A Stellantis voltou a olhar para o Oriente em busca de fôlego industrial e competitividade. Em meio à pressão por custos menores e avanço dos elétricos, a companhia articula novas alianças. O movimento sinaliza uma reconfiguração estratégica com foco em escala global.
Segundo informações da Bloomberg, as conversas mais recentes envolvem a retomada da parceria com a Dongfeng Motor, antiga conhecida do grupo. A ideia é criar uma cooperação que inclua produção compartilhada na Europa e na China. O objetivo central é equilibrar capacidade ociosa e ampliar presença nos dois mercados.

Essa reaproximação resgata uma relação iniciada ainda nos anos 1990, quando o antigo PSA Group buscava acesso ao mercado chinês. Com o tempo, a parceria perdeu força diante da concorrência crescente. Agora, o cenário volta a favorecer acordos mais pragmáticos.
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Na prática, as negociações preveem que a Dongfeng utilize fábricas subaproveitadas da Stellantis na Europa. Em contrapartida, a chinesa poderia produzir modelos de marcas do grupo no mercado asiático. A equação tenta reduzir custos e aumentar eficiência industrial.
Nos bastidores, executivos chineses já visitaram unidades na Alemanha e na Itália para avaliar possibilidades. Há ainda discussões sobre investimentos diretos ou até aquisição de plantas no futuro. Tudo depende da evolução das tratativas e do ambiente regulatório europeu.
Ao mesmo tempo, a Stellantis amplia sua ofensiva em eletrificação com parceiros chineses. Um exemplo é a aproximação com a Leapmotor, com quem negocia o desenvolvimento de um SUV elétrico da Opel. A estratégia mira acelerar lançamentos e reduzir custos tecnológicos.
Esse laço não é recente: em 2023, a Stellantis investiu 1,5 bilhão de euros na Leapmotor, tornando-se sua principal acionista externa. O aporte abriu caminho para integração mais profunda. Agora, os projetos começam a ganhar forma dentro da operação global.
Um dos planos envolve um novo modelo da Opel baseado na tecnologia da parceira chinesa. A produção está prevista para Saragoça, na Espanha, a partir de 2028. A meta inicial gira em torno de 50 mil unidades por ano.
Enquanto isso, o grupo também conversa com nomes como Xiaomi e XPeng, ampliando o leque de opções. A ofensiva responde à pressão de rivais como Volkswagen AG e BYD. No fim, a disputa por espaço no futuro elétrico será definida por quem conseguir produzir melhor, mais rápido e mais barato.
