Stellantis anuncia troca de motores com correia banhada a óleo na Europa

Stellantis anuncia substituição global dos motores PureTech com correia banhada a óleo pelos mais confiáveis Firefly na Europa, visando recuperar confiança e otimizar produção.
Stellantis anuncia troca de motores com correia banhada a óleo na Europa
Crédito da imagem: Divulgação

Resumo da Notícia

A Stellantis decidiu virar a página de um dos capítulos mais delicados de sua engenharia recente. Após anos de críticas ao motor 1.2 PureTech com correia banhada a óleo, o grupo iniciou na Europa a troca definitiva desse conjunto pelos propulsores Firefly, de origem Fiat. A medida busca recuperar a confiança do consumidor e reorganizar a estratégia industrial da companhia no continente.

O PureTech é herança dos tempos do antigo Grupo PSA, antes da fusão com a FCA que deu origem à Stellantis em 2021. Presente em modelos como Peugeot 208, Peugeot 3008, Citroën C3 e Opel Corsa, o motor ganhou fama negativa após sucessivos relatos de desgaste prematuro. No Brasil, sua participação foi discreta e breve.

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O fim da era PureTech

A proposta da correia dentada imersa em óleo era moderna: reduzir ruído, atrito e emissões. Na prática, porém, o material da correia se degradava antes do previsto em alguns casos, contaminando o lubrificante e afetando componentes como a bomba de óleo. Em situações extremas, o dano podia comprometer todo o motor.

O problema atingiu principalmente as versões 1.0 e 1.2 turbo de três cilindros. A fragmentação da correia e o entupimento do sistema de lubrificação abalaram a reputação das marcas do grupo na Europa. Mesmo com atualizações técnicas e tentativas de reverter a imagem, o desgaste já estava consolidado entre consumidores e oficinas.

A aposta definitiva no Firefly

A resposta veio com sotaque italiano. A Stellantis passou a priorizar os motores Firefly, que utilizam corrente metálica no comando de válvulas — solução considerada mais robusta e menos dependente da qualidade química do óleo. A corrente, em regra, tem durabilidade equivalente à vida útil do motor.

Na Europa, o Firefly já equipa modelos como Fiat 500 Hybrid, Fiat Pandina e Alfa Romeo Tonale. A tendência é ampliar sua presença em veículos da Peugeot, Citroën, Opel e Fiat, substituindo gradualmente o 1.2 PureTech nos compactos e SUVs de maior volume.

Estratégia industrial e futuro híbrido

Internamente, o movimento também redesenha o mapa produtivo do grupo. O foco sai da tradicional planta francesa de Douvrin e se volta para Termoli, na Itália, onde os Firefly são fabricados. A mudança simboliza o fim da prioridade dada aos projetos franceses na era anterior da companhia.

A engenharia já trabalha para adaptar os Firefly às normas Euro 7 e aos futuros limites previstos para 2027. O plano inclui sistemas híbridos leves de 48 volts e transmissões automatizadas eletrificadas. A meta é manter esses motores ativos ao longo da próxima década, inclusive como base para versões híbridas plug-in.

No Brasil, a estratégia europeia apenas confirma um caminho já consolidado. Produzidos há cerca de dez anos em Betim (MG), os Firefly equipam desde o Citroën C3 e o Fiat Argo até modelos turbo como Fiat Pulse e Jeep Compass. Ao apostar nessa família globalmente, a Stellantis reconhece, na prática, que a solução para sua crise de confiabilidade estava mais próxima do que parecia — e já rodava nas ruas brasileiras.

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