastidores da relação entre Tesla e seu fundador voltam a ganhar destaque no mercado financeiro. A consultoria Institutional Shareholder Services (ISS), uma das vozes mais influentes entre investidores institucionais, recomendou que os acionistas rejeitem o novo pacote salarial de US$ 1 trilhão proposto para Elon Musk. A votação, marcada para 6 de novembro, promete ser um dos momentos mais tensos do ano para a montadora.
Essa não é a primeira vez que a ISS se posiciona contra o plano de remuneração do executivo. A consultoria já havia feito a mesma recomendação em 2018 e novamente em 2024, quando um tribunal de Delaware considerou que Musk teve influência excessiva no processo de aprovação anterior — episódio que contribuiu para a transferência da sede da Tesla para o Texas. Ainda assim, cerca de 75% dos investidores aprovaram o pacote na época.
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O novo plano, apresentado em setembro, prevê que Musk possa ampliar sua participação acionária para pelo menos 25% caso atinja metas extremamente ambiciosas. Entre elas estão elevar o valor de mercado da Tesla para US$ 8,5 trilhões, entregar 20 milhões de veículos, colocar 1 milhão de robotáxis em operação e alcançar US$ 400 bilhões de EBITDA em quatro trimestres. O pagamento total seria liberado ao longo de uma década.
A ISS argumenta que, embora a Tesla queira garantir a dedicação exclusiva de Musk, não há cláusulas que obriguem o executivo a priorizar a empresa frente a seus outros negócios — como SpaceX, Neuralink, The Boring Company e xAI. O grupo também expressou preocupação com o tamanho e a estrutura do prêmio especial, chamando atenção para riscos de governança corporativa.
A montadora reagiu com veemência. Em publicação no X, a empresa acusou a ISS de ignorar “pontos fundamentais de investimento e governança” e convocou os acionistas a votar a favor das propostas da diretoria. “É fácil para a ISS dizer aos outros como votar quando não têm nada em jogo”, afirmou a companhia.
O pacote também recebeu críticas de investidores institucionais e autoridades estaduais dos EUA, que assinaram uma carta alertando para os riscos de concentrar ainda mais poder nas mãos de Musk. Entre os signatários estão o SOC Investment Group, a American Federation of Teachers e tesoureiros de vários estados americanos, que acusam o conselho de “prejudicar a reputação” da Tesla ao insistir na proposta.
Além da remuneração bilionária, a ISS recomendou que os acionistas votem contra o uso de recursos da Tesla em novos investimentos no xAI, empresa de inteligência artificial criada por Musk. Também pediu a rejeição da reeleição de Ira Ehrenpreis, membro veterano do conselho — decisão que a Tesla classificou de “infundada e absurda”.
Internamente, a diretoria defende que ninguém além de Musk seria capaz de comandar a empresa nesse estágio de expansão global. A presidente do conselho, Robyn Denholm, reforçou essa visão em entrevista recente, afirmando que o pacote foi desenhado para manter Musk comprometido com o futuro da Tesla.
Mesmo sob pressão, Musk tem sinalizado que poderá desenvolver projetos estratégicos fora da Tesla caso não obtenha maior controle acionário. O bilionário já havia vendido parte de suas ações para financiar a compra do X — anteriormente Twitter — e agora busca consolidar sua posição de poder dentro da companhia que o tornou a pessoa mais rica do mundo.
O desfecho da votação pode redefinir a relação entre Musk e seus acionistas. Enquanto a Tesla tenta mobilizar sua base de investidores individuais, a ISS e outros grupos exercem influência significativa sobre grandes fundos. A disputa promete ser intensa — e o resultado poderá moldar os rumos da montadora para a próxima década.


