Resumo da Notícia
Em meio ao avanço acelerado das marcas chinesas no Brasil, a Shineray passou a enfrentar seu maior desafio institucional no país. A fabricante, que vem ganhando espaço nas ruas e no ranking de vendas, agora está no centro de uma investigação aberta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O caso envolve questionamentos técnicos que podem ter impacto direto no consumidor e no meio ambiente.
O processo administrativo foi instaurado ainda em novembro de 2025, em caráter preliminar, mas só se tornou público em fevereiro deste ano. A iniciativa partiu da Abraciclo, entidade que representa a maior parte da indústria de duas rodas instalada em Manaus. A associação formalizou denúncia após receber alertas de empresas associadas sobre possíveis desconformidades em modelos da marca.
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Segundo a representação, motocicletas produzidas na fábrica de Suape, em Pernambuco, estariam chegando ao mercado sem componentes obrigatórios para controle de emissões. Entre os itens citados estão catalisador, cânister e sistema de ventilação do cárter. A ausência desses equipamentos, de acordo com a entidade, pode elevar a emissão de poluentes e ruídos acima dos limites permitidos no Brasil.
A notificação enviada pela Secretaria Nacional do Consumidor se apoia no Código de Defesa do Consumidor e em normas específicas que tratam da fiscalização de produtos. A Shineray tem prazo de 20 dias corridos, a partir do recebimento da intimação, para apresentar esclarecimentos técnicos e documentação que comprove a conformidade de seus modelos. Caso não se manifeste, o processo pode avançar para novas etapas de apuração.
Na denúncia, a Abraciclo sustenta que a falta do catalisador indicaria possível descumprimento das regras de emissões, consideradas das mais rigorosas da América Latina. Já a ausência do cânister poderia trazer impactos ambientais e à saúde pública. Quanto à ventilação do cárter, o entendimento é de que sua inexistência poderia expor condutores e a coletividade a compostos nocivos.
Procurada pela reportagem, a Shineray informou que opta por não comentar o caso neste momento. Em nota, a empresa afirma que seus produtos seguem rigorosamente os padrões técnicos e legais exigidos pelos órgãos competentes e que todas as especificações estão disponíveis em seu site oficial. Até agora, não há qualquer penalidade aplicada, e o caso segue em fase de investigação preliminar.
A apuração ocorre justamente quando a marca vive seu melhor momento comercial no Brasil. Em 2025, a Shineray emplacou 130,6 mil motocicletas, alcançando quase 6% de participação de mercado e consolidando o terceiro lugar no ranking nacional.
Em janeiro de 2026, atingiu 7,24% de market share e manteve ritmo de expansão, com 438 pontos de venda ativos no país. O desfecho do processo poderá influenciar não apenas a trajetória da empresa, mas também o debate sobre concorrência e fiscalização no setor de duas rodas.

